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2010-04-29

Cristo Redentor ganha novo visual

O custo da reforma Cristo está estimado em R$ 7 milhões.  (Antonio Scorza/AFP/Getty Images)

O custo da reforma Cristo está estimado em R$ 7 milhões. (Antonio Scorza/AFP/Getty Images)

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 29/04/2010

RIO DE JANEIRO, Brasil – O Cristo Redentor está tendo seu visual renovado.

O símbolo do Rio de Janeiro, que em 2007 foi escolhido por votação popular pela Internet como uma das sete maravilhas do mundo moderno, está sendo restaurado desde o início de março.

Quando concluída em junho, a obra deixará a imagem do Cristo com visual totalmente renovado. A maior reforma já feita na estátua prepara o monumento para seu aniversário de 80 anos, em 2011, e para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Tanta preparação não é à toa. Afinal, o monumento de 38 metros de altura e 635 toneladas, construído no topo do Corcovado, recebe anualmente 1,5 milhões de visitantes.

“É a maior obra já realizada na história do monumento. O Cristo já foi lavado, já passou por reparos, mas nada desta dimensão”, disse o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor, que pertence à Arquidiocese do Rio.

Mas foi exatamente a dimensão do processo de restauração que permitiu que vândalos danificassem a imagem do mais importante monumento do Brasil. Os andaimes usados pelos trabalhadores para chegar ao topo da estátua, que fica a 710 metros acima do nível do mar, permitiu o acesso dos pichadores ao monumento.

Em 15 de abril, frases como “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa” foram escritas com tinta spray na cabeça, face e braços do Cristo.

A Arquidiocese do Rio e o prefeito, Eduardo Paes, ficaram abismados. Um grupo de empresários chegou a oferecer uma recompensa de R$ 5.000 por qualquer pista sobre o caso, que foi manchete na imprensa nacional.

Paulo Souza dos Santos, 28, e Edmar Batista de Carvalho, 24, se entregaram e confessaram o ato à polícia no início dessa semana. Cada um deles pode pegar até cinco anos de prisão se forem condenados por crime ambiental, já que o Corcovado faz parte da Floresta da Tijuca, e por atentar contra um monumento religioso.

“É ridículo. Uma pessoa que faz isto com um monumento fere tudo, o sentimento do povo brasileiro e ataca nosso amor pelo Cristo Redentor”, lamentou padre Omar.

Os visitantes não têm acesso à estátua porque as estradas que circundam o monumento foram danificadas com as fortes chuvas que atingiram a cidade e mataram mais de 200 pessoas no início do mês.

“Ficamos sem acesso ao Cristo por uma semana, porque todos os caminhos foram fechados devido aos deslizamentos de terra”, disse padre Omar, primeiro a ver o ato de vandalismo quando se dirigia ao Parque Nacional da Tijuca para ver os danos causados pela chuva. “Foi a primeira vez que fomos até o Cristo depois das chuvas.”

As câmeras de segurança não estavam em funcionamento devido aos apagões que atingiram a cidade nas últimas semanas. Uma pichação na base da estátua com tinta spray marcou o primeiro ato de vandalismo contra a estátua há mais de uma década.

“Vamos utilizar novas tecnologias [e] novas placas turísticas, trocar o piso, promover a limpeza da balaustrada e a restauração da capela”, acrescentou Raposo.

O custo da restauração, estimada em R$ 7 milhões, está sendo custeado pela mineradora Vale e pela campanha social “Eu sou de Cristo” lançada em meados de outubro. Paroquias locais vendem broches de lapela no formato do Cristo a R$ 7 cada para levantar fundos para o projeto.

A ideia inicial da construção do monumento religioso no topo do Corcovado foi apresentada pelo pároco Pedro Maria Boss à Princesa Isabel em 1859. Em 1923, o projeto do arquiteto Heitor Silva Costa ganhou a o concurso para erigir a estátua de Jesus Cristo. Entretanto, o projeto final foi criado por Carlos Oswald, juntamente com o escultor francês Paul Landowski. O projeto levou cinco anos e foi aberto ao público em 1931.

Após 80 anos, a cidade e as autoridades religiosas decidiram que já era hora de dar ao Cristo novo visual.

"A estátua será lavada, o revestimento de pedra-sabão que cobre a imagem será substituído, a estrutura interna de ferro será restaurada e o monumento será impermeabilizado”, informa Márcia Braga, arquiteta da Cone Engenharia Ltda, empresa encarregada da restauração.

O projeto apresenta só uma inconveniência: a enorme altura. Mas a dificuldade é fácil de ser superada.

“É tão grande a responsabilidade que nos esquecemos [disso]. Quando paramos por um momento para almoçar ou relaxar é que vemos a beleza que nos cerca. E é aí que vem a emoção”, diz Diogo Caprio, um dos arquitetos do projeto.

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.

1 Comentário

  • Yolanda Abella | 2011-09-30

    Olá amigos! Estou em Montevidéu, Uruguai, e achei muito interessantes essa reportagem. Eu ignorava a história do Cristo Redentor de vocês, que achei muito interessante. Sem dúvida que é uma obra muito importante para toda a humanidade, de forma que desejo o melhor para as obras que vão começar. Saudações...