Almirante-de-Esquadra Tidd renova compromisso com Colômbia

Admiral Tidd Renews U.S. Commitment to Colombia

Por Yolima Dussán/Diálogo
março 26, 2018

O Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA, Kurt W. Tidd, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), ratificou o apoio à Colômbia na luta contra o crime organizado e no processo de consolidação da paz, em uma visita ao país em 9 e 10 de fevereiro. O Alte Esq Tidd teve diversas reuniões com a cúpula das Forças Armadas da Colômbia, lideradas pelo Comando Geral das Forças Militares, pela Polícia Nacional e pelo Ministério da Defesa.

“Nossas forças armadas trabalham juntas há décadas”, disse o Alte Esq Tidd na coletiva de imprensa. “Continuamos participando da assistência dos EUA ao povo da Colômbia, enquanto a nação aproveita as oportunidades decorrentes do pós-acordo.”

O presidente da república Juan Manuel Santos e o ministro da Defesa Luis Carlos Villegas reuniram-se em Bogotá com a delegação do SOUTHCOM. O General-de-Exército (R) da Polícia Nacional da Colômbia Oscar Naranjo, vice-presidente da Colômbia, e o General-de-Exército do Exército Nacional da Colômbia Alberto José Mejía, comandante das Forças Militares, viajaram com a delegação à comunidade de Tumaco, onde foram realizadas assembleias de cooperação.

Campanha Atlas

Durante sua visita, o Alte Esq Tidd renovou sua confiança na Campanha Atlas, operação ativada em outubro de 2017 na zona de Tumaco, departamento de Nariño, ao sul do país. A operação busca neutralizar o crescimento das ameaças do crime organizado e bloquear a saída de drogas das costas do Pacífico.

A campanha militar foi batizada de Atlas em referência ao titã da mitologia grega que carrega sobre seus ombros nosso planeta. A Campanha Atlas carrega em seus ombros o departamento de Nariño, para ajudá-lo a se libertar de todas as ameaças do crime organizado. A responsabilidade da operação corresponde à Força-Tarefa Conjunta Hércules.

Um total de 9.800 homens das Forças Armadas formam a Campanha Atlas. Entre outros enfoques, eles têm a responsabilidade de levar os serviços do Estado a todas as comunidades priorizadas, ativar operações militares para lutar contra o narcotráfico, estabilizar a fronteira com o Equador, combater as dissidências e organizações criminosas como o Clã do Golfo, lutar contra a corrupção e o microtráfico e proteger a infraestrutura energética.

Apoio firme

Tumaco é uma comunidade afetada por várias ameaças. É um porto utilizado pelos delinquentes para receber toneladas de drogas. Em 2016, foram apreendidas cerca de 420 toneladas de cocaína no porto. O Alte Esq Tidd e o vice-presidente Naranjo concordaram que a luta pela estabilização da área deve consistir em uma intervenção integral no território, que inclua segurança e um componente social.

“É necessário manter o nível de cooperação, avançar com uma visão integral sobre Tumaco, sobre o Pacífico Sul colombiano, onde deve haver oferta e operações fortalecidas de segurança e justiça”, expressou o vice-presidente Naranjo em uma entrevista coletiva. “O governo está comprometido com o esforço integral, militar, policial, judicial e de desenvolvimento social, para que nossos concidadãos na região tenham acesso a bens e serviços e possam exercer com plenitude os seus direitos.”

Operações com o México

“Quero ressaltar o esforço das Forças Armadas da Colômbia em seu trabalho conjunto com a Marinha do México, porque conseguiram coordenar suas atividades, suas operações”, reafirmou o Alte Esq Tidd. “Esperamos trabalhar junto com eles, porque este não é um esforço de um só país, mas de todos.”

Na zona de Tumaco e nas águas do Pacífico, são realizadas operações combinadas entre as forças dos EUA, da Colômbia e do México. As autoridades colombianas, em estreita colaboração com o México, identificaram na zona a presença de organizações criminosas mexicanas, razão pela qual houve um aumento das operações entre as três nações parceiras.

“Nesta região, é feito um trabalho coordenado contra o crime organizado e há metas previstas de erradicação forçosa contra focos cocaleiros e de substituição de cultivos”, acrescentou o vice-presidente Naranjo. “Por outro lado, existe a necessidade de manter as tarefas de interdição onde, apesar de ter alcançado um alto recorde como em 2016, são necessários maiores esforços.”

Tumaco, zona nevrálgica

Tumaco, com cerca de 200.000 habitantes, é considerado o santuário cocaleiro do país. Como uma das zonas mais atacadas pelo conflito interno, foi lá que o governo colombiano e a guerrilha das FARC firmaram o acordo final de cessar fogo bilateral em novembro de 2017. Segundo o informe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – Monitoramento de territórios afetados por cultivos ilícitos 2016 –, Tumaco produz a maior quantidade de cocaína no país. Conta com 16.900 hectares de plantações ilegais, o que equivale a 18 por cento do território semeado de drogas no âmbito nacional, estimado em 146.000 hectares.

As autoridades trabalham em um programa de substituição de cultivos. Segundo os números da vice-presidência, já são 25.520 famílias vinculadas com acordos coletivos de substituição. Delas, 5.600 têm acordos voluntários e já receberam o primeiro pagamento estabelecido com o governo por pertencer ao programa. Em fevereiro de 2018, estavam em processo de pré-inscrição 6.000 famílias, pois as autoridades abriram uma cota adicional para mais 12.000 famílias.

Mas o processo enfrenta dificuldades ante a impossibilidade de substituir os cultivos em áreas protegidas declaradas que pertencem a comunidades ancestrais. Os habitantes pressionam o governo central para acelerar o programa, solucionar o problema da exploração da terra, cumprir os prazos anunciados e designar pessoal especializado suficiente para substituir os cultivos ilícitos por cacau, banana e coco, produtos escolhidos pelos próprios cidadãos de Nariño.

“Quero destacar nosso compromisso de aprofundar nossa associação de longa data com as Forças Militares colombianas e a Polícia Nacional”, enfatizou o Alte Esq Tidd ao finalizar sua visita. “Apoiamos a segurança e a estabilidade em nosso hemisfério e ao redor do mundo.”
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