2010-05-19

"Essa é a nova face da Seleção Chilena"

O Chile espera que o sucesso obtido nas eliminatórias se repita na África do Sul. (Ernesto Benavides/AFP/Getty Images)

O Chile espera que o sucesso obtido nas eliminatórias se repita na África do Sul. (Ernesto Benavides/AFP/Getty Images)

Por Dave Carey para Infosurhoy.com — 19/05/2010

WASHINGTON, D.C., EUA – Mark González tem um aviso para dar às outras 31 equipes nacionais participantes da Copa do Mundo e aos milhões de pessoas que devem assisti-la: preste atenção no Chile.

“No final das eliminatórias, estávamos jogando instintivamente, com base em um sistema bem estruturado”, disse o atacante em entrevista ao site FIFA.com. “O mais importante é que ficou provado que somos uma equipe forte e vamos entrar em campo para ganhar, sempre.”

Mas por que não manter o ceticismo? O Chile, que ocupa o 15° lugar no ranking mundial da FIFA e tem só uma chance em 50 de levar para casa o mais cobiçado troféu do futebol na África do Sul, historicamente decepcionou sua torcida.

A Seleção Chilena ficou entre as 13 que disputaram a primeira Copa do Mundo, em 1930, mas, de lá para cá, só participou de sete das 18 edições do Mundial. Em 1974, o atacante Carlos Caszely tomou o primeiro cartão vermelho do torneio, em uma partida em que a Alemanha derrotou o Chile por 1 a 0.

A Seleção Chilena ficou fora da Copa do Mundo de 1994 por causa de um vexame do goleiro Roberto Rojas nas eliminatórias do Mundial de 1990. Como a equipe estava perdendo para o Brasil de 1 a 0 em um jogo que precisava ganhar para garantir seu lugar na Copa, Rojas deixou o campo alegando um ferimento na testa causado por um rojão estourado por um torcedor. Os jogadores chilenos, temendo por sua segurança, também abandonaram a partida. Filmagens em vídeo revelaram, porém, que o fogo de artifício não atingira Rojas. A FIFA deu vitória ao Brasil e impediu o Chile de participar da próxima Copa.

Em suas sete participações no Mundial, o Chile só passou da fase de grupos duas vezes: em 1962, quando foi o terceiro colocado, e em 1998, desclassificado nas oitavas-de-final.

“Há os favoritos de sempre, como Brasil, Itália, Alemanha, Espanha e Argentina”, comentou o meio-campista Jorge Valdivia, falando ao FIFA.com, “mas toda Copa do Mundo tem uma surpresa... Por que não a Seleção Chilena?”

O Chile, no Grupo H, estreia em uma partida contra Honduras (40° no ranking da FIFA), no dia 16 de junho. Depois, enfrenta a Suíça (26°), no dia 21, e, no dia 25, tem um confronto com a Espanha (2°).

Mas jogar contra adversários fortes não é nenhuma novidade para a Seleção Chilena, que terminou as eliminatórias com 33 pontos — só um a menos que o Brasil, primeiro colocado da CONMEBOL. De suas 18 partidas, ganhou 10, perdeu cinco e empatou três. Marcou 32 gols e concedeu 22.

O prolífero ataque do Chile deu o que falar durante as eliminatórias. Além do atacante Humberto Suazo, artilheiro da equipe na CONMEBOL, com 10 gols, conta ainda com Matías Fernández (quatro gols), Alexis Sánchez (três) e Gary Medel (dois).

O que mais pesou para assegurar ao Chile a sua primeira Copa desde que Marcelo Salas e Iván Zamorano levaram a equipe até as oitavas-de-final, quando perdeu para o Brasil por 4 a 1, são os novos talentos. Os jogadores da Seleção Chilena têm, em média, 26,5 anos, o que a coloca entre as equipes mais jovens do Mundial de 2010.

Mas não tome a pouca idade por inexperiência. Os integrantes da Seleção Chilena ganharam fama em diversos dos mais importantes torneios do mundo. O zagueiro Mauricio Isla, 21 anos, foi contratado pela Udinese, da Série A italiana, em 2007, o atacante Fabián Orellana, 24, joga no Campeonato Espanhol pelo Xerez e o meio-campista Carlos Carmona, 23, está na italiana Reggina. Medel, 22, defende a camisa do argentino Boca Juniors, e o atacante Jean Beausejour, 25, joga no América, do México.

“Eu me sinto como um professor primário vendo os alunos se tornarem médicos ou engenheiros. É um prazer muito grande ver esses rapazes formarem a espinha dorsal da equipe que nos colocou novamente na Copa do Mundo”, disse ao jornal El Mercurio o ex-técnico da equipe chilena José Sulantay. “Graças a Deus, essa geração de jogadores caiu nas mãos do treinador Marcelo Bielsa, porque eu havia instilado uma nova mentalidade neles: não ter medo de ninguém e jogar um futebol moderno. A equipe nacional se transformou quando eu a treinei, e a mesma coisa aconteceu sob Bielsa. Essa é a nova face da Seleção Chilena.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.