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A Diretoria de Exercícios e Assuntos de Coalizão (J7/9) do Comando Sul fortalece a cooperação internacional e a interoperabilidade entre nações parceiras

A Diretoria de Exercícios e Assuntos de Coalizão (J7/9) do Comando Sul fortalece a cooperação internacional e a interoperabilidade entre nações parceiras

Por Geraldine Cook/Diálogo
junho 07, 2021

A Colômbia e os Estados Unidos têm uma relação de apoio mútuo há décadas, com fortes laços de trabalho em equipe, operações, exercícios e esforços combinados. Essa relação se consolida ainda mais com o General de Brigada do Exército da Colômbia Erik Rodríguez à frente da Diretoria de Exercícios e Assuntos de Coalizão (J7/9) do Comando Sul (SOUTHCOM).

Natural de Bucaramanga, Colômbia, e com 32 anos a serviço de seu país, o Gen Bda Rodríguez comanda o escritório encarregado de fortalecer as alianças, os exercícios, as operações de assuntos civis e as atividades de assistência humanitária.

Diálogo conversou com o oficial de alto posto sobre os desafios de sua posição, a resposta da J7/9 à pandemia da COVID-19 e a importância da cooperação internacional como eixo para enfrentar o crime organizado internacional.

Diálogo: Qual foi o maior desafio para cumprir a missão da J7/9 durante a COVID-19?

General de Brigada do Exército da Colômbia Erik Rodríguez, diretor de Exercícios e Assuntos de Coalizão (J7/9) do SOUTHCOM: O principal desafio foi manter os compromissos, a presença e as atividades de cooperação internacional. Isso apresentou dois desafios a superar. O primeiro está relacionado com a proteção da força, já que o SOUTHCOM deve garantir o cumprimento da agenda e dos compromissos assumidos com as nações parceiras, mas também garantir a segurança dos membros das forças militares e a segurança do próprio país e dos países aliados nos exercícios, bem como nas conferências ou nas atividades de assistência humanitária. Por essa razão, grande parte do esforço foi voltado para mitigar os riscos de contágio da COVID-19 entre os participantes. E o segundo desafio foi que essa pandemia surgiu como um fator que gera um maior estresse na situação de segurança e estabilidade da região. Alguns fenômenos da criminalidade aumentaram. Assim como o narcotráfico, também houve outros fenômenos que afetam a população, como a migração, principalmente na América Central.

Diálogo: Qual é o papel crucial dos esforços multinacionais na segurança regional, especialmente nos esforços contra o crime organizado transnacional?

Gen Bda Rodríguez: Quando uma organização criminosa ultrapassa as fronteiras de nossas nações, e em algumas ocasiões ultrapassa as capacidades das nossas organizações de segurança e das forças militares, a cooperação internacional é imprescindível para poder atacá-la. Para explicar isso, quero fazer referência ao conceito do círculo vicioso que o Almirante de Esquadra [Craig S.] Faller já citou em diversas oportunidades. Há uma grande quantidade de ameaças convergentes em nossa região, e algumas delas são os agentes como as organizações criminosas transnacionais, grupos extremistas violentos e agentes estatais externos à região, que convergem para proteger as atividades [o narcotráfico, o tráfico de armas e/ou de pessoas e os atos terroristas], ou promover seus interesses. No entanto, existem outros fenômenos que se somam a esse círculo vicioso, como os fenômenos de caráter natural, que afetam as condições de segurança, como ocorreu em 2020 com os furacões Eta e Iota, as erupções vulcânicas ou até mesmo a COVID-19. Por isso, a cooperação internacional é fundamental, para que se tenha a capacidade de gerar respostas conjuntas, coordenadas e eficazes para enfrentar a criminalidade e as emergências naturais e humanitárias.

Diálogo: O SOUTHCOM é o primeiro comando de combate que tem um oficial general estrangeiro como diretor da organização. O que isso representa para a Colômbia? Por que é importante incluir a perspectiva de uma nação parceira na J7/9?

Gen Bda Rodríguez: Para meu país, é um passo à frente no fortalecimento de uma relação de segurança entre a Colômbia e os Estados Unidos. Trata-se de uma questão de reciprocidade. Somos parceiros em questões de segurança há muitos anos, e o Estado colombiano pretende não ser apenas receptor de apoio à segurança do nosso país, mas também pretende ser exportador de segurança, contribuir para a segurança. Por um lado, quer retribuir o apoio aos Estados Unidos, mas, por outro lado, pretende também participar para construir um ambiente mais seguro para nossas nações parceiras.

Ter um oficial estrangeiro na J7/9 traz a perspectiva da América Latina para o planejamento e a execução dos programas do SOUTHCOM. E eu aproveito a ocasião para dizer que eu não sou o único no SOUTHCOM, pois temos o Brigadeiro David [Almeida Alcoforado], da Força Aérea do Brasil, como subdiretor de Estratégia, Políticas e Planejamento, bem como oficiais de ligação do Peru, Equador, Argentina, Chile e Colômbia, entre outros, de maneira que entre todos contribuímos para ter um conhecimento mais homogêneo da região.

 

Ter um oficial estrangeiro na J7/9 traz a perspectiva da América Latina para o planejamento e a execução dos programas do SOUTHCOM.

 

Diálogo: O SOUTHCOM realiza cerca de oito exercícios conjuntos/combinados anualmente e um sem número de destacamentos. De que maneira esses exercícios e destacamentos contribuem para fortalecer os laços e fomentar a colaboração entre os Estados Unidos e as nações parceiras da região?

Gen Bda Rodríguez: A resposta às ameaças transnacionais é a cooperação internacional, e esses exercícios são o veículo que cria essa cooperação. Devemos utilizar uma linguagem comum, ter procedimentos similares aos de todas as organizações envolvidas e ter facilidade e fluidez de comunicação, além de conhecer o contexto, o que gera interoperabilidade. Isso permite uma capacidade de resposta, não apenas diante das crises, mas também diante da tarefa de neutralizar as ameaças transnacionais. Os exercícios geram prontidão e capacidade de integrar esforços com facilidade. Da mesma forma, os exercícios facilitam o conhecimento mútuo entre os líderes das forças militares e de segurança da região, o que é imprescindível para criar relações fluidas e capacidade de coordenação interinstitucional.

Diálogo: Um dos programas da J7/9 é a assistência humanitária. Como esse programa contribuiu para apoiar os esforços da região contra a COVID-19?

Gen Bda Rodríguez: O Gabinete de Assistência Humanitária, desde o início da pandemia, vem atuando como uma equipe de resposta do SOUTHCOM, dedicada a identificar os espaços onde se pode colaborar e coordenar com as nações parceiras. Durante a pandemia, foram realizados 513 projetos em 28 países, para apoiar ou fortalecer as capacidades de cada nação parceira para responder à pandemia. Esses projetos tiveram um custo de mais de US$ 72,4 milhões, que se materializaram em equipamentos como hospitais de campanha. Foram doados geradores de oxigênio, respiradores, equipamentos de proteção, e a assistência humanitária durante a pandemia passou a ser uma das prioridades do Comando.

 

Para ver a entrevista completa com o General deBrigada do Exército da Colômbia Erik Rodriguez, diretor de Exercícios eAssuntos de Coalizão do Comando Sul dos EUA, acesse o seguinte link:

https://dialogo-americas.com/pt-br/articles/diretoria-de-exercicios-e-assuntos-de-coalizao-do-southcom-fortalece-a-cooperacao-internacional/

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