Em uma medida para proteger a segurança nacional, a Alemanha ordenou que suas operadoras de telefonia móvel removessem todos os componentes chineses, incluindo os fabricados pelas empresas de telecomunicações chinesas Huawei e ZTE, de suas redes 5G nacionais.
A decisão tem o objetivo de proteger as infraestruturas críticas da Alemanha em relação à China, que é considerada um risco à segurança.
As equipes da Huawei e ZTE, entre outras empresas chinesas de telecomunicações, há muito tempo enfrentam acusações de que poderiam se envolver em espionagem, explorar vulnerabilidades da rede para inserir malware e vírus e, de outra forma, comprometer as redes de comunicações críticas.
“As redes 5G são ferramentas duplas que servem para facilitar as comunicações, mas, ao mesmo tempo, são usadas como mecanismos de inteligência pela China”, disse à Diálogo, em 21 de agosto, Luis Somoza, especialista argentino em defesa e relações internacionais. “Aceitar esse tipo de tecnologia de empresas chinesas na Europa ou na América Latina é estar sob o escrutínio do Partido Popular Chinês.”
Os componentes procedentes de empresas chinesas serão excluídos das redes 5G até o final de 2026 e deverão ser completamente substituídos até 2029, no máximo, informou o Ministério do Interior alemão, em julho.
“Estamos protegendo os sistemas nervosos centrais da Alemanha como um lugar de negócios e estamos protegendo a comunicação dos cidadãos, das empresas e do Estado”, declarou a ministra do Interior, Nancy Faeser.
Em 2022, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, alertou os países ocidentais a não “trocarem a segurança por benefícios econômicos”, referindo-se às discussões sobre o uso da tecnologia 5G chinesa, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, informou Reuters. “Devemos reconhecer que nossas decisões econômicas têm consequências para nossa segurança. A liberdade é mais importante do que o livre comércio e a proteção de nossos valores é mais importante do que o benefício”, declarou Stoltenberg.
Os fabricantes nórdicos de eletrônicos Ericsson e Nokia, fornecedores que representam as únicas grandes alternativas 5G para equipamentos de rede, destacaram em várias ocasiões o risco e a presença contínua da Huawei em algumas das maiores economias da Europa.
“A OTAN foi colocada em alerta máximo pela crescente influência da China e suas políticas internacionais sobre questões de telecomunicações relacionadas à espionagem e à defesa”, acrescentou Somoza. “Há um sério perigo de criar riscos e vulnerabilidades à segurança nacional, já que existem relatórios de inteligência ocidentais que confirmam que a China está aproveitando-se dos equipamentos de rede fornecidos por suas empresas para usar as informações em seu benefício”, acrescentou.
Em junho de 2023, a Comissão da União Europeia (UE) considerou em um comunicado como “justificadas” as medidas já tomadas por vários países do bloco para restringir ou excluir as empresas chinesas da instalação de redes 5G em internet de alta velocidade, ressaltou o jornal argentino Ámbito.
“Com base em uma ampla gama de informações disponíveis, a Comissão Europeia considera que a Huawei e a ZTE de fato representam riscos materialmente mais altos do que outros provedores de 5G”, acrescentou a UE.
Carlos Augusto Chacón, diretor executivo do Instituto de Ciência Política Hernán Echavarría Olózaga, da Colômbia, advertiu no jornal argentino La Nación que, “de acordo com sua legislação, as empresas de tecnologia da República Popular ligadas a 5G estão sob o controle diário do serviço de inteligência chinês”.
A desconfiança em relação às redes oferecidas pelas empresas chinesas cresceu nos últimos anos, já que, por exemplo, em 2019, o Serviço Geral de Inteligência e Segurança da Holanda aconselhou o governo a não usar essa tecnologia, depois de descobrir tentativas chinesas e russas de espionagem digital, indicou Voz da América.
“É fundamental reconhecer que a implementação da tecnologia 5G chinesa, apenas por razões associadas ao baixo custo ou ao lobby corporativo, produz, a médio e longo prazo, impactos negativos em áreas sensíveis, como segurança cibernética, sistemas de defesa antiaéreos e infraestruturas estratégicas”, concluiu Somoza.


