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2013-04-29

Scanner móvel faz raio-x do crime nas estradas

A Polícia Rodoviária Federal tem atualmente cinco scanners móveis circulando pelas fronteiras de 11 estados brasileiros. O equipamento faz um raio-x para encontrar drogas e outras mercadorias ilegais em veículos em movimento. (Cortesia da Polícia Rodoviária Federal)

A Polícia Rodoviária Federal tem atualmente cinco scanners móveis circulando pelas fronteiras de 11 estados brasileiros. O equipamento faz um raio-x para encontrar drogas e outras mercadorias ilegais em veículos em movimento. (Cortesia da Polícia Rodoviária Federal)

Por Patrícia Comunello para Infosurhoy.com – 29/04/2013

PORTO ALEGRE, Brasil – O comando parte do rádio de uma van estacionada no canteiro central da BR-386, a 70 km de Porto Alegre: “Toda a traseira do caminhão tem carga e há um objeto suspeito. Vamos verificar”.

Esta é a senha para patrulheiros rodoviários pararem o caminhão e inspecionarem a carga.

Dessa vez, o objeto suspeito era um inofensivo compartimento de água. Mas não é raro o comando da van resultar na apreensão de drogas, mercadorias ilegais e até dinheiro do crime organizado escondidos em fundos falsos.

Na parte traseira da van, há um scanner que faz um raio-x em veículos em movimento. No início de abril, o Infosurhoy.com acompanhou as primeiras operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) com o equipamento no Rio Grande do Sul.

As imagens aparecem na tela de um computador instalado na cabine da van.

“Atrás de anomalias, trabalhamos com os olhos fixos no computador”, diz o patrulheiro João Henrique Bley.

O equipamento, que foi importado dos Estados Unidos, demarca em cores e contrastes as nuances e os materiais, entre sólidos e líquidos, quentes e frios.

No Brasil, ele começou a ser usado nos estados de fronteira em novembro de 2012.

“Os policiais não disseram o que estavam procurando, mas não acharam nada de errado”, disse o representante comercial Juliano Piacentini, 42, cujo carro foi revistado após passar pelo raio-x. “Moro na Argentina, onde os scanners também têm sido usados em barreiras.”

Atualmente cinco vans vigiam pontos mais sensíveis dos quase 17.000 km nos 11 estados de fronteira do Brasil. Ao todo, 65 patrulheiros foram treinados para usar o equipamento.

A cada hora, pelo menos 300 veículos são fiscalizados.

“Nunca teremos efetivo para abordar 100% dos veículos, mas a busca pelo ilícito já ficou muito mais rápida com os scanners”, diz o policial Luciano Fernandes, que liderou a compra do equipamento por cerca de R$ 13 milhões quando era chefe da Divisão de Modernização e Tecnologias da PRF.

Agora Fernandes é secretário do Comitê Executivo para Grandes Eventos na PRF e pretende deslocar as vans para inspecionar veículos nas cidades-sedes da Copa das Confederações, em junho, e na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em julho.

Até a Copa do Mundo, a Receita Federal deverá contar com mais 12 scanners móveis e um fixo, segundo a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), órgão do Ministério da Justiça responsável pela compra. O investimento será de R$ 40 milhões.

“As vans vão ficar próximas a arenas ou a acessos rodoviários para rastrear armas, drogas e explosivos”, diz Fernandes. “Cada uma das 12 cidades-sedes da Copa de 2014 terá pelo menos um scanner.”

Scanner seguem o crime

Os scanners móveis foram deslocados para Santa Catarina entre janeiro e fevereiro, quando criminosos incendiaram ônibus e atacaram postos de segurança, transformando a grande Florianópolis num campo de guerra.

“A ideia é sempre levar o equipamento para áreas onde a vigilância precisa ser reforçada”, diz o policial rodoviário federal Vinicius Martini. “Em Florianópolis, apreendemos armas, munição e eletrônicos.”

Martini diz que os scanners são como anzóis que “você lança na água sem saber o que vai pegar”.

Em quase cinco meses, a pescaria da PRF rendeu desde sardinha a tubarão.

Entre os peixes pequenos, está a apreensão de 18 kg de cocaína em fevereiro. A droga estava no fundo falso de um Fiat, em Três Lagoas, na divisa do Mato Grosso do Sul com São Paulo.

“Normalmente, a gente não teria feito essa apreensão, porque aquela não é uma rota de tráfico e o motorista não tinha um comportamento suspeito”, descreve Davidson Pereira de Souza, chefe da seção de policiamento e fiscalização da PRF-MS. “O scanner ajuda quando o tino do policial não funciona.”

Entre os tubarões, está a apreensão em 8 de dezembro de uma carga de 406 kg de cocaína. A droga, com valor estimado de R$ 20 milhões, estava camuflada num caminhão frigorífico carregado de carne bovina que seguia pela BR-463, em Ponta Porã, com destino São Caetano do Sul (SP).

Mato Grosso do Sul: área crítica

O Mato Grosso do Sul é considerado pela PRF um dos pontos mais críticos do país. Nos mais de 1.500 km de fronteira do estado, o equipamento ajudou a apreender 552 kg de cocaína, 221,7 kg de maconha, 584 esferas de haxixe e 10,5 kgs de crack, além de metralhadoras, pistolas, revólveres e munições, entre dezembro de 2012 e o início de abril.

“A ferramenta é muito útil, mas não é absoluta”, diz o delegado Cezar Luiz Busto de Souza, que coordena a Polícia de Repressão e Drogas do Departamento de Polícia Federal. “A ação da PRF com os scanners não pode ser isolada.”

Para o delegado, os flagrantes nas estradas devem ser usados para auxiliar as investigações sobre o crime organizado. Segundo a Polícia Federal, até os próprios criminosos já se deram conta de que o scanner é um inimigo poderoso.

“Em fevereiro, uma pipa foi interceptada após ser despachada de um presídio no Paraná”, diz Fernandes. “O recado, escrito na pipa, era claro: ‘Explodam a van’. O caso está sendo investigado no estado.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.

5 de Comentários

  • Agenor Bastos do Nascimento | 2014-03-26

    Que o Ministro da Justiça adquira, o mais breve possível, scanners móveis e fixos para a PRF. Já está provado a eficiência do equipamento que a anos são utilizados em outros países o que coibiu o contrabando de armas, munição, drogas, mercadorias diversas e produtos eletrônicos. A Polícia Rodoviária Federal é uma instituição prestigiada, séria e seus agentes são extremamente treinados para a função que exercem. Merecem, mesmo que com atraso de vinte anos, um melhor aparelhamento para o fiel e eficiente cumprimento dos seus deveres.

  • joilson santos silva | 2013-05-13

    o Brasil, piorou muito nos ultimos 12 meses.

  • adrianasousa | 2013-05-08

    Bom

  • everton amalio | 2013-05-06

    esse mecanismo teria q ser obrigatorio em todas as fronteiras e só asim diminuiria essa onda de trafico q acaba com a nossa sociedade mas o nosso codigo penal tem q ser modificado o mas rapido possivel porq ñ adianta nada a policia prende q justiça solta

  • Edison da Silva flores | 2013-04-30

    Aprovo este mecanismo da Policia Rodoviaria deveria ter mais