2010-08-02

Kuimba’e Aty luta pelos direitos dos homens no Paraguai

Christian Paniagua é um dos fundadores da Kuimba'e Aty, uma organização que apoia os direitos masculinos no Paraguai.  (Marta Escurra for Infosurhoy.com)

Christian Paniagua é um dos fundadores da Kuimba'e Aty, uma organização que apoia os direitos masculinos no Paraguai. (Marta Escurra for Infosurhoy.com)

Por Hugo Barrios para Infosurhoy.com—02/08/2010

ASSUNÇÃO, Paraguai – Gregorio Zárate estava pronto para saltar para a morte.

Três meses atrás, ele estava pronto para pular de um prédio de 10 andares, porque se sentira traído. Meses antes, soube que a mulher o estava traindo com seu melhor amigo e que ambos haviam fugido do país, levando sua filha com eles.

Mas Christian Paniagua Zárate cruzou seu caminho e salvou-lhe a vida.

"Fui até o terraço [do prédio] e lhe disse que sabia o que estava sentindo, porque o mesmo acontecera comigo, minha esposa também tinha sido infiel", revelou Paniagua, presidente e fundador da organização sem fins lucrativos Kuimba’e Aty (grupo de homens em guarani), dedicada à defesa dos direitos dos homens. "Eles levaram a filha dele e o outro [homem] reivindicou-a como sua. Ele estava pronto a saltar do edifício e levei mais de seis horas para convencê-lo a não fazer."

Paniagua fundou a organização em Luque, em 2007, após descobrir a traição de sua mulher. Desde então, decidiu que era preciso criar uma instituição, uma "união de homens em luta pela igualdade de direitos iguais aos das mulheres".

Kuimba’e Aty não é uma organização fundada em princípios machistas. É um grupo de "homens unidos contra o abuso das mulheres", esclareceu Paniagua.

"Minha ex-mulher viajou para a Argentina e eu cuidei dos meus três filhos", declarou Paniagua. "No início, ela foi lá para trabalhar e ajudar a família, mas se envolveu com outro homem e nos abandonou."

"Naquele instante, me senti desesperado, me vi em um país sem nenhuma instituição pública ou privada que pudesse me ajudar, já que fiquei sozinho com três filhos", acrescentou Paniagua. "Não havia um único lugar para ajudar homens naquela situação, apenas para mulheres. Procurava pelo menos uma ajuda psicológica, mas não a encontrei em nenhum lugar."

Kuimba’e Aty tem ajudado cerca de 3.000 homens que relatam terem sido vítimas de adultério, abuso físico, tortura psicológica e abandono.

"Aqueles que procuram ajuda na Kuimba’e Aty encontram assistência espiritual e psicológica e apoio jurídico, nos casos em que as mulheres pretendam, ilicitamente, tirar ou esconder as crianças de seus pais", explicou Paniagua.

No início, o grupo foi ridicularizado por outros homens, disse Paniagua.

"O que começou como alvo de piadas por parte de alguns homens, logo se transformou em questão séria e nacional, [atendendo] casos de outras regiões do país", acrescentou.

Delio Peralta, empresário do ramo da gastronomia, é um dos milhares de homens que procuraram ajuda no Kuimba’e Aty, depois do desespero que sentiu com a infidelidade da mulher.

"Se não tivesse procurado ajuda na Kuimba’e Aty, teria feito um loucura", confessou Peralta. "Descobri que minha mulher era infiel, eu a flagrei [com o amante]. Depois disso, eles ficaram com nossos dois filhos.”

Peralta disse que daquele momento em diante ele e a mulher vêm travando uma batalha jurídica.

Uma medida judicial determinou que eu não posso me aproximar da casa ou ver meus filhos", disse Peralta. "Ela se queixou que eu a maltratava, o que não é verdade."

Graças a Kuimba’e Aty, Peralta encontrou apoio emocional e ajuda jurídica para enfrentar a situação.

"Precisava de ajuda psicológica, pois tudo isso me afetou bastante e passei por momentos terríveis", acrescentou Peralta. "Tive, e ainda tenho, que suportar que ela viva com ele e com meus filhos. Agora, com a ajuda da Kuimba’e Aty, estamos em meio a um litígio para recuperar meus filhos."

Segundo Peralta, depois de declarado o adultério e iniciada a separação, não há motivo para sofrimento, uma vez que os homens paraguaios têm agora uma organização onde podem encontrar o apoio necessário para seguir adiante.

"Eu sugiro àqueles que estejam passando por situação semelhante que se dirijam à Kuimba’e Aty", recomendou Peralta. "Não tenho vergonha de ter recorrido a eles. Ao contrário, me sinto orgulhoso."

Marino López, um dos seis advogados que prestam assessoria jurídica à Kuimba’e Aty, revelou estar elaborando um projeto que construa uma base legal de equiparação do direito masculino ao feminino.

"Há muitos homens maltratados física e emocionalmente em nossa sociedade, e não há razão para ocultar ou se envergonhar", disse López. "Meu trabalho é agir como mediador entre as duas partes, para tentar encontrar uma solução."

López afirma que a esperança é defender o direito dos homens e, com a elaboração do projeto, desejam a "equiparação" com a atual lei 1600, que prevê sanções penais em casos de violência doméstica em que o homem é visto como o autor.

"A Lei 1600 existente no Paraguai, que se refere aos casos de violência doméstica e aos direitos da família, destina-se a ajudar… as mulheres", disse López. "Mas não há nenhuma lei específica que defenda os direitos dos homens. Isso é o que almejamos alcançar, caso o projeto que queremos apresentar ao Congresso seja aprovado."

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29 de Comentários

  • Jorge Amado | 2014-07-20

    Oi, eu preciso urgentemente de ajuda. Não consigo mais lidar com esta situação. Meu nome é Jorge.

  • victor | 2013-09-11

    preciso de um número para entrar em contato com eles fui despejado 0961856527

  • cristian | 2013-01-29

    Preciso do número de telefone do Kuimba´e até seu email se puderem me ajudar

  • Juan Manuel | 2013-01-01

    Por que a justiça favorece as mulheres no que diz respeito ao fornecimento de alimentos e à guarda dos filhos? Os homens que são separados vivem sob a ameaça de serem processados e ameaças de não verem seus filhos por causa desse favoritismo para com as mulheres por parte da justiça! É verdade que um pai deve cobrir 100% das despesas de uma criança, mesmo que a mãe também trabalhe?

  • sandra caceres | 2012-11-07

    Bom dia, preciso urgentemente do número para me comunicar com vocês, meu irmão tem problemas de violência da parte da mãe de sua filha, preciso de sua ajuda por favor, espero uma resposta o mais rápido possível obrigado

  • Ricardo | 2012-10-13

    Não os estou localizando para fazer a respectiva denúncia, eu preciso de vocês se realmente existem, meu problema é muito grave, espero que se comuniquem comigo!!!

  • concepcion | 2012-09-11

    o problema é que há oito anos estava com uma mulher, supostamente temos uma filha e ela desapareceu e voltou quando tinha um relacionamento e minha esposa estava grávida, mas perdeu o bebê, a menina tinha 4 anos quando ela reapareceu e agora é um tormento minha esposa está grávida novamente, estou com ela há 7 anos e temos um filho de 2 anos esse vai ser o segundo e eu quero saber o que posso fazer para saber se ela é minha filha porque não tenho recursos agora estou sem trabalho, e a outra mulher me pressiona com a pensão... o que posso fazer???

  • cristian benitez | 2012-09-05

    Tenho um caso super especial !!! E preciso do número da organização!! Para poder entrar em contato

  • Ernesto Talavera Rivas | 2012-06-29

    preciso de assessoramento por causa da denúncia de minha esposa por violência doméstica... onde afirmo que sou inocente

  • Eugenio Gonzalez | 2012-05-31

    Casei aos 18 anos de idade, estava estudando medicina, três meses mais tarde, tivemos uma menina, ela só gostava de brincar, não me deixava estudar, tive de desistir da minha carreira, meu pai me ajudava, mas nos separamos e a menina ficou com ela eu a trago nos fins de semana, agora preciso me separar dela porque minha companheira atual está comigo há 6 anos e se eu não corrigir as coisas em breve, ela vai embora e eu não seria capaz de suportar isso. por favor, eu ficaria grato por qualquer sugestão possível pus advogado mas não deu em nada minhas forças estão diminuindo aceleradamente e corro grande risco de submergir profundamente o que poderia levar a me matar. Desde já agradeço, por favor envie um número de telefone ou endereço. Eugenio Gonzalez.

  • Celestino sosa | 2012-02-27

    Oi, gostaria de saber se podem me ajudar, há alguns anos minha concubina e eu tivemos um filho, depois, há pouco tempo, minha concubina viajou para uma cidade na Argentina "supostamente para ajudar seu irmão mais novo", que tinha que fazer uma cirurgia cardíaca. Ela ia e voltava, foi assim por um longo tempo e um dia me ligou dizendo que não me amava mais e que estava envolvida com outra pessoa, meu filho está comigo há um ano, desde que ela me comunicou, nunca mais ligou. Eu quero saber se podem me ajudar porque eles não me dão muita atenção no CODENI e tudo o que fiz foi abandono de lar e não sei se isso é suficiente para proteger a mim e meu filho?..

  • María Raquelina Insaurralde de Girett | 2012-02-23

    O QUE PODE SER FEITO NO CASO DA MULHER QUE DEIXA O MARIDO, ELES TÊM UM FILHO DE 2 ANOS, ELE TINHA DIREITO DE VISITA À CASA DE SEU PAI... MAS AGORA QUE ELE FOI DIAGNOSTICADO COM GAGUEIRA, O JUIZ DETERMINOU UMA ORDEM RESTRITIVA, SEU PAI PODE VISITÁ-LO AOS DOMINGOS DURANTE UMA HORA, SOZINHO, SEM A AVÓ PATERNA DA CRIANÇA QUE CUIDOU DA CRIANÇA DESDE QUE NASCEU...ESTE É O CASO DO MEU SOBRINHO... O QUE SE PODE FAZER?

  • paniagua | 2012-02-09

    olá o que fazer quando uma mulher me fez sacrificar quase toda minha vida quando a conheci tinha 16 anos e ela tinha 24 desde que ela me conheceu nunca mais voltou a trabalhar, porque era empregada doméstica e ganhava muito pouco, com o passar dos anos criei sua filha, ela era mãe solteira, sua filha tem hoje 24 anos tivemos filhos nossos, vivíamos bem eu comprei uma casa, o conforto, eu devi muito, sofri muito para pagar por todo o conforto para a pobrezinha graças a Deus, bebemos não nego um dia porque eu não lhe paguei uma cerveja porque não tinha mais dinheiro ela já bêbada, brigamos no dia seguinte eu não pude entrar já havia uma ordem da Secretaria de Mulheres e fiquei sem nada, só vejo meus filhos quando ela quer e muitos mais problemas... é injusto não é...preciso de ajuda SOS...

  • christian paniagua | 2012-02-05

    PARA ENTRAR EM CONTATO COM KUIMBA'E ATY FAVOR LIGAR PARA 0982963768

  • omar | 2012-01-11

    olá, primeiro tem que se viver a realidade e depois... buscar uma ajuda sou casado um filho há 2 anos, um dia descobri que minha esposa foi infiel desde o dia de nosso casamento com seu ex-namorado, um cara casado, isso não é o pior, agora ela espera um filho dele. queria abrir um processo judicial contra minha esposa para ficar com meu filho com o divórcio em mãos e começar uma vida nova. Sua ajuda e comentários serão muito bem-vindos obrigado...

  • celia segovia | 2011-09-05

    olá, sou aluna do quarto ano do Curso de Serviço Social da Universidade Nacional de Pilar. meu problema é que tenho que começar a preparar minha tese e escolhi o tema da violência intrafamiliar contra o homem e me pediram para fundamentar bem meu tema para que possam aceitar para minha tese eu queria entrar em contato com membros do grupo kuimba´e aty para que me possam fornecer informações importantes para meu tema e nomes de livros que falem sobre a violência contra o homem.

  • pablo rosano | 2011-08-22

    quero saber se vocês não sabem indicar onde fazer teste de paternidade (DNA) muito obrigado e desculpe o incômodo

  • Luis Lauro Gonzalez | 2011-07-21

    Sou uma pessoa vítima de violência doméstica e necessito por favor que alguém me indique como posso entrar em contato com essa organização, aonde posso obter algum número de telefone no qual eu possa me comunicar, sou do interior do país mas nesse momento estou na capital. Obrigada celular para contato: 0981685862

  • oscar | 2011-07-07

    Olá senhores, tenho um pequeno problema, se vocês puderem me ajudar como resolvê-lo, preciso contatar pessoalmente seus telefones e o endereço do lugar, vou lhe agradecer muito se puderem me responder via e-mail que é o mesmo Oscar Medina

  • Luis Roman | 2011-06-28

    Apoio totalmente a fundação pois defende os direitos do homem. Colhe-se o que se planta essa é minha filosofia de vida agora, por que nos meus 36 anos estou consciente de todos meus erros e decidi emendá-los primeiramente peço desculpas a todas as mulheres tendo em conta minha mãe , irmãs e minhas filhas. Não tenho sabido ser um casal nem um pai e esse conflito me a levou a ser uma pessoa instável. Me casei jovem tive um filho, me separei e por temor à solidão e a meu egoísmo formei logo um casal com a qual tenho uma filha de 9 anos e a relação durou muito pouco, pela incompatibilidade de caráter. O que me levou a outra separação. Reconheço que me portei mal com esta mulher ao não ser sincero. É por isso que tomei a decisão de lhe deixar o negócio e tudo que por direito lhe corresponde a minha filha já que não lhe pude oferecer uma casa. Desde então ela faz da minha vida impossível. Me processou, tenho ordem de prisão por não cumprimento. Sempre que tenho um trabalho lhe dava o que tinha mas desde que não tenho dinheiro porque venceu não posso renovar já que tenho essa ordem de captura necessito de um advogado mas as condições econômicas me impedem pagar por que ela constantemente me ameaça e me castiga não deixando que eu veja minha filha, lhe disse que se ela não me ajudar a retirar essa ordem de prisão será impossível cumprir dessa forma com a prestação já que subiu para quatro milhões e ela me exige que lhe repasse uns 300 mensais. Eu me pergunto como se pode ser um bom pai se a lei não é justa para ambos os sexos é por isso que solicito uma ajuda não estou cumprindo com minas responsabilidades ao contrário vou cumpri-las tenho um julgamento em 13 de junho e desejo de coração que me ajudem.

  • nancy coronel | 2011-05-26

    Olá a todos, eu queria saber como se pode assessorar um primo meu que com o desespero ao sair de casa não fez a denúncia de abandono de lar e veio para a Argentina já que sofria de violência psicológica e às vezes física, que direitos tem, o que lhe joga contra ou em que repercute contra ele se a mulher agora fez uma denúncia em Cuña Aty ou CODENI, sendo que ele lhe envia dinheiro semanalmente e está em permanente contato com a família e ainda assim é ameaçado pela mulher se não voltar para ela... poderiam me assessorar por favor, é urgente... esse é meu e-mail, desde já obrigado!

  • Cynthia | 2011-02-14

    Olá! Gostaria de saber se Kumba'e Aty conhece alguma organização de pais separados. É para uma pesquisa e até o momento no Paraguai não estou encontrando nenhum grupo... Lhes agradeceria muitíssimo que me passem a informação! Saudações!

  • Javier Alfonso | 2011-01-10

    Meus cumprimentos a todos, obrigado por criar essa iniciativa, pois todos os direitos da "família" em todos os casos sempre tendem a favor da mulher, o que não é muito justificável. Fui vítima da infidelidade de minha mulher, o que não me afetou muito, mas o que ela fez foi usar meus filhos como um escudo para me manipular psicológica e emocionalmente.

  • H.M.G | 2010-12-14

    O “famoso” CRISTIAN PANIAGUA é um mentiroso... ele bate na mulher e usa os filhos...um menor não deveria trabalhar...sua ex-mulher o deixou por causa de violência doméstica e não por causa do que ele disse....

  • José Afonso | 2010-12-14

    Parabenizo por esse brilhante trabalho desenvolvido em favor das vítimas desse tipo de opressão tirana,conhecido por Justiça Social espalhado em todas a nações.Espero que um trabalho assim seja desenvolvido tb aqui no Brasil. Infelismente aqui este mesmo tipo de paternalísmo por parte do Governo e de interessados ocultos em relação a exacerbada e unilateral proteção as mulheres, enquanto que os homens e indiretamente seus filhos ficam à merces da sórte.E conseqüentemente as mulheres estão sofrendo o efeito colateral disto, porque elas acabam sofrendo também. Veja este Texto das Escrituras Sagradas. (Eclesiástes 4.1)\"Depois voltei-me,e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol: e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos e dos que não têm consolador; e a força estava da banda dos opressores; mas eles não tinham nenhum consolador.\"

  • VICTOR | 2010-12-01

    POR FAVOR ESCREVAM O NÚMERO DO TELEFONE PARA LIGAR PARA KUIBA'E ATY E O ENDEREÇO DO ESCRITÓRIO TAMBÉM!!! CASO CONTRÁRIO, VOLTAREMOS À ESTACA ZERO!!! Nós homens sofremos por nossos filhos!!!

  • carlos rojas | 2010-11-03

    Estou desesperado porque há cerca de dois meses eles levaram minha filha e a mãe dela não permite que eu a veja e eu não sei onde buscar ajuda, vocês podem me ajudar?

  • patxo | 2010-08-27

    Coragem, daqui da Espanha. Essa é uma batalha que acontece em muitos países, inclusive o meu. Por hora estou felizmente casado, mas entendo que isso pode ocorrer a qualquer um.

  • Gerardo Moreno | 2010-08-02

    Isso demonstra uma realidade da qual não se fala nos países latinos devido à suposta supremacia machista características das sociedades latinas. É bom ressaltar essa face oculta da sociedade, nas experiências de pessoas que sofrem dessa situação, que definitivamente é uma forma a mais de violência e intolerância. E há de se ressaltar que esses pais de família merecem toda a consideração e respeito possíveis. Excelente.