A Marinha da Colômbia e a Polícia Nacional desarticularam uma quadrilha do narcotráfico no Caribe

A Marinha da Colômbia e a Polícia Nacional desarticularam uma quadrilha do narcotráfico no Caribe

Por Myriam Ortega/Diálogo
dezembro 11, 2020

Em meados de outubro, através da Operação São Jerônimo, a Marinha da Colômbia e a Polícia Nacional desarticularam uma organização do narcotráfico que detinha o monopólio do transporte de cocaína no estado de La Guajira, na fronteira com a Venezuela, informou a Marinha em um comunicado. Durante várias operações de incursões em residências nos estados de Atlântico, Cundinamarca, César, La Guajira e Magdalena, as forças de ordem detiveram 10 membros da organização conhecida como Valdeblanquez, incluindo seu líder, Reydis Rafael Valdeblanquez Morales, conhecido como Humito.

A Operação São Jerônimo foi realizada após uma investigação de dois anos, onde as forças de ordem estabeleceram a conexão do grupo com as organizações do narcotráfico Los Pachenca e La Silla, para enviar cocaína para o exterior. O Ministério da Defesa da Colômbia emitiu um comunicado informando que o grupo Valdeblanquez comprava cocaína dos guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) na região de Catatumbo, estado de Norte de Santander.

Segundo a Marinha, entre 2018 e 2020, o grupo traficou cerca de 66 toneladas de cloridrato de cocaína, das quais 14,1 toneladas foram apreendidas pela instituição naval. “Conseguimos localizar e determinar em quais embarcações essa atividade seria realizada, interrompendo um total de 17 eventos”, disse em uma entrevista coletiva o Contra-Almirante da Marinha da Colômbia Juan Ricardo Rozo Obregón, comandante da Força Naval do Caribe.

As investigações determinaram que o grupo tinha capacidade de enviar até 6 toneladas de cocaína por mês. A organização narcotraficante recolhia a droga no extremo norte da Colômbia e a transportava a bordo de lanchas rápidas até portos de Aruba, Honduras, Porto Rico e República Dominicana, tendo como destino final os Estados Unidos ou a Europa, afirmou a Marinha.

“A droga chegava a Puerto López, na Alta Guajira, e ali faziam as coordenações usando lanchas. Chegavam até um determinado local no Oceano Atlântico e, posteriormente, carregavam a droga em barcos pesqueiros”, explicou à imprensa o General de Brigada Mariano de la Cruz Botero, comandante da Regional 8 da Polícia Nacional.

Além do líder do grupo, as autoridades capturaram seus principais coordenadores: Rafael Valdeblanquez Jusayu, vulgo El Viejo (pai do líder, conhecido como Humito), e Pablo Emilio Quintero Dodino, vulgo Harold ou Bedoya, ex-líder de uma frente das Autodefesas Unidas da Colômbia, que estava encarregado da segurança e da coordenação com o ELN, informou a Polícia Nacional.

O Gen Bda Botero explicou que os indivíduos conhecidos como Humito e El Viejo pertencem à etnia Wayúu e que o grupo recebia benefícios de uma rede de apoio dos nativos Wayúu. Segundo o Ministério do Interior da Colômbia, o povo indígena Wayúu está situado na península de La Guajira, no norte da Colômbia e noroeste da Venezuela, no estado de Zulia.

Essa foi a primeira operação contra uma organização criminosa envolvendo os indígenas Wayúu e que detinha o monopólio do tráfico de cocaína em La Guajira, explicou a Polícia Nacional.

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