Argentina propõe ao Brasil criação de agência espacial

Por Dialogo
setembro 09, 2011



O Ministro da Defesa da Argentina, Arturo Puricelli, propôs a criação da Agência Espacial Sul-Americana, segundo o modelo de sucesso da Agência Espacial Européia – uma ideia que conta com forte apoio do Brasil.
Puricelli apresentou a sugestão em um seminário de defesa em São Paulo, em 30 de agosto, com o argumento de que a iniciativa está bastante vinculada à defesa dos dois países, já que, no futuro, uma maior parte do território será controlada e protegida a partir do espaço.
“Nossas comunicações dependem de serviços fornecidos por satélites de outros países em outras regiões e temos que unir forças para ter acesso ao espaço através de uma Agência Espacial Sul-Americana”, explicou Puricelli durante a primeira reunião entre ministros de defesa de Brasil e Argentina desde que Celso Amorim substituiu Nélson Jobim no comando da defesa brasileira em 8 de agosto.
O seminário “Transformação da Defesa Nacional” fez parte de uma série de conferências realizadas durante o ano para promover o primeiro livro branco da defesa, quando o ministro argentino asseverou que a capacidade aeroespacial brasileira é fundamental para o projeto.
“O que nos está impedindo?”, perguntou Puricelli aos painelistas. “O desafio dos nossos ministérios é criar um plano espacial sul-americano e ter nossos próprios satélites até 2025. A América do Sul tem muito a defender.”
Apesar de as iniciativas espaciais estarem sob o domínio das agências espaciais de seus respectivos países, os dois ministros agora promovem a causa como uma questão de defesa nacional. Amorim, por sua vez, afirmou que o Brasil considera a iniciativa positiva e adequada, pois “contribuiria para a confiança entre os países sul-americanos, transformando-os em uma comunidade de segurança.”
Em 2005, o falecido presidente argentino Nestor Kirchner assinou um decreto declarando o avanço tecnológico espacial como uma política do estado e prioridade nacional. Desde então, o Programa de Desenvolvimento Espacial Argentino tem promovido a ideia de uma Agência Espacial Sul-Americana semelhante à ESA, com 18 membros, sediada em Paris e com um orçamento anual de cerca de US$ 5,6 bilhões (R$ 9,3 bilhões).
Só para efeito de comparação, o Plano Espacial Argentino 2004/2015 reservou algo em torno de US$ 240 milhões (R$ 398 milhões) para investimentos em ciência e tecnologia.
Tanto a Argentina quanto o Brasil progrediram em P&D aeroespacial na última década. Em particular a primeira, com uma cooperação considerável dos Estados Unidos.
“Vamos ver muitas dessas colaborações entre Brasil e Argentina, embora só funcione se a Argentina evitar os erros do passado quando se retirava de projetos conjuntos antecipadamente alegando restrições orçamentárias”, ressaltou Andrei Serbin Pont, especialista em defesa regional e coordenador de comunicações da CRIES (Coordenadoria Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais), uma organização regional não-governamental.
“Tal foi o caso dos submarinhos nucleares do Brasil, que inicialmente seriam desenvolvidos junto com a Argentina, mas depois a França foi escolhida devido a problemas do país vizinho em obter o financiamento necessário”, exemplificou Serbin Pont. “Acho que, entretanto, podemos ser mais otimistas quanto à cooperação na indústria espacial porque é um setor que está recebendo muita atenção e verba do governo.”
O Dr. Fabián Calle, especialista em defesa argentina e professor das Universidades Católica e Di Tella, em Buenos Aires, concorda com a opinião. “O setor está passando por um renascimento nos governos Kirchner e conta com bom financiamento e o apoio pessoal da presidente Cristina Fernández”, afirmou.
E Serbin Pont explica: “Tanto no Brasil quanto na Argentina, a estratégia de modernizar as forças armadas está atrelada ao desenvolvimento das indústrias nacionais de defesa. No Brasil, muitas verbas têm seguido a estratégia, o que nem sempre acontece na Argentina, à exceção da INVAP, a empresa estatal localizada no Rio Negro, que possui sólidos projetos de defesa relacionados à tecnologia. “
Ainda segundo Serbin Pont, o Brasil tem diretrizes estratégicas bem mais claras, conforme definido em sua Estratégia de Defesa Nacional de 2008, descrita no livro branco de defesa a ser publicado no início do ano que vem. A Argentina, por sua vez, está passando por um momento de reflexão e mudança, em uma tentativa de tornar suas forças armadas mais eficientes e competitivas.
“A tradicional hipótese de conflito já não mais existe. Em vez disso, esses países estão focados em proteger o território nacional e seus recursos naturais”, destacou. “Todas as agências das forças armadas argentinas estão de alguma forma trabalhando para proteger seus recursos naturais. A marinha, por exemplo, tem um papel importante no patrulhamento da zona econômica exclusiva, reservada ao país pela lei marítima internacional, mas sempre violada por pescadores internacionais fora da lei.”
Por outro lado, o Brasil já estabeleceu suas três áreas prioritárias para a vigilância territorial: a densa floresta amazônica, a chamada “Amazônia Azul”, na costa norte brasileira, e o Atlântico Sul, onde, em 2007, foi encontrada uma vasta reserva de petróleo em águas profundas.
Embora os satélites regionais sejam voltados para o uso civil, podem também ser usados com o objetivo de defesa, se necessário. “São tecnologias de duplo propósito, no sentido de que podem funcionar tanto para fins civis, quanto militares. Se surgir a necessidade, que é bem improvável, poderiam ser usados para defesa territorial”, explicou Calle.
O Brasil teve experiências tumultuosas ao colocar seus foguetes projetados localmente em órbita. Como consequência, ainda não conseguiu lançar um satélite em órbita por si só, e sofreu vários reveses em três lançamentos de satélites fracassados. O último, em agosto de 2003, acabou com a explosão do foguete VLS-1, no Centro de Lançamento de Alcântara, matando 21 pessoas. O acidente retardou o programa espacial brasileiro, em grande parte porque muitos dos mortos eram cientistas e engenheiros que trabalhavam no programa.
Em colaboração com a NASA, a agência espacial argentina, CONAE, obteve êxito no lançamento de quatro satélites terrestres SAC desde meados da década de 1990. Esse tipo de equipamento tem como principal finalidade obter informações da Argentina e dos países vizinhos sobre atividades produtivas relacionadas ao monitoramento do mar, solo, água, geologia, clima, meio ambiente, recursos naturais e mapeamento. O último deles, conhecido como SAC-D, foi construído pela INVAP e lançado nos Estados Unidos em junho. Assim como o Brasil, a Argentina ainda não conseguiu lançar em órbita um satélite independentemente.
Embora a Agência Espacial Sul-Americana por enquanto seja apenas um sonho argentino, está evidente que o Brasil quer trabalhar com o país vizinho. Um programa espacial conjunto poderá somar aos empreendimentos cooperativos já existentes, como a MINUSTAH, a missão de paz no Haiti, a fábrica de aviões na província de Córdoba, Argentina, e a produção do Gaúcho, a viatura leve de emprego geral aerotransportável 4x4 que deve equipar o exército dos dois países.
Em conversa em 5 de setembro na Escola de Defesa Nacional em Buenos Aires, Amorim declarou que a Argentina é o principal parceiro estratégico do Brasil, acrescentando que seu país almeja uma região “pacífica, mas não indefesa”, com “capacidades de dissuasão” para proteger os recursos naturais da América do Sul, incluindo água, comida, biodiversidade e meio ambiente.
Durante o evento, os ministros brasileiro e argentino também ratificaram o compromisso de seus países em manter o Atlântico Sul como uma zona livre de armas nucleares, enquanto Amorim observou que “para o Brasil, nada tem sido mais importante do que a reaproximação com a Argentina, superando as rivalidades históricas.”
e se chegarem a um acordo, quando começarão a fazê-lo? Irão fazê-lo? Por favor, me respondam. Excelente se der certo. A Exemplo da UNASUL, deveria mesmo existir uma Agência Espacial Sul-Americana. Antes de mais nada, investimentos em educação (o Brasil parece seguir o caminho certo com a aprovação dos 10% do PIB para a educação para os próximos 10 anos), seguidos de investimentos em ciência e tecnologia. Torço pra que tudo dê certo. Nós(sul-americanos) temos que nos unir, e parar com essas rivalidades bestas, por causa de futebol.
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