Feira Aeronáutica ultrapassa alturas

Air Show Transcends All Heights

Por Geraldine Cook/Diálogo
agosto 04, 2017

Um céu azul brilhante foi o cenário que recebeu os 60.000 visitantes nacionais e internacionais que assistiram à oitava edição da Feira Aeronáutica Internacional F-AIR Colômbia 2017 durante quatro dias. A oitava versão da feira, realizada de 13 a 16 de julho no Aeroporto José Maria Córdova de Rionegro, na região de Antioquia, mostrou o potencial aeronáutico civil e militar da Força Aérea da Colômbia (FAC) e apresentou várias atrações aos seus visitantes. Aviões militares de asa fixa e rotativa de abastecimento, combate, treinamento e transporte, além de radares, drones, satélites, equipes de apoio logístico em terra, medicina aeroespacial e nova tecnologia aeroespacial fizeram parte do evento aeronáutico. A feira, que é realizada a cada dois anos, mostrou 16 espetáculos das forças aéreas da Colômbia, dos Estados Unidos e do Brasil. “Esta feira nasceu no âmago da FAC há 10 anos”, disse o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Carlos Eduardo Bueno Vargas, comandante da FAC. “Era uma iniciativa apenas para apresentar um show de capacidades institucionais na Base Aérea de Rionegro, Comando Aéreo de Combate Nº 5, mas vimos que ano após ano estava ficando cada vez mais forte.” Esse posicionamento cresceu e permitiu a consolidação de uma feira onde, além de mostrar as capacidades aéreas, mostram-se os sistemas e as inovações tecnológicas, além de conseguir consolidar uma vitrine de negócios do setor aeronáutico colombiano que contribui para o desenvolvimento do país. A feira foi liderada pela FAC e pela Aeronáutica Civil. O Centro Internacional de Negócios e Exposições de Bogotá, conhecido como Corferias, coordenou a logística da qual participaram mais de 90 expositores do Canadá, Chile, da Colômbia, Espanha, dos Estados Unidos e de Israel, além de 22 delegações da Argentina, Itália, do Brasil, da Espanha, do Canadá, Chile, da Costa Rica, dos Estados Unidos, da Guatemala, de Honduras, do México e da Colômbia. A feira lançou expectativas de negócios no valor de US$ 71 milhões. “Estamos nos posicionando como uma das feiras aeronáuticas mais importantes da região”, disse o Coronel da FAC Édgar Francisco Sánchez Canosa, subdiretor geral da Aeronáutica Civil e diretor da F-AIR Colômbia 2017. “Há empresas que vêm de todos os continentes. A feira mundial chamou a atenção daqueles países que têm interesse em investir na Colômbia.” Além dos espetáculos aéreos, a feira teve conferências especializadas apresentadas por especialistas internacionais em temas como a capacidade satelital, a aviação civil e militar e perspectivas do setor aeronáutico mundial, entre outros. Redes internacionais “Esta feira aérea é incrível porque atrai pessoas de toda a região, como a equipe de demonstração de voo do Brasil, e também mostra nossas capacidades e dá à FAC a oportunidade de demonstrar sua capacidade ao seu próprio povo”, disse à Diálogo o Major-Brigadeiro da Força Aérea dos EUA Mark D. Kelly, comandante do 12.º Comando de Combate Aéreo/Forças Aéreas Sul, durante a feira. O Maj Brig Kelly disse que a F-AIR Colômbia 2017 é muito importante porque reúne parceiros e executivos de negócios da indústria aeronáutica, comandantes de aviação de diferentes países e seu pessoal e oferece oportunidades de diálogo sobre temas comuns aos países da região, como a segurança. “Muitas coisas positivas acontecem nessa feira aérea. Há muito mais além das demonstrações da feira”, acrescentou. “A grande qualidade da FAC é que são 15.000 participantes. Realmente, eles se esforçam para que sejam apenas 15.000 membros”, ressaltou. “Sempre me surpreendem suas capacidades como pilotos, seu profissionalismo e sua capacidade de execução; eles trabalham como se fossem 150.000 participantes.” “Ter aqui as forças aéreas do Brasil e dos Estados Unidos é comprovar nossa amizade e irmandade”, disse à Diálogo o Ten Brig Bueno. “A Força Aérea dos Estados Unidos foi fundamental para nós na luta pela democracia e na derrota das organizações terroristas e ilegais por sua capacidade, inteligência e pelo treinamento que deram aos nossos pilotos e técnicos, inclusive por sua liderança militar.” Por sua parte, a Força Aérea dos Estados Unidos expôs diversas aeronaves, incluindo os aviões de combate F-16, o KC-10 e o KC-135. A Equipe de Demonstração Viper East, da equipe de combate, mostrou suas habilidades. “É uma grande experiência poder me encontrar com pilotos da Colômbia e dos Estados Unidos”, disse o Major da Força Aérea Brasileira Daniel Garcia Pereira, piloto do A29 Super Tucano, integrante da esquadrilha de demonstração aérea “Esquadrilha da Fumaça”. “Como piloto, é muito importante para minha carreira”, disse o Maj Garcia ao descer de seu avião depois de terminar as acrobacias do show aéreo brasileiro. O Brasil utiliza seus aviões de ataque ligeiro A-29 Super Tucano para tarefas de contra-insurgência e para treinar seus pilotos. “Estamos muito orgulhosos por representar nosso país. É muito especial estar aqui para mostrar aos colombianos, que nos ajudaram tantas vezes, o que temos”, disse o Maj Garcia. A esquadrilha apresentou espetáculos diários de 35 minutos de duração, com aproximadamente 50 acrobacias cada um, e se despediu com uma mensagem gravada no céu com a fumaça dos aviões: “Obrigado, Colômbia”. O Tenente-Coronel da Força Aérea dos Estados Unidos Jeffrey Beckham, piloto do A16, da 169.ª Asa de Combate da Guarda Nacional Aérea da Carolina do Sul, também ressaltou a importância de participar da feira aeronáutica. “Estamos aqui porque é importante incentivar nossa amizade com a Colômbia”, disse. A Guarda Nacional da Carolina do Sul é o parçeiro da Colômbia por meio do programa de aliança estatal da Guarda Nacional dos Estados Unidos. “A FAC vem se desenvolvendo muito nos últimos anos. Estamos trabalhando cada vez mais com eles. Trata-se de uma força aérea muito profissional e muito avançada. É importante trabalhar mais detalhadamente e diariamente com eles e realizar exercícios juntos.” Orgulho nacional A Colômbia mostrou seu potencial aéreo durante a revista militar. A FAC mostrou um avião-tanque, aviões Kfir e helicópteros. Um dos espetáculos mais aplaudidos foi o dos paraquedistas, quando realizaram operações de resgate e incluíram seus cães paraquedistas. O 1º Tenente da FAC John Alexander Ganes Sánchez, piloto do avião de combate Dragon Fly A37, foi um dos pilotos durante a demonstração aérea colombiana. “Esta feira é uma oportunidade para que os colombianos cresçam na cultura aeronáutica. Esta experiência é muito importante porque estamos mostrando a capacidade de nossos aviões”, disse ao concluir sua apresentação acrobática. Após quatro dias de feira e centenas de visitantes, a feira terminou com sucesso. “A FAC é uma força aérea amiga, aliada, que tem uma importante capacidade aérea de resposta a vários níveis de ameaças, além de ter muito conhecimento para compartilhar”, disse o Ten Brig Bueno. “Temos conhecimentos que adquirimos em uma luta que não foi fácil. Hoje, graças a Deus, com este processo de paz estamos vendo a luz no final do túnel. A FAC foi decisiva para isso. Hoje temos muito o que ensinar e compartilhar e temos muitas coisas para aprender com nossos irmãos vizinhos que têm forças aéreas muito importantes.”
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