2010-07-19

Honduras enfrenta epidemia de dengue

Uma enfermeira é cercada por pacientes em tratamento contra a dengue no Hospital Alonso Suazo em Tegucigalpa, Honduras. (Orlando Sierra/AFP/Getty Images)

Uma enfermeira é cercada por pacientes em tratamento contra a dengue no Hospital Alonso Suazo em Tegucigalpa, Honduras. (Orlando Sierra/AFP/Getty Images)

Por Diego Maya para Infosurhoy.com—19/07/2010

MANÁGUA, Nicarágua – Dezenove pessoas morreram entre os mais de 17 mil registros de dengue e quase 600 casos de dengue hemorrágica foram registrados até o momento em Honduras, o que levou o governo a declarar estado de emergência.

O governo tenta conter o surto, criando uma agência para prevenir a disseminação da doença e fumegando casas nas regiões com as taxas mais altas, conforme declarou Roxana Araujo, chefe do programa governamental de combate à dengue, ao diário hondurenho El Heraldo.

As polícias militar e nacional ajudam na fumigação, enquanto estudantes de medicina das universidades locais tratam dos doentes e ensinam a população a evitar a disseminação da doença e a forma de tratamento.

Doze pessoas morreram da doença em 2009, mas o número de mortos deste ano é bem maior, porque a dengue predomina em cidades grandes como Tegucigalpa e San Pedro Sula, não se restringindo às áreas rurais, segundo autoridades.

O país não está preparado para lidar com o surto. No Hospital San Felipe, na capital Tegucigalpa, pacientes diagnosticados com a dengue nos estágios iniciais – antes de um avanço maior da doença – são mandados para casa, porque as instalações não têm leitos suficientes, segundo declarações de Arnaldo Zelaya, diretor do hospital, ao diário hondurenho La Tribuna.

Os sintomas da dengue, provocada pelo mosquito Aedes aegypti, são febre alta, forte dor de cabeça e dores no corpo. Os sintomas são os mesmos na dengue hemorrágica, mas esta última é mais fatal, porque pode ocasionar sangramento interno.

A doença cruzou as barreiras sócio-econômicas e de gênero. Entre as 19 mortes registradas está a de Francesco Campos, 69, ex-cônsul da Itália em Honduras, que morreu na semana passada de dengue hemorrágica. A mulher do congressista Toribio Aguilera foi hospitalizada com o vírus. Rafael Alegría, membro do movimento de apoio ao ex-presidente Zelaya, também contraiu a doença, de acordo com El Heraldo.

“Pepe [presidente Porfirio Lobo] já perdeu a guerra contra a dengue”, declarou Bill Santos, do Partido Liberal, ao El Heraldo.

Honduras não é o único país em luta contra a epidemia da dengue. A vizinha Nicarágua registra 1.500 casos, El Salvador, 6.197, e a Costa Rica reportou 12 mil incidentes este ano, de acordo com a AFP e o jornal costarriquenho La Nación.

Mas os números também podem ser imprecisos, uma vez que os pobres, especialmente os das zonas rurais, nem sempre têm acesso ao sistema de saúde, e a contração da doença – com as mortes decorrentes dela – nem sempre são registradas.

Mais de um terço da população mundial vive em áreas onde o vírus da dengue é endêmico, tornando-o uma das causas mais comuns de enfermidade e morte nas regiões tropical e subtropical, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, que reporta 100 milhões de pessoas infectadas anualmente.

Enquanto isso, o cardeal Óscar Andrés Rodríguez pediu aos companheiros hondurenhos união na luta contra a dengue.

“Vocês não devem esperar impassíveis que as autoridades venham e fumiguem a casa de vocês… A responsabilidade não é apenas do governo, mas de cada cidadão hondurenho”, disse o cardeal em recente homilia, segundo o El Heraldo. “Se vocês não têm problemas, devem ajudar aqueles que estão doentes, aqueles que sofrem; ninguém deve permanecer indiferente.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.

1 Comentário

  • amanda brú | 2010-12-26

    Ótimo, jamais pensei que isso iria acontecer