2011-12-15

Rio de Janeiro: Abrigo tem piscina, aula de ioga e cursos

Idoso dança com a fonoaudióloga e psicomotricista Adriana Faria Coutinho no encontro da Terceira Idade do abrigo de Paciência, no Rio de Janeiro. (Renzo Gostoli/Austral Foto for Infosurhoy.com)

Idoso dança com a fonoaudióloga e psicomotricista Adriana Faria Coutinho no encontro da Terceira Idade do abrigo de Paciência, no Rio de Janeiro. (Renzo Gostoli/Austral Foto for Infosurhoy.com)

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 15/12/2011

RIO DE JANEIRO, Brasil – Um desavisado que chegue à Unidade Municipal de Reinserção Social Rio Acolhedor, no bairro de Paciência, Zona Oeste da cidade, pode pensar que está entrando em um clube de lazer.

No terreno de 9 hectares, com 5,5 mil metros quadrados de área construída, há dois campos de futebol, quadra poliesportiva coberta e duas piscinas, sendo uma semi-olímpica. O local oferece aulas de alfabetização e ensino regular, iniciação à informática e capacitação profissional na área da construção civil.

Há também 7 atividades esportivas: ioga, ginástica, futebol, vôlei, futebol de salão, alongamento e artes marciais. A partir de janeiro, duas novas atividades serão incluídas na lista, natação e hidroginástica.

Abrigos com instalações mais atraentes e que oferecem diversos serviços são a mais nova aposta da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio para reinserir socialmente moradores de ruas.

A Secretaria de Assistência Social recebeu do governo do estado dois terrenos, nos bairros de Irajá e Jacarepaguá, onde serão construídos abrigos seguindo o modelo de Paciência. Os investimentos nas obras, que ainda não têm previsão de conclusão, são de R$ 9 milhões.

“Queríamos acabar com o conceito de exclusão oferecendo oportunidades e colocando tudo o que for possível à disposição do abrigado”, afirma Paulo César Nascimento, diretor do abrigo de Paciência, inaugurado em outubro de 2010.

O abrigo oferece 422 vagas – 350 estão ocupadas.

Um psicólogo para os funcionários

A equipe de trabalho é formada por 152 funcionários, entre psicólogos – um deles apenas para o atendimento dos funcionários por conta do estresse do trabalho –, assistentes sociais, educadores, pedagogos, fonoaudiólogos, professores de educação física, enfermeiras e nutricionistas.

“Temos que criar atrativos para que a clientela queira ficar porque abrigo não é presídio”, diz Nascimento. “O morador de rua pode aceitar vir num primeiro momento. Mas, se quiser, faz um lanche e vai embora.”

O abrigo tem ambulatório, biblioteca, sala de TV e auditório, entre outras instalações.

Os usuários de drogas podem participar de grupos de convivência, como o Alcoólicos Anônimos.

Em um posto no local, é possível tirar documentos e se inscrever em programas sociais, como o “De Volta à Terra Natal”, que viabiliza o retorno à cidade de origem.

“A permanência deve ser temporária, mas não se pode impor limite de tempo para a reconstrução do vínculo familiar, afetivo e social”, diz Nascimento. “A própria condição do abrigado é que vai definir o tempo de permanência.”

Terceira Idade: encontros semanais

Gerson Nepomuceno, 61 anos, encontrou no abrigo uma oportunidade para mudar de vida. Toda sexta-feira de manhã, ele participa dos encontros do grupo da terceira idade, que são comandados pela dinamizadora, fonoaudióloga e psicomotricista Adriana Faria Coutinho.

“Queria sair das ruas. Pensei até em alugar um quarto, mas não tinha dinheiro suficiente”, conta Nepomuceno, que foi rápido ao escolher a mensagem do dia, no meio de uma dezena de papéis com mensagens positivas: “Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”.

O coordenador geral do Rio Acolhedor, Ademir Treichel, que fez carreira como administrador de empresas e no mercado financeiro, diz que levou ao projeto uma visão empresarial.

“Colocamos regras. Os abrigados precisam de limites e querem isso”, afirma o coordenador.

Treichel foi quem escolheu o local, que fica a cerca de 70 km do centro da cidade. “A longa distância e o valor do transporte desencorajam os abrigados a ficar indo e voltando e eles acabam tendo um comprometimento maior com o abrigo”, diz.

No início, a maior dificuldade foi ganhar a confiança da vizinhança, segundo o coordenador.

“Ninguém quer presídio, feira livre, cemitério ou abrigo perto de casa”, diz Treichel.

Crianças da vizinhança fazem judô no abrigo

O coordenador promoveu várias reuniões com os moradores e, para ajudar na aproximação, abriu as instalações do abrigo para que dois professores voluntários de judô dessem aulas gratuitas às crianças da comunidade.

“Os pais costumavam trazer seus filhos segurando pelas mãos e andando rápido”, conta Treichel. “Hoje, estão tão à vontade que deixam as crianças na porta e vão embora.”

Treichel explica que a política do abrigo é ver a diferença no coletivo, atendendo cada pessoa individualmente.

Foi essa mentalidade que o levou a pedir a inclusão do abrigado Aramis Fabiano Borges, 25, que é deficiente físico, num time de futebol da Soccerex, feira internacional de negócios do esporte realizada no Rio.

Treichel também comprou o uniforme usado por Borges no jogo, que contou com a participação de Cafu, ex-capitão da Seleção Brasileira.

“Já fui do time da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef)”, orgulha-se Borges, que está há cinco meses no abrigo.

Maior desafio: reatar vínculos familiares

Reatar os vínculos familiares é o grande desafio do projeto, de acordo com Paulo César Nascimento, diretor do abrigo.

Maria de Lourdes da Silva Carvalho, 60 anos, há seis meses no abrigo, diz que ficava nas ruas mesmo tendo lugar para ficar na casa de um parente. “Mas não conseguia me adaptar e voltava para as ruas”, lembra.

Nascimento explica que os profissionais trabalham não só com os abrigados, mas também com suas famílias. O diretor diz que a saída de casa pode acontecer em função de um trauma, mas também por conta de vício ou má conduta.

“Por isso, achamos importante ensinar regras de higiene e convivência para que o abrigado possa voltar para casa em condição melhores”, explica Nascimento.

Os dados sobre os resultados dos trabalhos do Rio Acolhedor ainda estão sendo coletados, mas, para o diretor Paulo César Nascimento, os avanços são visíveis.

“Tivemos muita inserção familiar e pessoas empregadas”, diz Nascimento. “Alguns passam aqui agora só para agradecer.”

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13 de Comentários

  • luiz fernando.. | 2014-08-18

    por favor meá judem estou na rua sou do interior tenho estudo tenho profição mas estou sem estrutura... espero resposta urgente..

  • andre | 2014-05-23

    to quase me suicidando preciso sair das ruas me ajudem tenho varias profissoes separaçao ta me enlouquecendo tel (21)966731327

  • Andréa | 2014-05-19

    Quero ajudar um senhor com idade avançada, sempre o encontro pelas calçadas das ruas próximo ao colégio da minha filha. Por favor, se vcs puderem conceder alguma vaga, ficarei muito grata, pois me corta o coração e choro todas as vezes que passo por ele. Fico no aguardo, obrigada.

  • fernando cesar de azevedo | 2014-04-24

    preciso de ajuda temporaria por favor ! aguardo resposta

  • carla | 2013-09-04

    envia para mim fazendo favor o endereço e telefone desse abrigo, pois faço um trabalho de social com moradores de rua e tem muitos que estão interessado em ir para abrigo.

  • Suellen | 2013-08-28

    Onde fica esse abrigo, o endereço completo, gostaria de ter a oportunidade de ajudar uma moradora de rua de idade avançada.

    • vanessa | 2013-11-27

      fica no antares vc vai de trem sentido santa cruz

  • Daniel | 2013-06-30

    Meu irmao tem 43 anos e esta sem ter onde morar. E um rapaz comportado e inteligente. Por favor, me avisem se existem vagas ainda o mais rapido possivel ! oObrigado Daniel

  • suzanna richter | 2013-02-22

    Gostaria de uma orientação:o filho da minha empregada tem 18 anos e ficou 5 anos preso por tráfico de drogas. Na época ele perdeu as drogas de um traficante. O caso é que agora que ele saiu voltou para casa mas está jurado de morte e voltou para as ruas. A mãe o encontrou e ele diz que não pode voltar para casa - no que ele está certo - pois estaria colocando a vida da mãe e dos 2 irmãos em risco. Como posso ajudá-los? Tem algum abrigo para onde ele possa ir e sair das ruas? Obrigada Suzanna

  • Patrícia Cunha da Silva de Lima | 2012-10-28

    Gostaria de saber telefone deste abrigo e telefone, próximo ao prédio onde mora na Rua Violeta, 255 Água Santa tem uma jovem de rua há uma semana, ela fica na passagem do Condomínio, chorando alto e gritando, há pessoa s que dão comida a ela, e alimentam esse círculo vicioso, algum órgão tem que fazer alguma coisa sobre esta jovem. e alé disso poem em risco a vida dos moradores do Condomínio Chave de Ouro, pois ela pode entrar a qualquer momento caso alguém esqueça o portão aberto....

  • [email protected] | 2011-12-21

    muito lindo esse trabalho

  • Adriana Faria Coutinho | 2011-12-17

    Boa tarde vê nosso trabalho sendo mostrado através do site. È uma forma de podermos incentivar outros países, estados e municípios, o quanto é possível iniciar um trabalho com essa população que de certa forma encontra-se em vulnerabilidade social.A prefeitura do Rio de Janeiro através da Secretaria de Assistência Social vem trabalhando para diminuir o índice de moradores de rua e usuários de drogas na cidade.Sinto me lisonjeada em fazer parte deste trabalho. Adriana Faria Coutinho(Fonoaudióloga/pós graduada em psicomotricidade,dinamizadora do Centro de Reinserção Social de Paciência - RJ-Brasil)

    • vbf | 2013-11-27

      essa ideia ja deu certo e vai