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2010-08-18

Salvador Cabañas reconhecido por companheiros e torcedores da Seleção paraguaia

Salvador Cabañas foi homenageado em 11 de agosto por companheiros de Seleção e pela Associação Paraguaia de Futebol pela sua atuação nas eliminatórias da Copa do Mundo.  (Norberto Duarte/AFP/Getty Images)

Salvador Cabañas foi homenageado em 11 de agosto por companheiros de Seleção e pela Associação Paraguaia de Futebol pela sua atuação nas eliminatórias da Copa do Mundo. (Norberto Duarte/AFP/Getty Images)

Por Marta Escurra para Infosurhoy.com – 18/08/2010

Acompanhado por seu pai, Dionisio, e pela mulher, María Lorgia, o atacante do clube mexicano América foi ovacionado pelos 20 mil torcedores que compareceram para homenageá-lo antes do amistoso entre Paraguai e Costa Rica.

Os companheiros do “El Mariscal”, como Cabañas é chamado, aguardavam o jogador no palco montado no meio do gramado, onde deram-lhe uma recepção calorosa enquanto ele recebia a medalha pela sua participação nos jogos pelas eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, uma placa da Associação de Jogadores de Futebol do Paraguai e uma camiseta com o número 10.

“Muito obrigado a todo o povo paraguaio", disse Salvador Cabañas. “Obrigado pelo apoio que sempre me dão.”

Ainda assim, a vida de Salvador Cabañas provavelmente nunca será a mesma desde que ele saiu do banheiro do Bar Bar com sua vida por um fio e uma bala alojada na sua cabeça.

Em 2 de agosto, Salvador Cabañas prestou depoimento como testemunha nas investigações sobre a tentativa de seu assassinato e em outra investigação sobre o crime organizado no México.

“Não tenho como saber [se Salvador Cabañas está envolvido no crime organizado], essa é uma questão para as autoridades mexicanas”, disse o promotor paraguaio Juan Emilio Oviedo numa entrevista coletiva. “Mas em nenhum momento ele foi investigado por isso. Ele foi intimado a depor como testemunha e como vítima. É responsabilidade do Promotor Público investigar a questão do crime organizado, o que não significa necessariamente que Salvador Cabañas esteja implicado nessa questão.”

O processo judicial aconteceu em Assunção graças a um tratado de cooperação entre Paraguai e México, que entrou em vigor em 2005. Quatro autoridades judiciárias viajaram do México como observadores do Gabinete da Promotoria daquele país. O assistente da Promotoria, Miguel Espejel, e os promotores Raúl Valverde Niño, Álvaro Ortiz Hernández e Normando Bustos se reuniram com Roberto San Román, cônsul do México em Assunção.

O depoimento de Salvador Cabañas durou cerca de 5 horas, mas ele pediu intervalos para responder as 14 perguntas, enviadas de antemão ao juiz Pedro Mayor Martinez pelo Promotor Público do México, pois sentia fortes dores de cabeça.

“É um grande progresso que [Cabañas] esteja em condições de dar o seu depoimento sobre este caso", afirmou Oviedo. “[A recuperação de Cabañas], segundo os médicos, ainda está em andamento. Os [promotores mexicanos] estão surpresos pelo progresso do jogador e sua habilidade de testemunhar.”

A maior parte do depoimento de Salvador Cabañas foi em guarani – a língua oficial do Paraguai junto com o espanhol –, de acordo com o advogado de Cabañas, Roberto Jesús Ruiz Díaz Labrano. O advogado disse ainda que o jogador examinou cerca de 30 fotografias, incluindo as de empregados do Bar Bar, de José Jorge Balderas Garza, suposto autor do disparo, e de Francisco José Barreto García, conhecido como “O Contador” e suposto cúmplice de Balderas Garza.

Os dois suspeitos podem ser membros do cartel de drogas Beltrán Leyva. Barreto García foi preso pelas autoridades mexicanas em 22 de junho, mas Balderas continua foragido.

“Ele [Cabañas] não se lembra de nada daquela noite, ele não conseguiu reconhecer ninguém”, disse Mayor Martínez, que tomou o depoimento de Cabañas.

“Os advogados dos réus não participaram dessa vez”, informou Mayor Martínez. “Ele [Cabañas] deu informações gerais; ele não foi capaz de relembrar rostos em particular ou fatos concretos. As respostas de Cabañas foram coerentes com as de uma pessoa que sofreu esse tipo de incidente. Suas recordações sobre aquele momento são incompletas. Mas a memória dele é brilhante em relação a acontecimentos anteriores ao incidente. Tudo que ele se lembra sobre o ataque é que ele foi baleado.”

A mulher e o cunhado de Salvador Cabañas, Amancio Rojas, também prestaram depoimento a Mayor Martínez, já que ambos estavam na boate quando Cabañas levou o tiro.

“Eu não posso comentar [nada sobre o depoimento], pois é algo que já afirmei [em juízo] e não posso dizer em público” disse Lorgia. “Não nos arrependemos de ter ido naquela noite [em janeiro, ao Bar Bar]. Isso aconteceu porque tinha de acontecer e algo bom vai emergir disso. Quando chegar a hora certa revelaremos o que é. Salvador está bem, ele está reagindo bem.”

Lorgia reconheceu pelo menos 5 pessoas nas fotografias apresentadas pelas autoridades, de acordo com Ruiz Díaz Labrano.

Cabañas estreou pelo América in 2006, marcando 66 gols em 115 partidas.

Gabriel Cazenave, editor de esportes do jornal paraguaio Diario ABC Color, disse que a Seleção nacional se classificou para a Copa do Mundo, em grande parte, graças às atuações de Salvador Cabañas, e que por isso ele mereceu ser homenageado.

“Se o Paraguai pôde participar da Copa do Mundo de 2010, foi em grande parte graças a sua contribuição [Cabañas]”, disse Cazenave. “[Cabañas] marcou gols em partidas muito importantes, ele fez seis gols nas finais e deu um passe decisivo para Nelson Haedo Valdez marcar o gol contra a Argentina, o que nos garantiu a classificação.”

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