2012-07-03

Colômbia: FARC lucram com extorsões

As operações bem-sucedidas das autoridades contra os laboratórios de drogas clandestinos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), como o da foto, próximo ao departamento de Meta, obrigaram o grupo terrorista a recorrer mais às extorsões como fonte de renda. (John Vizcaino/Reuters)

As operações bem-sucedidas das autoridades contra os laboratórios de drogas clandestinos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), como o da foto, próximo ao departamento de Meta, obrigaram o grupo terrorista a recorrer mais às extorsões como fonte de renda. (John Vizcaino/Reuters)

Por Carlos Andrés Barahona para Infosurhoy.com – 03/07/2012

BOGOTÁ, Colômbia – Jorge Espinosa, pecuarista e veterinário do departamento de Meta, teme que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) venham bater à sua porta.

De 2008 a 2010, o pai de Espinosa, que trabalhava na mesma terra, se viu forçado a pagar 20% de seu faturamento mensal ao grupo terrorista para que não tivesse sua propriedade danificada – ou pior.

“Tínhamos que pagar às FARC para continuar a criar nosso gado”, conta Espinosa. “Naquela época, não havia presença militar ou estratégia para proteger os pecuaristas da extorsão.”

Espinosa afirma que as políticas do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e seu antecessor, Álvaro Uribe, ajudaram a acabar com as extorsões, mas observa um recente aumento nas exigências das FARC por “vacunas” (impostos) de fazendeiros e empresários.

“Sei de colegas de outros departamentos que viram integrantes das FARC espreitando de novo para observar que atividades comerciais as pessoas estão exercendo”, acrescenta Espinosa.

Os terroristas podem estar prestes a recorrer mais fortemente à extorsão, que usam para arrecadar dinheiro desde o início de sua luta contra o Estado na década de 60, porque as operações coordenadas pelo governo representaram golpes contundentes contra as fontes de financiamento da guerrilha via tráfico de drogas e armas.

A extorsão não só prejudica as vítimas, como também a economia. Se algum alvo das extorsões das FARC se recusar a pagar, as consequências podem ser graves, diz Leandro Llano, especialista no conflito colombiano da Universidad Javeriana.

“Basicamente, envolve a cobrança de um percentual do faturamento de um comércio, empresa ou companhia multinacional em troca de ‘proteção’ do grupo terrorista para que a pessoa possa dar continuidade a seu negócio e evitar a ‘chance’ de um ‘acidente imprevisto’”, explica Llano.

As FARC realizaram 1.805 ameaças de extorsão no país em 2011, depois de 1.309 no ano anterior, de acordo com a Polícia Nacional da Colômbia.

O aumento pode ser atribuído à promessa das FARC de que iriam acabar com os sequestros, o que significa que passariam a não contar com o dinheiro dos resgates. Entretanto, a extorsão permite ao grupo terrorista compensar a perda da receita, afirma Manuel Rendón, analista político da Universidad del Rosario.

“A verdadeira manobra política [das FARC] ao anunciar o fim dos sequestros significa que voltarão a praticar extorsões”, diz. “O risco de retomar essa prática é a possível consequência que pode ter sobre o investimento estrangeiro. A estratégia de guerra e a força militar usadas contra as FARC pelas autoridades criaram uma forte presença do Exército Nacional em áreas que, historicamente, serviam de focos de extorsão da organização, como os departamentos de Meta e Putumayo. Assim sendo, as extorsões tiveram uma boa queda e [as FARC] recorreram ao lucro do narcotráfico e outros meios ilegais.”

Não há números oficiais que indiquem quanto dinheiro as FARC arrecadam com a extorsão.

Mas o preço que cobram pode ser bem alto – basta perguntar a Alfredo Prieto.

Sua família de plantadores de batata foi forçada a vender suas terras no departamento de Boyacá há uma década porque as FARC exigiam que Prieto pagasse 15% de sua renda mensal por “proteção”.

“[Os guerrilheiros] nos diziam que as FARC eram responsáveis pela proteção na região – e não o exército – e que se quiséssemos tocar nosso negócio, teríamos que pagar todo mês por proteção”, conta. “Somos um povo pacífico e não acreditamos na violência. A Colômbia é um país livre e ninguém deveria ser extorquido. Nós decidimos que não iríamos apoiar as FARC de jeito nenhum. Achamos que pagar 15% não era justo, considerando que éramos nós que trabalhávamos para ganhar o dinheiro. Felizmente, conseguimos vender nossas terras e começar uma vida nova em Bogotá. No entanto, sei de outros vizinhos na área que tiveram que pagar porque não tinham outros meios de sobrevivência.”

Autoridades temem que uma escalada nas extorsões venha enfraquecer os investimentos, ameaçando a economia.

Segundo a Proexport, um órgão que promove o turismo, o investimento estrangeiro e as exportações no país, em 2011 as empresas estrangeiras investiram na Colômbia US$ 14,8 bilhões (R$ 29,3 bilhões), bem acima dos US$ 2,43 bilhões (R$ 4,8 bilhões) de 2000, o que indica que os governos de Santos e Uribe foram eficientes em enfraquecer o poder das FARC.

“Qualquer empresa que pagar por extorsão aos criminosos das FARC será expulsa do país”, declarou Santos em abril de 2010.

Em junho daquele ano, o governo quase expulsou uma multinacional que teria pago às FARC para que o grupo terrorista a deixasse em paz.

Ainda assim, as empresas do setor de mineração e petróleo acham que o governo deveria fazer mais para prevenir as extorsões.

“Tradicionalmente, os sequestros e exigências de resgate estão entre os principais riscos [para esses setores] na Colômbia. Porém, nos últimos anos, os sequestros diminuíram”, afirma James Lockhart-Smith, analista-chefe para a América Latina da Maplecroft, uma empresa global de análise de risco que elabora relatórios e consultorias sobre segurança para gigantes como a Ecopetrol e a mineradora de carvão americana Drummond. “O principal problema hoje não é o sequestro, mas a extorsão. Estamos em uma posição desconfortável.”

Gustavo Wilches Chaux, ambientalista e especialista em legislação da mineração da Colômbia, alerta sobre a natureza cíclica dos meios de obtenção de dinheiro das FARC.

“Há alguns anos, havia uma onda de sequestros – hoje, as FARC garantem que ‘pararam’”, relata. “Depois, durante outro período, houve uma onda de extorsões a comerciantes. Agora as FARC começaram a fazer isso de novo. O governo tem que entender que as FARC possuem sistemas financeiros paralelos para obter dinheiro e, no momento, tudo indica que começarão a extorquir pecuaristas, mineradores ou organizações multinacionais que achavam que a Colômbia havia superado o problema.”

Álvaro Garzón, especialista em segurança da Drummond, diz que as grandes empresas já estão agindo.

“Essas corporações multinacionais não terão problemas de segurança se os casos de extorsões ressurgirem porque trabalham de mãos dadas com o exército”, assegura. “É verdade que há um temor de que novas ameaças do gênero existam. Em termos de segurança, as áreas onde as atividades das empresas ocorrem estão garantidas por entidades governamentais.”

Garzón, entretanto, diz que as pequenas empresas enfrentam desafios maiores para se proteger.

“É um pouco mais difícil, pois as autoridades não podem estar em toda parte”, lamenta. “Mas certamente, se eles denunciarem possíveis tentativas de extorsão, o governo marcará presença.”

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1 Comentário

  • yamil | 2012-07-12

    isso é o que o orangotango do Chavez patrocina... esses chefes criminosos dormem tranquilamente na venezuela... malditos assassinos autodenominados velhacos FARC EV... na caminha do seu irmão... é assim que funciona companheiro.