2012-02-08

Por amor ao Rio de Janeiro

Giovanna Santos, 2, ao lado de um voluntário do movimento Rio Eu Amo Eu Cuido. A menina foi à Praia de Copacabana para brincar na água, mas quis participar do mutirão de limpeza na areia. (Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com)

Giovanna Santos, 2, ao lado de um voluntário do movimento Rio Eu Amo Eu Cuido. A menina foi à Praia de Copacabana para brincar na água, mas quis participar do mutirão de limpeza na areia. (Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com)

Por Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com — 08/02/2012

RIO DE JANEIRO, Brasil – A pequena Giovanna, de 2 anos, foi à Praia de Copacabana para brincar na água. Mas acabou optando por limpar a areia.

Em 20 de janeiro, feriado na cidade, Giovanna e seu pai, o empresário Anderson Christian Santos, 26, se juntaram à cerca de 100 pessoas que catavam sacos de biscoito vazios, palitos de picolé e latinhas de refrigerante deixados pelos banhistas na praia.

O mutirão de limpeza das areias de Copacabana foi mais uma das dezenas de ações do movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, da ONG Move Rio.

“Eu não sabia que teria um mutirão hoje. Mas, quando vi o pessoal chegando com sacos de lixo na mão, mostrei para a Giovanna e ela quis ajudar”, disse Santos. “Estou feliz por participar com minha filha, porque o exemplo tem que partir dos pais.”

O movimento Rio Eu Amo Eu Cuido surgiu no fim de 2010, num encontro dos membros da ONG Move Rio – em sua maioria, jovens empresários e profissionais liberais cariocas de classes média e alta.

Eles queriam fazer algo pela cidade, que vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

‘Vitrine do Brasil’

“Nossa questão era: o que fazer para deixar um legado positivo para a cidade?”

A resposta foi uma série de ações, divulgadas em mídias sociais, para conscientizar os moradores da cidade – e turistas – do valor de pequenas atitudes e bons hábitos, como não deixar lixo na praia, limpar a sujeira do cachorro, ser gentil e respeitar o sinal de trânsito e a faixa de pedestre.

Um exemplo da falta de cuidado com a cidade é a quantidade de lixo recolhida pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) nas ruas durante o carnaval e na praia após o réveillon.

Em 1º de janeiro, foram retiradas 675 toneladas de lixo da orla do Rio. No carnaval de 2011, foram 317 toneladas.

“O movimento veio para mostrar que cada um tem que fazer sua parte”, diz Oelsner.

O movimento já conta com mais de 17.000 seguidores no Facebook. Mas Oelsner diz que, no máximo, 200 voluntários aparecem para ajudar, apesar de milhares confirmarem presença na página do Rio Eu Amo Eu Cuido.

“O problema é cultural. Muitos preferem reclamar do que agir”, explica o empresário, que distribui camisetas do movimento para os voluntários que participam das ações.

Pescadores e surfistas no primeiro mutirão

A primeira ação do grupo aconteceu em outubro de 2010, quando cerca de 150 voluntários – entre eles, pescadores e surfistas – responderam à convocação, em mídias sociais, para um mutirão de limpeza na Praia do Arpoador, em Ipanema.

Depois, outros mutirões foram feitos em outras praias e também no Morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte da cidade.

No mutirão mais recente, o de Copacabana, os voluntários recolheram cerca de 1 tonelada de lixo depois de 1 hora e meia de faxina. Pelo menos duas dezenas de voluntários tinham menos de 10 anos de idade – segundo os organizadores, as crianças tendem a aderir facilmente às iniciativas do movimento.

“Estou feliz por ajudar o planeta”, disse a voluntária Luisa, 8, que pediu para ir ao mutirão depois de ler sobre o evento na página do Facebook da mãe, a assistente de recursos humanos Carolina Maravilhas, 32.

Mas o Rio Eu Amo Eu Cuido faz mais do que recolher lixo.

Em dezembro último, o Mirante das Cagarras, foi inagurado na Praia de Ipanema, com um deque de material reciclado, no valor de R$ 60.000. Menos de um mês depois, o deque amanheceu pichado.

Oelsner estava correndo na praia quando viu a pichação. Em protesto, pendurou uma faixa em cima do deque com o logo do grupo e a frase: “Quem faz esse tipo de vandalismo não merece a cidade que tem”.

Ídolos do futebol e Justin Bieber: apoio

Jogadores futebol foram convocados para ajudar.

Durante o último Campeonato Brasileiro, os quatro grandes times cariocas – Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense – entraram em campo levando faixas do movimento.

Até artistas internacionais já fizeram campanha.

O ídolo adolescente Justin Bieber foi ovacionado pelo público durante seu show no Rio, em outubro, ao mostrar uma camiseta do movimento. Ele ganhou o presente do campeão de Mixed Martial Arts (MMA) Anderson Silva, que subiu ao palco para dançar com o cantor.

“Acreditamos em pequenos gestos que podem ajudar a transformar a cidade”, explica Joaquim Monteiro de Carvalho, outro dos jovens à frente do movimento.

No festival Rock in Rio 4, em outubro de 2011, o vocalista do Coldplay, Chris Martin, subiu ao palco vestindo uma camiseta do Rio Eu Amo Eu Cuido.

No meio do público do festival, mímicos do grupo de teatro Nós do Morro, da favela do Vidigal, distribuíram 100.000 bituqueiras portáteis para que os fumantes guardassem suas guimbas de cigarro, em vez de jogar no chão.

De quebra, os organizadores do movimento instalaram 100 cinzeiros fixos na Cidade do Rock.

Apoio do mundo da moda

Para angariar fundos, os organizadores contam com a ajuda de empresários.

Em dezembro último, 35 marcas lançaram camisetas e outras peças com o nome do movimento estampado. Todo o lucro arrecadado com a venda dos produtos é destinado à ONG Move Rio.

Além do movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, a ONG está envolvida em outras iniciativas, como a creche Cantinho Feliz, gratuita para moradores de comunidades carentes de Santa Teresa, e o Instituto Vida Real, que tenta tirar jovens do tráfico na Favela da Maré, oferecendo reforço escolar e aulas de serigrafia, música, arte e informática, entre outras.

“O movimento Rio Eu Amo Eu Cuido tenta provocar uma mudança cultural. E não queremos que o movimento seja apenas nosso, queremos conquistar a cidade e o mundo”, diz Oelsner. “O respeito ao próximo é o legado que queremos deixar.”

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