A Argentina e os Estados Unidos estão consolidando ainda mais sua sólida parceria de mais de dois séculos, baseada em interesses compartilhados e no compromisso com a segurança da região, com iniciativas recentes que sinalizam uma cooperação mais forte em defesa e segurança.
Mais recentemente, o Comando Conjunto de Operações Especiais da Argentina e o Comando de Operações Especiais do Sul dos EUA (SOCSOUTH) realizaram suas primeiras conversações bilaterais sobre Forças de Operações Especiais (SOF Talks), com o objetivo de fortalecer a cooperação e estabelecer uma visão de longo prazo para a colaboração de treinamento entre as duas forças. Da mesma forma, as Forças Armadas Argentinas comemoraram a incorporação de sua primeira aeronave de combate F-16, adquirida com o apoio dos EUA, marcando um passo significativo na modernização de suas capacidades aéreas.
“A Argentina tem uma oportunidade histórica para redefinir seu papel no cenário global. Uma aliança estratégica com os Estados Unidos pode não apenas modernizar nossas capacidades militares e tecnológicas, mas também mudar a percepção internacional de nosso país”, disse à Diálogo Roberto Lafforgue, diplomata de carreira e ex-oficial da Marinha Argentina.
SOF Talks

Em meados de março, o Comando Conjunto de Operações Especiais da Argentina e o SOCSOUTH abriram o caminho para uma colaboração mais sólida com as primeiras conversações de forças de operações especiais. O fórum estratégico tem como objetivo elevar o nível de preparação militar e fortalecer a segurança regional por meio de exercícios combinados, intercâmbio de conhecimentos entre as forças especiais e a adoção de procedimentos operacionais comuns. As SOF Talks culminaram com a assinatura de um memorando de entendimento, com as assinaturas do General de Brigada Cristian Pablo Pafundi, do Exército Argentino, comandante operacional do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas Argentinas, e do Contra-Almirante Mark Schafer, da Marinha dos EUA, comandante do SOCSOUTH, formalizando o treinamento de longo prazo das tropas das forças especiais argentinas.
O Comando Conjunto de Operações Especiais da Argentina, criado em 2018, é uma estrutura relativamente jovem que vem fortalecendo as capacidades e os recursos para os complexos desafios no campo de operações especiais. A colaboração é um passo decisivo para melhorar a interoperabilidade e a capacidade das forças para enfrentar ameaças comuns.
Entre os exercícios planejados, como parte da cooperação, está o Atlantic Dagger, previsto para fevereiro de 2026, na região da Patagônia argentina. Embora ainda esteja em fase de planejamento, o exercício, que será realizado em lugares como Tierra del Fuego, Santa Cruz e Islas de los Estados, conhecidos por suas condições climáticas e de terreno extremas, está gerando grande expectativa e envolverá operações simultâneas em cenários altamente exigentes. Esse treinamento seguirá a mesma logística das manobras realizadas pelas Forças Especiais dos EUA no Alasca, caracterizadas por terrenos gelados e acidentados. Além disso, o exercício representará uma oportunidade fundamental para a Argentina fortalecer sua preparação para possíveis desafios no Estreito de Magalhães, uma passagem estratégica que a conecta à região antártica.
Nova aeronave
Em um marco significativo para a Argentina e sua jornada transformadora para aprimorar suas Forças Armadas, a Força Aérea Argentina (FAA) apresentou com grande alarde seu primeiro Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon, durante uma cerimônia no final de fevereiro na 6ª Brigada Aérea em Tandil, Buenos Aires. De acordo com a publicação de defesa Janes, os 24 F-16 adicionais serão transferidos para a Argentina a partir de dezembro de 2025.

“Uma das melhores aeronaves do mundo agora faz parte da frota [da FAA] para fortalecer a defesa de nossa soberania em todo o território”, disse o Ministério da Defesa da Argentina. “Estamos recuperando a capacidade supersônica, projetando nossas Forças Armadas em direção a uma nova era.”
Em abril de 2024, a Argentina assinou um acordo para comprar 24 F-16 fabricados nos EUA, da Dinamarca, um acordo de US$ 300 milhões, apoiado por US$ 40 milhões em Financiamento Militar Estrangeiro dos EUA, o primeiro financiamento desse tipo para a Argentina desde 2003. O acordo é uma das várias aquisições de aeronaves fabricadas nos EUA que a Argentina buscou recentemente, incluindo um acordo com a Noruega para a compra de quatro Lockheed P-3 Orion, para aumentar a patrulha e a vigilância marítima, e um acordo proposto com os Estados Unidos para a compra de uma aeronave Basler BT-67, para operações de lançamento e transporte aéreo para atender à Antártica. Em abril de 2024, o governo dos EUA transferiu uma aeronave de transporte C-130H Hercules para a FAA, avaliada em cerca de US$ 30 milhões, como parte de uma doação de assistência à segurança financiada pelos EUA.
Segurança cibernética
A Argentina e os Estados Unidos também fizeram progressos em uma agenda importante para o Ministério da Defesa, promovendo a cooperação em defesa cibernética. No final de março de 2024, o ministro da Defesa da Argentina, Luis Petri, e o então embaixador dos EUA na Argentina, Marc Stanley, assinaram um acordo de cooperação em segurança cibernética. Como parte desse acordo de apoio mútuo, os membros das Forças Armadas da Argentina e seus homólogos dos EUA planejaram aumentar a capacitação e os exercícios, bem como o apoio tecnológico nessa área.
“Assinamos um memorando de defesa cibernética com os Estados Unidos. Demos um passo fundamental para fortalecer nossa defesa cibernética, graças à colaboração e ao apoio tecnológico dos EUA, parceiro estratégico da Argentina. Essa assinatura reflete a estreita relação entre nossos países e demonstra o compromisso compartilhado de trabalhar juntos”, escreveu o ministro Petri em sua conta no X.
Para Lafforgue, o aprofundamento da aliança estratégica é uma notícia animadora. “A realização de operações conjuntas no Atlântico Sul, o desenvolvimento de projetos antárticos conjuntos e o fortalecimento da segurança cibernética são passos fundamentais para enfrentar as ameaças atuais do crime organizado, do tráfico de drogas e dos riscos de aproximação com potências que não compartilham nossos valores democráticos”, concluiu.


