Com mais de três décadas de serviço proeminente, o General de Brigada Roosevelt Hernández Aguilar, do Exército de Honduras, é chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras. Durante sua extensa carreira, marcada pela participação em missões nacionais e internacionais de grande importância, que vão desde funções de observador das Nações Unidas no Saara Ocidental, até operações de ajuda humanitária e combate ao crime, ele desempenhou funções fundamentais, entre elas a de comandante da Polícia Militar, onde implementou programas de projeção social para jovens em situação de risco, e a de comandante do Exército.
Diálogo teve a oportunidade de conversar com o Gen Bda Hernández, que falou sobre as principais prioridades e os avanços na luta de Honduras contra as organizações criminosas transnacionais. Destacou a mobilidade como uma prioridade fundamental, abordou a colaboração com o Comando Sul dos Estados Unidos e o papel dos novos helicópteros Airbus H145 na proteção do meio ambiente, entre outros temas.
Diálogo: Quais são suas prioridades este ano, na luta contra as organizações criminosas transnacionais?
General de Brigada Roosevelt Hernández, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de Honduras: Há muitas prioridades, mas a mobilidade é uma delas. Ela nos permite cobrir uma área territorial maior, exercer a soberania e enfrentar crimes, como o narcotráfico, a destruição do nosso meio ambiente ou o trânsito irregular de migrantes. Isso permite que nossas tropas estejam onde devem estar, pois nossa presença é dissuasiva.
Honduras é um país muito montanhoso, por isso equipamos nossas tropas com caminhões e veículos pick-up de cabine dupla, bem como motocicletas para grupos de 10 soldados. Adaptamos isso, tanto para o combate ao narcotráfico, quanto para a proteção do meio ambiente, por meio de nossos três batalhões de proteção ambiental. Isso garante a máxima cobertura, sem sacrificar o princípio da massa. Antes, as operações eram feitas a pé. A mobilidade tem sido uma prioridade e tem dado resultados, juntamente com nossos esforços de investigação e desenvolvimento.
Desenvolvemos capacidades que estamos implementando. Contamos com nossa própria ração militar, o que dá às nossas tropas uma maior autonomia e lhes permite operar durante mais tempo, sem a necessidade de levar utensílios de cozinha. Essa independência facilita as operações e certos princípios da guerra, como manter o elemento surpresa.
Atualmente, estamos em fase de testes na construção de um radar. Estamos nisso há um ano e esperamos tê-lo pronto em breve. Tem sido importante e acreditamos que fortalecerá significativamente as capacidades de combate ao narcotráfico.
A mobilidade continua sendo fundamental, especialmente devido ao território que temos. Contamos com destacamentos costeiros, para impedir a entrada de drogas pelo mar, equipados com motocicletas para patrulhar as praias. Isso dissuade o narcotráfico nas cidades costeiras, nas quais antes não tinham presença. No ano passado [2024], por meio da Unidade Marítima Especial da Marinha, com apoio dos Estados Unidos e do nosso Ministério Público, foram apreendidas mais de 20 toneladas de drogas no Mar do Caribe. Também detectamos e erradicamos plantações de coca em nosso país, o que é algo novo. Nossa maior mobilidade, alcançada ao equipar as tropas para cobrir áreas mais extensas do território, facilita essa luta contínua contra o narcotráfico. Da mesma forma, o uso de drones nos ajuda a encontrar essas plantações.
Diálogo: Em janeiro, o governo dos EUA designou várias gangues criminosas e cartéis, incluindo a Mara Salvatrucha, ou MS13, como organizações terroristas estrangeiras. Como essa designação afeta o trabalho das Forças Armadas de Honduras e como pode apoiar na luta regional contra as gangues criminosas transnacionais?
Gen Bda Hernández: Considero que foi uma boa decisão tomada pelo governo dos EUA, por meio do presidente Trump. Isso nos apoia, ao produzir um efeito dominó, oferecendo uma boa oportunidade para neutralizar e erradicar esse mal social. Essas gangues são exploradas por estruturas criminosas como o narcotráfico, servindo como exércitos paralelos.
Esperamos que isso motive outros países a fazer designações semelhantes em suas legislaturas. Honduras já havia considerado isso antes, mas não foi possível. Esperamos que a liderança do presidente Trump incentive outros países, facilitando o trabalho de instituições como as Forças Armadas, a Polícia Nacional e o Ministério Público.
Diálogo: Em fevereiro, Honduras inaugurou o Centro de Treinamento de Tropas (CAT) Especializadas em Selva e Operações Noturnas, localizado em Francisco Morazán. Qual é a importância desse centro de treinamento para o corpo de elite das Forças Armadas de Honduras, a unidade TESON?
Gen Bda Hernández: O curso de tropas especializadas em selvas e operações noturnas TESON foi criado originalmente com os Estados Unidos durante a Guerra Fria, para poder deter o avanço do comunismo e dos grupos guerrilheiros em Honduras. Esse curso de contraguerrilha ajudou a neutralizar o crescimento dessas células. O TESON permaneceu como curso até 2024, quando decidimos criar o CAT, um centro de treinamento TESON permanente. Anteriormente, os cursos eram temporários, com instrutores rotativos, o que levava a uma falta de uniformidade nos conhecimentos e até mesmo em acidentes. Hoje, os cursos são orientados para o combate ao narcotráfico e se adaptam dinamicamente às necessidades atuais. Mantemos a pressão do curso, para garantir a eficácia em situações bastante difíceis. A ideia é alcançar essa profissionalização. Contamos com um diretor e uma equipe de instrutores TESON dedicados e permanentes. Eles também treinam tropas de diferentes unidades no centro, onde fazem um curso semelhante ao TESON, em nível de tropas. E quando o curso TESON é ministrado, eles já têm a expertise, a experiência e a permanência que acreditamos que gerarão confiança em nível internacional com os diferentes países da América Central.
Diálogo: Que tipos de intercâmbios os membros da unidade TESON realizam com a Força-Tarefa Conjunta Bravo do Comando Sul dos EUA, com sede em Soto Cano?
Gen Bda Hernández: Todos os oficiais têm contato facilmente com os membros da Força-Tarefa Conjunta Bravo. Neste momento, por exemplo, a Força Aérea está lá perto, e o comandante da Força-Tarefa Conjunta Bravo, o Coronel Daniel Alder, propôs a criação de um centro de operações com gestão de crises para incêndios florestais, desastres naturais e combate ao narcotráfico, particularmente no escudo terrestre da Mosquitia.
Diálogo: No início de janeiro, a Força Aérea Hondurenha recebeu dois helicópteros Airbus H145, para apoiar os batalhões de proteção ambiental, que lutam contra o narcotráfico e protegem as reservas florestais. Quais são os avanços na luta contra o narcotráfico e crimes ambientais relacionados?
Gen Bda Hernández: Os helicópteros passaram pelo período de treinamento e atualmente estão apoiando os batalhões de proteção ambiental, que estão sob o Comando de Proteção Florestal (C-9). Eles coordenam a extinção de incêndios do ar, com a técnica de Bambi Bucket, com até 30 descargas de água por incêndio. As operações terrestres também têm dado resultados.
Felizmente, este ano, em Honduras, o verão não foi tão forte como no ano passado. Graças ao Comando Florestal e aos seus três batalhões de proteção ambiental, temos muitas áreas protegidas. Eles fazem incursões de reconhecimento por terra e por ar. Se houver assentamentos humanos ilegais, coordenam com o Ministério Público, para emitir avisos de despejo. Se eles não cumprem, são despejados à força e os bens que estão lá são destruídos. Descobrimos que esse desmatamento, que eles alegam ser para a criação de gado ou para a expansão da agricultura, às vezes, em alguns setores, é também para criar plantações de folhas de coca. Consideramos que nosso esforço tem dado resultado. Em 2024, sofremos com uma camada de fumaça permanente por quase dois meses. Este ano, graças a Deus, o clima tem sido definitivamente mais favorável.
Diálogo: Quais atividades, compromissos e exercícios as Forças Armadas de Honduras planejam para este ano com seus homólogos norte-americanos e, mais particularmente, com o Comando Sul dos EUA?
Gen Bda Hernández: Participaremos das Forças Comando que serão realizadas em El Salvador. Recentemente, adquirimos e recebemos alguns armamentos e estamos preparando-nos para essa atividade, com o objetivo de manter essa conexão com o Exército dos EUA. Da mesma forma, estamos preparando-nos para participar do exercício CENTAM Guardian 2026. Temos reuniões de trabalho e exercícios contínuos com a Força-Tarefa Conjunta Bravo, para prevenir incêndios florestais. Também estamos preparando-nos para sediar o CENTAM Guardian 2027. Os Estados Unidos estão muito dispostos a abrir diferentes cursos, o que nos ajuda a manter conexões ativas nos níveis de oficiais e suboficiais e também nos facilita obter conhecimento da doutrina dos Estados Unidos.


