2011-12-07

Honduras é campeã da luta contra malária nas Américas

O coordenador do Programa Nacional contra a Malária do Ministério da Saúde de Honduras, Wilberto Montalván, cumprimenta o município de Wampusirpi pela conquista do título de Campeão da Luta contra a Malária nas Américas – 2011, da Organização Pan-Americana da Saúde, conferido aos locais com os programas mais bem-sucedidos de combate à doença. (Cortesia de Wilberto Montalván)

O coordenador do Programa Nacional contra a Malária do Ministério da Saúde de Honduras, Wilberto Montalván, cumprimenta o município de Wampusirpi pela conquista do título de Campeão da Luta contra a Malária nas Américas – 2011, da Organização Pan-Americana da Saúde, conferido aos locais com os programas mais bem-sucedidos de combate à doença. (Cortesia de Wilberto Montalván)

Por Felipe Lagos para Infosurhoy.com—07/12/2011

WASHINGTON D.C., EUA – Wampusirpi é uma pequena cidade hondurenha do departamento de Gracias a Dios, pouco mais de 300 km a leste da capital do país, Tegucigalpa.

Com 26 bairros, tem 6.397 habitantes, em sua maior parte das tribos indígenas dos misquitos, tawahkas, pech e ladinos.

E todos eles têm um motivo de orgulho em comum: a liderança na luta contra a malária nas Américas.

A cidade recentemente conquistou o título de Campeã na Luta contra a Malária nas Américas, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por seus bem-sucedidos programas de combate à doença.

De junho de 2010 ao mesmo mês de 2011, a Gestão Integral da Malária de Wampusirpi conseguiu reduzir o número de casos da doença de 337 para 60, ou seja, em 80%.

Em 2010, autoridades hondurenhas documentaram 9.078 casos da doença em todo o país, 12% deles em sua forma mais agressiva, conhecida como plasmodium falciparum. Um total de 2.660 casos, com 298 de plasmodium falciparum, ocorreram em Wampusirpi, conta o coordenador do Programa Nacional contra a Malária do Ministério da Saúde, Wilberto Montalván.

“A malária estava fora de controle em Wampusirpi”, lembra a médica Karen Calderón, funcionária da área de saúde. “A doença afetava a população do outro lado da fronteira e estava difícil conter as infecções com nossos poucos recursos.”

A doença, que pode levar à morte, é causada por parasitas transmitidos por picadas de mosquito. Na América Latina, cerca de 20 milhões de pessoas em 21 países vivem em áreas onde há risco de contaminação. O número de casos na região caiu 52% de 2000 a 2009, totalizando 564.451 em 2009, ante 1.182.866 em 2000, e o de óbitos, 68% (118 em 2009, contra 354 em 2000), segundo dados da OPAS.

“Observamos uma redução no número de casos na região desde 2000”, diz o médico Keith Carter, conselheiro regional da OPAS para a malária. “Houve cerca de 600.000 casos no ano passado, a maior parte deles no Brasil, Colômbia, Venezuela e Peru. Tivemos aproximadamente 20.000 casos na América Central, onde também houve uma grande queda no número de infecções.”

Além de Wampusirpi, o Programa Estadual de Controle da Malária do Acre, no Brasil, e o Programa de Vigilância Comunitária da Malária da Nicarágua, através de Sítios Sentinela, foram reconhecidos este ano.

O prêmio Campeões na Luta contra a Malária, da OPAS, é concedido a programas no Brasil, Colômbia, Nicarágua, Equador, México e Suriname desde 2009.

O principal elemento para sustentar um programa bem-sucedido contra a doença em uma cidade rural como Wampusirpi, com pouca infraestrutura e frequentemente sujeita a inundações, é o envolvimento da comunidade, comenta Montalván.

“O secretário municipal de saúde reuniu a população na prefeitura e conversou francamente sobre a malária”, conta. “Explicamos as alternativas que tínhamos para baixar o número de infecções e todos os integrantes da comunidade – professores, estudantes, voluntários, autoridades locais, membros do exército e da polícia e organizações comunitárias – se envolveram.”

Já Karen explica que cinco brigadas se organizaram em Wampusirpi para visitar as residências e fornecer informações e mosquiteiros.

“A resposta da comunidade foi muito boa”, afirma. “Cada uma das brigadas tinha cinco integrantes e instalamos mosquiteiros com inseticida em todos os lares. Fizemos levantamentos e coletamos amostras de sangue. Divulgamos informações nas escolas e nos certificamos de conter todos os surtos da doença, concentrando-nos nos criadouros de mosquitos.”

A ONG Pawanka, que desenvolve programas comunitários em Wampusirpi, envolveu-se na iniciativa por solicitação da OPAS e de autoridades locais, conta seu diretor, Josep Anguilla.

“Trabalhamos com as autoridades em esforços de recuperação depois da passagem do furacão Mitch, em 1998, e outras situações emergenciais”, diz. “Nosso envolvimento deu às comunidades locais a segurança necessária para se unir no combate à malária e os resultados foram excelentes.”

A enorme queda no número de casos de malária levou as autoridades hondurenhas a inscrever o programa de Wampusirpi no prêmio da OPAS, cujo resultado foi anunciado no mês passado. A pequena cidade foi a primeira colocada entre os três vencedores, recebendo US$ 2.500 (R$ 4.475) para o financiamento de projetos relacionados à malária.

“Os jurados disseram que foi muito difícil escolher o grande vencedor”, diz Carter. “E... o fato de Wampusirpi ser uma localidade remota e contar com recursos limitados e pouca infraestrutura foi determinante.”

Agora, enfatiza Montalván, o que a cidade tem de fazer é seguir educando os moradores sobre os perigos da malária.

“Tudo o que precisamos é continuar aprimorando iniciativas educacionais e garantir que as pessoas usem os mosquiteiros adequadamente”, completa.

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1 Comentário

  • David | 2013-10-22

    isto só pode ser alcançado com esforço, dedicação e conscientizando todos os moradores, parabéns Dra. Karen Calderon e sua equipe de trabalho.