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2010-12-01

Bope: Estratégia do batalhão especial aplicada no esporte

Capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura nos filmes “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2”, tornaram a filosofia do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro famosa em todo o país. (Cortesia de David Prichard)

Capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura nos filmes “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2”, tornaram a filosofia do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro famosa em todo o país. (Cortesia de David Prichard)

Por Cândido Henrique Silva para Infosurhoy.com – 01/12/2010

BELO HORIZONTE, Brasil – O mundo inteiro vem acompanhando o êxito das recentes investidas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro contra o narcotráfico.

Juntamente com outras forças de segurança civis e militares, em apenas nove dias 123 supostos traficantes foram presos, 130 foram detidos e 37 foram mortos – tudo isso sem que o Bope tivesse uma única baixa entre seus policiais.

Além da vitória contra o crime nas favelas cariocas, a estratégia da Tropa de Elite da polícia militar carioca agora também rende melhores performances no mundo dos negócios – sobretudo nos setores imobiliário e de telefonia – e no futebol.

“Vá e vença.”

“Missão dada é missão cumprida.”

“Eleja as prioridades.”

As palavras de ordem do Bope agora são repetidas muito além dos quartéis.

Alguns dos maiores clubes de futebol do Brasil vêm apostando na metodologia de motivação seguida pelo grupo policial para vencer partidas e conquistar títulos em competições nacionais.

Paulo Storani, ex-capitão do Bope de 44 anos, já dava palestras motivacionais em empresas quando foi convidado por alguns treinadores de clubes para levar seu método para dentro dos vestiários.

Na final da Copa do Brasil, em agosto, o então técnico do Santos, Dorival Júnior, convidou Storani para motivar sua equipe antes do duelo contra o Vitória.

O Santos enfrentou um rival difícil, mas acabou levantando o troféu. Dois meses depois dessa conquista, Dorival foi demitido do Santos, após desentendimento com o jovem Neymar.

Em outubro, já no Atlético Mineiro, Dorival tinha que encontrar uma fórmula para motivar um time que corria risco de rebaixamento à Série B.

Para complicar ainda mais o desafio, o Atlético tinha pela frente o Cruzeiro – seu principal rival e que estava na liderança.

O time de Dorival estava em 16º lugar e na zona de rebaixamento. O duelo seria em Uberlândia, e apenas torcedores do Cruzeiro poderiam entrar em campo, devido à uma decisão tomada por dirigentes de ambos os times.

A solução encontrada por Dorival?

Os ensinamentos de Storani, que atualmente é secretário de Segurança Pública do município de São Gonçalo, no Rio, mestre em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), professor e pesquisador da Universidade Cândido Mendes, no Rio.

Táticas do Bope ajudaram a livrar Atlético do rebaixamento

A palestra motivacional seria de 30 minutos. Mas foi apenas depois de duas horas que os jogadores do Atlético saíram convictos que poderiam surpreender e vencer o Cruzeiro. Em campo, o Galo – como o Atlético é conhecido – teve um primeiro tempo irretocável.

Com menos de 30 minutos, o time motivado por Storani já vencia por 3x0. A vitória foi conquistada com 4x3.

No final da partida, todos os jogadores destacaram o poder da palestra do ex-capitão do Bope.

“Foi uma das melhores palestras a que assisti e foi importantíssima na vitória”, destacou o atacante do Atlético Diego Tardelli. “Serviu para nos unir e mostrar que poderíamos vencer em território inimigo.”

Obina, companheiro de Tardelli no ataque do Galo, também atribuiu às duas horas com Storani o desempenho da equipe.

“Com certeza, foi a nossa arrancada nesse Brasileiro”, disse Obina.

O Atlético, que passou o Campeonato Brasileiro inteiro em risco, livrou-se do rebaixamento no último fim de semana da disputa, ao vencer o Goiás por 3x1.

A popularidade do Bope junto aos brasileiros facilita o trabalho motivacional de Paulo Storani.

O batalhão é tema de dois sucessos de bilheteria no cinema nacional – “Tropa de Elite” (2007) e “Tropa de Elite 2”, lançado em outubro.

As falas do capitão Nascimento, o oficial do Bope interpretado pelo ator Wagner Moura nos filmes de José Padilha, já são jargões cotidianos no Brasil.

Storani, que também foi consultor de Padilha nos dois filmes, aposta no poder da filosofia do Bope – principalmente em situações de crise.

“Os jogadores vivem pressionados como os policiais”, diz. “Eles não podem errar. Se errarem, perdem o jogo e, em um campeonato difícil como o Brasileiro, pode significar o rebaixamento.”

O principal objetivo de Storani nas palestras é despertar os jogadores para a importância da vitória.

“Todos estão sob pressão”, completa. “Há muitos atletas bem preparados, mas há alguns jovens que não estão. Têm a vida toda condicionada por empresários e pela família que os protegem demais. Eles não têm muita ação. Quero despertar a iniciativa neles”.

O trabalho em equipe também é valorizado.

“Os atletas têm que conhecer seus limites e aprender qual o marco para aumentar esse limite”, diz Storani. “Mas, principalmente, que só podemos ultrapassar nossos limites com o trabalho em equipe. É importante ter os objetivos comuns bem traçados e saber aonde o time quer chegar. Eu desperto isso neles.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.

1 Comentário

  • Sergio Santiliano | 2012-02-19

    Nota 10, bacana demais, gostaria de corresponder com ex-capitão,tenho interesse em suas palestras se possivel, envie-me um contato.parabéns pela iniciativa.