2011-11-28

Militar refém das FARC por 12 anos consegue fugir

BOGOTÁ, Colômbia – O sargento do Exército colombiano Luis Alberto Erazo voltou a Bogotá em 27 de novembro, depois de ser mantido em cativeiro pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) por 12 anos, um dia depois de escapar durante uma batalha em que quatro reféns foram executados.

Erazo, de 40 anos, estava em poder dos terroristas desde 9 de dezembro de 1999 e chegou à capital de helicóptero, sendo, então, levado ao hospital em uma ambulância.

O militar, que sofreu ferimentos no rosto quando rebeldes lançaram uma granada contra ele, não deu nenhuma declaração e se encontrou com a namorada, a filha de 16 anos e outros familiares.

Erazo fugiu de um acampamento das FARC no sul da Colômbia em 26 de novembro, quando o exército procurava possíveis vítimas de sequestro mantidas em cativeiro. No confronto, as FARC mataram quatro reféns.

O presidente Juan Manual Santos visitou o sargento em 27 de novembro, dizendo que foi “muito emocionante ver esse herói nacional” e saudando o “heroísmo” dos quatro reféns mortos “a sangue frio.”

Santos também afirmou sentir-se “confuso” ao ver a felicidade do sargento e sua família e, ao mesmo tempo, saber da dor das outras quatro famílias.

Os sequestrados haviam sido mantidos pelas FARC em um acampamento na remota região de Solano.

Os mortos foram identificados como o coronel Edgar Yesid Duarte, os tenentes Elkin Hernández e Álvaro Moreno, e o sargento José Libio Martínez, o prisioneiro mais antigo das FARC, raptado há quase 14 anos, em uma emboscada.

Após as recentes execuções, cerca de 14 policiais e soldados permanecem nas mãos das FARC. Alguns estão em cativeiro há mais de uma década.

O novo comandante das FARC, Timoleón Jiménez, adotou uma linha dura desde a morte de Alfonso Cano, em 4 de novembro, em uma operação militar.

Diversos grupos de cidadãos convocaram uma marcha para 6 de dezembro com o objetivo de protestar contra a violência e reivindicar a libertação de todos os reféns das FARC.

Em ato separado, um representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia denunciou os assassinatos dos reféns e afirmou que as FARC poderão ser acusadas de crimes contra a humanidade por violações desse tipo.

“Esses assassinatos refletem uma terrível falta de humanidade e completa indiferença pela vida humana”, afirmou o representante da agência, Christian Salazar. “Esses atos irracionais não são isolados ou esporádicos. São crimes de guerra e podem ser classificados como crimes contra a humanidade.”

[AFP (Colômbia), 27/11/2011; The Associated Press (Colômbia), 26/11/2011]

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