2010-04-09

Rio sob ressaca e mais chuva

Veja como era a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Avenida Epitácio Pessoa antes de o Rio de Janeiro ser atingido por forte temporal. (Cortesia de Tim McGarvey)

Veja como era a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Avenida Epitácio Pessoa antes de o Rio de Janeiro ser atingido por forte temporal. (Cortesia de Tim McGarvey)

Por Fabiane Dal-Ri para Infosurhoy.com – 09/04/2010

WASHINGTON D.C., EUA – O número já chega a 183.

Mas mais corpos devem ser encontrados pelas equipes de resgate, que escavam a lama em busca de sobreviventes de casas soterradas pela lama em todo o estado do Rio de Janeiro.

Enquanto ondas enormes avançavam rumo a pontos turísticos da capital fluminense em 9 de abril, o estado do Rio chora pelas vítimas do maior temporal dos últimos 44 anos.

Na capital, 56 pessoas perderam a vida, enquanto Niterói contabilizou 107 mortos e São Gonçalo, 16.

O deslizamento de terra que atingiu uma favela de Niterói na noite de 6 de abril deve aumentar os números ainda mais.

Pelo menos 50 casas no Morro do Bumba foram atingidas, na que é considerada a pior tragédia da história da cidade, com cerca de 200 moradores soterrados, conforme estimativas da Defesa Civil ao jornal O Dia.

Segundo o G1, até o momento, a equipe de 170 bombeiros e integrantes de outras equipes de resgate já retiraram 25 sobreviventes e 17 corpos do Bumba.

“Com base em nossa experiência, as vítimas morreram instantaneamente”, comentou ao G1 o subsecretário da Defesa Civil do Rio de Janeiro, Pedro Machado. “É muito difícil encontrar alguém vivo. Diferentemente do terremoto do Haiti, onde os escombros dos edifícios continham bolsões de ar, aqui as pessoas estão sob uma montanha de terra. Quando ocorre o deslizamento, ele toma conta de toda a área.”

A tragédia fez com que o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, decretasse estado de calamidade pública e luto oficial de uma semana a partir de 8 de abril. Depois da inspeção da área do Morro do Bumba, 60 casas foram interditadas, e os moradores retirados de suas casas, já que se esperam mais deslizamentos devido às chuvas que voltaram a cair no dia 8 de abril.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes anunciou um plano de emergência em 9 de abril para evitar mais tragédias devido a futuros temporais. No dia 6 de abril, o governo federal destinou R$ 90 milhões para serem investidos em projetos de prevenção a possíveis danos provocados por chuvas intensas na capital fluminense.

A contenção de áreas para evitar deslizamentos de terra e a dragagem de rios para controlar as cheias estão entre as prioridades de Paes.

“Não podemos esperar mais”, declarou Paes ao jornal O Dia. “Independente do investimento do governo federal, temos que iniciar os trabalhos. Vamos tentar lidar com situações de emergência e salvar vidas.”

Em 6 de abril, Paes emitiu um decreto que dá poder às autoridades para retirar moradores que se recusam a sair de suas casas quando determinado pelo poder público municipal.

Desde 31 de dezembro, quando deslizamentos de terra transformaram em calamidade o réveillon em Angra dos Reis, 256 pessoas já perderam a vida no estado do Rio, segundo a Defesa Civil. Mais de seis milhões foram atingidos pelas catástrofes, incluindo 418 feridos, 7.221 desabrigados e 24.336 desalojados.

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