Golpe contra mineração ilegal na Amazônia colombiana

Blow to Illegal Mining in the Colombian Amazon

Por Myriam Ortega/Diálogo
dezembro 18, 2018

No início de novembro, as Forças Armadas da Colômbia desferiram um golpe contra a mineração ilegal na Amazônia colombiana com a desarticulação de uma quadrilha criminosa dedicada à exploração ilícita de jazidas de minérios. Três operações simultâneas conjuntas com a Polícia Judicial da Polícia Nacional da Colômbia culminaram com a captura de seis integrantes da rede criminosa e de uma embarcação tipo draga.

Um trabalho de inteligência de um ano permitiu ao Exército Nacional da Colômbia rastrear os movimentos e as ações da estrutura criminosa Los Mercurio, além de identificar seus membros. Segundo o Exército, a rede praticava crimes em Tarapacá, estado do Amazonas, às margens dos rios Putumayo e Cotuhé, que correm no Peru e na Colômbia.

“A ideia era perseguir os líderes dessa estrutura”, disse à Diálogo o Coronel do Exército Nacional Carlos Ernesto Marmolejo Cumbe, comandante da Vigésima Sexta Brigada, com sede em Leticia, no estado do Amazonas. “Foi o que conseguimos ao longo de todo esse ano [2018].”

Operações simultâneas

As operações foram realizadas em paralelo na corregedoria de Tarapacá e na cidade de Leticia. Soldados do Batalhão de Infantaria de Selva No 50 lotados na Vigésima Sexta Brigada do Exército lideraram as capturas com o apoio do Grupo Aéreo do Amazonas da Força Aérea Colombiana (FAC), da Polícia Nacional e da Promotoria Geral da Nação.

“A operação foi realizada simultaneamente no dia 8 [de novembro]. Os soldados foram às residências dessas pessoas e detiveram os quatro indivíduos [em Tarapacá]”, explicou o Cel Marmolejo. “Do mesmo modo, na cidade de Leticia, a Polícia Judicial localizou a residência dos outros dois indivíduos e os deteve.”

Entre os presos se encontra o líder da organização, Omar Verano, conhecido como El Mechudo. Os criminosos são acusados de crimes de exploração ilícita de jazidas minerais e contaminação ambiental por resíduos sólidos perigosos, entre outros.

“O processo completo incluia capturá-los e transportá-los à cidade de Leticia para entregá-los à Promotoria com todo o material probatório para que fossem denunciados”, disse à Diálogo o Coronel da FAC Osman Eucardo González Ortiz, comandante do Grupo Aéreo do Amazonas. “Tudo ocorreu conforme planejado.”

No mesmo dia, unidades do Batalhão de Infantaria de Selva No 50 e elementos fluviais do Comando de Guarda-Costas do Amazonas realizaram uma operação no rio Cotuhé. A operação conjunta resultou na apreensão de uma embarcação tipo draga que a estrutura criminosa utilizava para sugar o leito do rio.

“Na mesma madrugada, fizemos um movimento tático fluvial até o local e realizamos a intervenção da balsa”, informou o Cel Marmolejo. “Ali encontramos apenas a infraestrutura, mas, ao confiscá-la, reduzimos a capacidade desta organização para praticar crimes.”

Segundo o Cel Marmolejo, a captura do indivíduo conhecido como El Mechudo enfraquece grandemente a estrutura criminosa, impedindo a sua reorganização. O oficial explicou que o Exército havia golpeado a rede várias vezes, “mas eles sempre voltavam a se articular”.

“Creio que ainda restam alguns integrantes no lado peruano do rio Cotuhé”, disse o Cel Marmolejo. “Mas, de qualquer maneira, estamos muito atentos caso eles tentem cruzar para o lado colombiano.”

As operações foram realizadas no âmbito do Plano Victoria Plus – roteiro do Exército – e do Plano Diamante, uma ofensiva a nível nacional contra os grupos criminosos. No balanço feito ao cabo de 100 dias do Plano Diamante, no dia 17 de novembro, o governo colombiano informou que foram capturados mais de 57.000 criminosos, sendo que entre eles havia mais de 300 membros de organizações armadas organizadas e estruturas criminosas.

Proteger o meio-ambiente

A mineração ilegal de ouro na Colômbia é a principal causa do desmatamento, com mais de 24.000 hectares de bosques destruídos em 2014, segundo o último relatório do Gabinete das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime, Colômbia: Exploração de ouro de aluvião[PAM1] , publicado em junho de 2016. Os resultados não apontaram o estado do Amazonas como um dos mais atingidos, e sim os estados orientais de Chocó e Antioquia. No entanto, o problema é regional e enriquece as organizações criminosas transnacionais que contaminam o ambiente e a população, expondo-os a substâncias perigosas como o mercúrio.

“Essas organizações criminosas não se preocupam com o mercúrio que despejam no meio-ambiente ou com os danos ambientais que causam às bacias dos rios”, disse o Cel González. “Estamos combatendo os crimes contra a Amazônia, contra o meio-ambiente.”

No decorrer de 2018, a Vigésima Sexta Brigada já capturou 19 dragas, 10 botes de madeira, nove motores externos, sete compressores e cinco roupas de mergulho, entre outros materiais utilizados na extração ilegal de ouro em operações conjuntas e combinadas. Além disso, capturaram mais de uma dezena de criminosos.

“Cada um de nós [instituições das Forças Armadas] tem capacidades distintas, já que a única maneira de podermos atuar de forma contundente contra os agentes geradores de violência, os grupos ilegais e as organizações criminosas, é através da integração das nossas forças”, concluiu o Cel González. “Precisamos trabalhar juntos, em bloco e articulados, para que os grupos criminosos não encontrem uma escapatória.”
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