Forças aéreas unidas ante os desastres naturais

Air Forces United against Natural Disasters

Por Geraldine Cook/Diálogo
novembro 27, 2017

“Todas as nossas nações enfrentam diferentes desafios como inundações, incêndios, terremotos etc. e, quase sempre, esses desafios vêm com muito pouca advertência”, disse o Major-Brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos Mark D. Kelly, comandante do 12.ª Força Aérea /Forças Aéreas Sul (AFSOUTH, por sua sigla em inglês), aos mais de 50 participantes da Conferência de Chefes das Forças Aéreas Sul-Americanas 2017, realizada de 30 de outubro a 2 de novembro de 2017. “Em muitos casos, a única maneira de chegar às vítimas é pelas forças aéreas.”

“Se não falarmos desses desafios e de como podemos ajudar-nos uns aos outros e como cada nação pode ajudar-se a si mesma por meio de melhores práticas, nunca poderemos resolver essa situação”, acrescentou durante a inauguração do evento de que foi anfitrião, na Base Aérea Davis-Monthan, em Tucson, Arizona. O Maj Brig Kelly recebeu os comandantes e representantes das forças aéreas da Argentina, do Brasil, da Colômbia, do Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e dos Estados Unidos, bem como a delegação americana do Programa de Associação Estatal da Guarda Nacional Aérea dos EUA e do Comando Sul dos EUA.

A conferência é um evento anual que permite às forças aéreas discutir temas de interesse regional de maneira conjunta. Em sua versão 2017, analisaram o papel das forças aéreas na atenção a desastres naturais, trocaram experiências e traçaram o caminho para coordenar os esforços de ajuda humanitária.

“Por tantos fenômenos climáticos e meteorológicos, houve um incremento no número dos diversos tipos de desastres naturais, que ameaçam a integridade e a vida dos cidadãos. Isso nos leva a unir capacidades técnicas e humanas para que possamos atuar de uma maneira oportuna e organizada”, disse o Brigadeiro da Força Aérea da Colômbia Rodrigo Alejandro Valencia Guevara, chefe de Operações Aéreas. “Esta conferência nos permite fortalecer os laços de amizade entre os distintos comandantes e desse modo seguir padronizando todos os procedimentos e protocolos, especialmente para a atuação em casos de desastres naturais.”

Assistência a desastres naturais

Durante o evento, cada representante apresentou as capacidades de sua força aérea, enquanto examinaram, de forma conjunta, diversas estratégias de cooperação para estarem melhor preparados na assistência a desastres naturais. Uma das principais associações estratégicas entre as forças aéreas do hemisfério ocidental é o Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), uma organização apolítica de voluntários dedicada a promover a cooperação, a unidade e a interoperabilidade entre as forças aéreas do hemisfério ocidental.

“Assim que ocorreu o terremoto do Equador [abril de 2016], uma de nossas alternativas foi solicitar ajuda ao SICOFAA e a resposta foi imediata”, disse o Brigadeiro Patrício Mora Escobar, comandante geral da Força Aérea do Equador, que aproveitou a oportunidade para expressar o agradecimento do Equador pela assistência recebida durante a catástrofe. “Esta conferência é importante para poder apresentar nossa experiência, já que justamente podemos analisar como melhorar as coordenações para atuar em casos de desastres.”

Seu homólogo da Força Aérea da Argentina concordou. “O SICOFAA, que já tem vários anos e é integrado por muitos países, hoje em dia está oferecendo uma ferramenta muito valiosa..., [o] exercício anual Cooperación, que já tem quatro versões. O exercício Cooperación IV foi realizado na Argentina em 2016”, disse o Major-Brigadeiro Oscar Charadía, comandante de Adestramento e Alistamento da Força Aérea da Argentina. Em sua apresentação, o Maj Brig Charadía falou da ajuda humanitária oferecida ao Peru, em março de 2017, por causa do fenômeno climático El Niño Costero, cujos danos afetaram centenas de peruanos. Tarefas de abastecimento aéreo, traslado de pessoal em estado de evacuação e mais de 59 horas de voo fizeram parte da ajuda.

“Fazemos muito bem nossa coordenação para o atendimento a desastres e a assistência humanitária”, disse o Coronel da Força Aérea dos EUA Anthony Cook, secretário geral do SICOFAA. “Talvez haja novas formas de utilizar nosso senso de união para fazer coisas boas por nossos países e nossas forças aéreas.”

Melhorar capacidades aéreas

“Nessa conferência, há muito boa interação. Nela aprendemos sobre as capacidades de todas as forças aéreas e como se integram ao SIFOCAA para os trabalhos de ajuda humanitária”, disse o Major da Força Aérea dos EUA Jaime E. Zambrano, diretor do Programa de Associação Estatal da Guarda Nacional Aérea de Connecticut, cujo parceiro estatal é o Uruguai. “É bom participar desse tipo de conversações, porque nos informa com mais detalhes sobre os recursos que o Uruguai possui. No caso de emergência, estaremos informados de suas capacidades e de como podemos nos apoiar mutuamente em qualquer aspecto de ajuda humanitária”, disse o Maj Zambrano.

Para os comandantes das forças aéreas, o trabalho em equipe é uma tarefa fundamental na assistência a desastres naturais. “Temos que nos comunicar cada vez melhor com a determinação de manter a clareza em uma situação de catástrofe e poder atuar de uma forma muito mais rápida”, disse o Brig Valencia. “Aprendemos lições e podemos melhorar tanto desde o ponto de vista de procedimentos, como das técnicas e táticas, com a determinação de ser mais efetivos. Todos os países estão comprometidos e abertos a melhorar para atuar de uma maneira oportuna quando for necessário.”

Os chefes das forças aéreas expressaram seu apoio para continuar unidos e seguir avançando na capacitação da assistência a desastres naturais. “Nenhuma nação tem todas as soluções. É necessário que as nações parceiras, os vizinhos, se unam. É como um acordo de segurança coletiva, onde todos os países oferecem sua contribuição (bombeiros, transporte aéreo etc.); ninguém arca com tudo, mas coletivamente todos contribuem para a solução”, concluiu o Maj Brig Kelly.
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