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2012-07-02

Conferência busca estratégia global de combate às drogas

Autoridades peruanas incineraram recentemente mais de 8,8 t de narcóticos confiscadas em operações policiais de abril a junho, segundo o Ministério do Interior. (Mariana Bazo/Reuters)

Autoridades peruanas incineraram recentemente mais de 8,8 t de narcóticos confiscadas em operações policiais de abril a junho, segundo o Ministério do Interior. (Mariana Bazo/Reuters)

Por Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com – 02/07/2012

LIMA, Peru – Os 70 países que participaram da recente Conferência Internacional de Ministros de Relações Exteriores e Chefes de Agências Nacionais Especializadas no Problema Global da Droga chegaram a um consenso sobre como ganhar a batalha contra os narcóticos: trabalhar juntos.

“A mensagem não é dirigida a países produtores ou países consumidores, mas a todas as nações que têm esse problema e querem enfrentá-lo juntos”, disse Carmen Masías, diretora-executiva da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (DEVIDA) do Peru.

Os participantes passaram os dias 25 e 26 de junho na capital peruana discutindo avanços e melhorias que podem ser feitas pelo mundo para reduzir a lavagem de dinheiro, desenvolver culturas alternativas e aprimorar programas de prevenção e reabilitação de drogas, além de diminuir a oferta e a demanda de narcóticos.

Entre 153 milhões e 300 milhões de pessoas de 15 a 64 anos de idade – 3,4% a 6,6% da população mundial – consumiram uma substância ilícita pelo menos uma vez em 2010, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2012 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

“Todo país [impactado pelas drogas] deve basear seus esforços em troca de informações, cooperação técnica, medidas de prevenção e compartilhamento de experiências bem-sucedidas”, afirmou o presidente peruano Ollanta Humala em seu discurso de abertura da Conferência.

Por isso, Humala também pediu à comunidade internacional que forme uma frente unida contra o narcotráfico.

“Esperamos que as conclusões alcançadas neste evento se tornem um roteiro na guerra contra as drogas, com um novo foco na elaboração e criação de políticas eficazes”, destacou.

O Peru é considerado o maior produtor mundial de folhas de coca, cultivando cerca de 45,4% da produção total do globo, seguido por Colômbia (39,3%) e Bolívia (15,3%), segundo o UNODC.

Cerca de 64 hectares de folhas de coca foram cultivados no Peru em 2010, em comparação com cerca de 59 hectares em 2009, informa o UNODC.

O governo peruano destina anualmente cerca de US$ 230 milhões (R$ 462 milhões) para o combate aos narcóticos, mas Humala diz que não é suficiente, sendo fundamental que o país andino receba ajuda de outras nações.

A opinião é reforçada por Adalid Contreras, secretária-geral da Comunidade Andina (CAN), organização regional composta por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru que busca ajudar países a alcançar o desenvolvimento integral, equilibrado e autodirigido por meio da integração.

“A guerra contra as drogas exige uma estratégia abrangente que inclua prevenção, apreensões, desenvolvimento de culturas alternativas e o princípio da responsabilidade compartilhada”, ressalta Adalid. “É fundamental consolidar os esforços coordenados das unidades de inteligência financeira de todos os países para combater com eficiência a lavagem de dinheiro proveniente das drogas.”

Um quilo de cocaína é vendido por até US$ 1.200 (R$ 2.412) na América do Sul, mas pode chegar a US$ 30.000 (R$ 60.300) em países do hemisfério norte, segundo a CAN.

Alejandro Ramos, subprocurador-geral do México, diz que é necessário criar um centro de informação internacional sobre tráfico de drogas, com o objetivo de ajudar autoridades da região a compartilhar informações para reforçar as operações antidrogas.

“Não devemos mais encarar o narcotráfico como um problema isolado de certos países, mas como um crime que afeta toda a região e exige uma resposta coordenada”, enfatiza. “Tráfico de drogas é como um colchão d’água. Se você pisa em um lado, o outro sobe. Então, nós [o México] precisamos pisar nele juntos para que vá para baixo.”

Enquanto isso, legalizar o comércio de drogas – que está ligado ao tráfico de pessoas, crimes violentos, prostituição infantil, lavagem de dinheiro, extração ilegal de madeira, evasão fiscal e suborno – não é uma opção, avalia Carmen.

No início de junho, o governo uruguaio propôs a legalização da maconha, encarregando autoridades do cultivo e da distribuição.

Vários países, incluindo Peru, Colômbia e Venezuela, criticaram a proposta.

“A posição do governo peruano é firme: drogas não devem ser legalizadas”, afirma Carmen.

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