Bombeiros da América Central e dos EUA fazem treinamento conjunto em Honduras

Por Dialogo
mayo 26, 2016




Um importante programa de treinamento foi feito na Base Aérea Enrique Soto Cano em Honduras, quando o CENTAM SMOKE (acrônimo em inglês para Exercício de Compartilhamento Mútuo de Experiências e Conhecimentos Operacionais da América Central) reuniu representantes de brigadas de incêndio de sete países centro-americanos para um treinamento conjunto com o Esquadrão 612 da Força Aérea dos EUA (USAF), de 16 a 23 de abril.

O CENTAM SMOKE é um programa bianual que, além de melhorar as operações civis e humanitárias, promove a cooperação regional e melhora as habilidades coletivas entre os bombeiros da Força-Tarefa Conjunta Bravo e da América Central.
Entre os 34 bombeiros participantes do CENTAM SMOKE 2016, estavam quatro de Belize e cinco de cada um dos seguintes países: Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.

“Essas capacitações em âmbito centro-americano aumentam em grande medida o profissionalismo e as técnicas que usamos”, disse o Inspetor Herberth Beckero, coordenador do CENTAM SMOKE, a Diálogo.
“O trabalho das equipes dos EUA e da América Central é importante porque permite nivelar os conhecimentos mútuos sobre primeiros socorros, extração veicular [uma ou mais técnicas usadas para soltar uma vítima presa em metais amassados por colisão de carros] e incêndios em aeronaves e estruturais.”

O CENTAM SMOKE começou em 2002 em âmbito nacional e, em 2009, foi implementado regionalmente na América Central. Hoje é organizado de forma bianual. Desde sua criação, treinou 800 bombeiros hondurenhos e cerca de 700 de outros países centro-americanos.

Preparação árdua


Para o programa CENTAM SMOKE, 17 bombeiros do Esquadrão 612 da USAF na Base Aérea Soto Cano realizaram preparações que incluíram um curso de uma semana Air Advisor para receber os bombeiros da América Central, de acordo com o Inspetor Becker.

Becker explicou que o Air Advisor é um programa intensivo ministrado por três instrutores do Centro Expedicionário da USAF, que ofereceram 35 horas de capacitação aos bombeiros. O programa foi formulado para melhorar os conhecimentos prévios, garantindo o êxito do CENTAM SMOKE, que é realizado em um contexto multicultural e multinacional. Os participantes frequentaram aulas sobre religiões mesoamericanas, divulgação estrangeira, relações públicas, comunicação intercultural e negociações.

Após o encerramento do curso, o CENTAM SMOKE teve início com as equipes da América Central na Base Aérea Soto Cano. Os bombeiros foram informados sobre as regras de segurança da instalação e tiveram o equipamento pessoal revisado.

“Se não contarem com equipamento completo, recebem o que falta”, diz o Inspector Becker. “É importante que os bombeiros tenham o equipamento adequado. Para realizar todo o treinamento, devem ter um aparelho de respiração automática, que é vital para a prática dos exercícios em fogo vivo e resgate, com o foco em métodos de expansão e extinção de incêndios.”

Dia longo de trabalho


O típico dia de trabalho durou das 7h às 16h30m. “Além da coexistência e da cooperação mútua, as equipes centro-americanas receberam certificação e adquiriram conhecimentos que lhes permitem lidar com situações reais e resgatar a maior quantidade possível de pessoas”, diz o Inspector Becker.

Durante a semana do CENTAM SMOKE, os participantes passam por exercícios físicos na forma de pistas de obstáculos e simulações de resgate usando manequins de diferentes tamanhos. O lado acadêmico inclui aulas de primeiros socorros e resposta a emergências médicas.

O Inspector Becker explicou que os participantes executam esses exercícios para aplicar o conhecimento adquirido, melhorar o uso de ferramentas e assegurar o uso adequado de mangueiras, aspersores e bicos. Cada bombeiro que participa do CENTAM SMOKE recebe um Manual de Especialidades de Bombeiros, que lhe possibilita ensinar o que aprendeu em seu respectivo país.

No primeiro dia, os bombeiros foram divididos em grupos com um participante de cada país, o que fortaleceu a irmandade entre os bombeiros centro-americanos. “A experiência de aprendizado foi muito importante”, diz o bombeiro hondurenho Jorge Betanco Rodríguez, que se beneficiou muito com a participação no CENTAM SMOKE. “Fortaleci meu preparo físico e reforcei meus conhecimentos sobre o uso e o manejo de ferramentas, especialmente as utilizadas para a extração veicular. O uso correto desses instrumentos faz a diferença entre a vida e a morte em um resgate após um acidente.”

A competição entre a equipe combinada da América Central e a Brigada de Bombeiros Esquadrão 612 foi inspirador, diz Betanco. “Foi uma boa competição. Nos esforçamos para dar o melhor de nós e ficamos muito satisfeitos com esse esforço, pois a equipe centro-americana ganhou da norte-americana.”

Cada bombeiro faz a diferença


Todo bombeiro que participa do CENTAM SMOKE será um elemento “que poderá trabalhar com níveis de qualidade padronizados e um alto profissionalismo. Servirá como exemplo e poderá incentivar, onde estiver, programas similares ao que receberam. Muitos dos bombeiros capacitados são representantes dignos do programa em seu país de origem”, diz o Inspetor Becker.

Por exemplo, uma equipe de bombeiros da base Soto Cano transportou uma pessoa ferida de helicóptero a um hospital na capital hondurenha, Tegucigalpa. A aterrissagem foi considerada arriscada porque o hospital fica em uma zona urbana densamente povoada. Mas a equipe de bombeiros que os recebeu foi treinada usando o que aprendeu no programa CENTAM SMOKE para realizar a tarefa sem colocar ninguém em risco, diz o Inspetor Becker.

“Um bombeiro treinado que faz o trabalho de acordo com as medidas de segurança adequadas tem mais confiança e, portanto, consegue conduzir com êxito as vítimas de incêndios e outros desastres, criando um impacto positivo entre a população”, afirma. “Um bombeiro com treinamento no CENTAM SMOKE pode fazer a diferença.”


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