Arrow left
Arrow right

Este texto foi transferido. Por favor, leia a nova versão aqui.

2012-03-12

Costa Rica: Apoio internacional no combate ao narcotráfico

Três colombianos e dois costarriquenhos foram presos sob acusações de narcotráfico pela polícia da Costa Rica, depois que mais de duas toneladas de cocaína foram encontradas em seu barco em 31 de janeiro. “Isso mostra claramente que o tráfico de drogas é uma escolha perigosa que, certamente, só leva a dois caminhos: cadeia ou morte”, afirma o Comissário Nacional Antidrogas Mauricio Boraschi. (Cortesia de Jorge Álvarez/Ministério da Segurança)

Três colombianos e dois costarriquenhos foram presos sob acusações de narcotráfico pela polícia da Costa Rica, depois que mais de duas toneladas de cocaína foram encontradas em seu barco em 31 de janeiro. “Isso mostra claramente que o tráfico de drogas é uma escolha perigosa que, certamente, só leva a dois caminhos: cadeia ou morte”, afirma o Comissário Nacional Antidrogas Mauricio Boraschi. (Cortesia de Jorge Álvarez/Ministério da Segurança)

Por Mario Garita para Infosurhoy.com—12/03/2012

SAN JOSÉ, Costa Rica – O ministro da Segurança, Mario Zamora, afirma que autoridades estão ensinando estratégias militares a seus policiais para fortalecer a luta contra os narcotraficantes que usam o país centro-americano como ponto de distribuição de drogas.

“Essas estratégias, baseadas nos critérios de ‘guerra total’ usados no campo militar, estão sendo transferidas para o campo da segurança”, explica o ministro. “O conceito implica que todos os recursos e todas as missões da organização sejam usados em função da luta contra a criminalidade.”

Os resultados são impressionantes. Autoridades já confiscaram mais de quatro toneladas de cocaína provenientes do tráfico internacional este ano, ressalta Zamora, acrescentando que as parcerias que a Costa Rica estabeleceu com outros países, inclusive com os Estados Unidos, têm sido inestimáveis no combate às drogas.

A primeira apreensão do ano ocorreu em 4 de janeiro, quando a polícia prendeu um costarriquenho de 28 anos na fronteira entre o país e a Nicarágua, depois de encontrar 360 kg de cocaína escondidos em seu caminhão carregado de sucata, de acordo com autoridades.

Mas o achado no caminhão, que, segundo autoridades, tinha como destino a Guatemala, não é nada perto do que foi encontrado 27 dias depois, quando o Serviço Nacional da Guarda Costeira (SNG) deteve três barcos em águas costarriquenhas no Oceano Pacífico.

Através de informações recebidas pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, agentes do SNG perseguiram os três barcos que pararam perto da praia. Os tripulantes pularam na água e nadaram até o continente, onde cinco suspeitos – três colombianos e dois costarriquenhos – foram levados sob custódia e presos enquanto esperam julgamento, conta Martín Arias, diretor do SNG.

Embora dois dos barcos transportassem apenas combustível, o terceiro estava carregado com mais de duas toneladas de cocaína, a maior carga da droga apreendida em águas costarriquenhas nos últimos cinco anos, de acordo com a Polícia de Controle de Drogas (PCD).

A apreensão ocorreu uma semana depois que agentes da Unidade Aérea do Ministério da Segurança encontraram quase uma tonelada nas areias da praia de Matapalo, no litoral do Pacífico.

“No passado, a atividade criminal passava sem nos afetar internamente”, conta Zamora. “Mas as parcerias do narcotráfico internacional com os criminosos locais fizeram com que estes últimos fornecessem serviços logísticos e, por fim, foram cooptados pela lógica dessas organizações criminais transnacionais.”

A Unidade de Controle de Contêineres da Costa Rica (UCC), em Moín, o principal porto costarriquenho no Caribe, e a PCD estavam juntas na maior de todas as apreensões em 24 de fevereiro, enquanto inspecionavam 198 contêineres a bordo do “Endeavor Star”, um navio mercante com destino à Europa.

Ao todo, 345 kg de cocaína estavam escondidos em dois dos contêineres, diz Zamora.

“Por meio de um acordo com a UCC, nos deram permissão de abrir todos os contêineres, mesmo que estivessem selados”, conta o ministro.

Este é apenas um dos três principais acordos de apoio assinados pelo Ministério da Segurança para fortalecer a luta contra o narcotráfico.

“Entendemos que isso é uma estratégia multifrente que está dando resultados”, comemora Zamora. “Atingimos uma coordenação histórica entre as forças de terra, mar e ar.”

O Ministério da Segurança também estabeleceu convênios com ONGs de proteção ambiental.

“Graças a eles, vamos ter acesso a um sistema de radar avaliado em US$ 6 milhões (R$ 10,9 milhões)”, ressalta Zamora. “Esses radares, que servem para proteger parques nacionais da pesca ilegal, também servirão para deter o narcotráfico.”

A ONG Mar Viva doou um barco ao SNG no valor de US$ 500.000 (R$ 910.000), acrescentou.

O Ministério da Segurança também assinou um contrato com o Banco Nacional da Costa Rica (BNCR) para a emissão de cartões de débito e crédito dos quais 1% dos saldos irão para a luta contra o crime.

“O dinheiro será usado para a compra de veículos e motocicletas para a polícia”, afirma Zamora. “O cartão estará à disposição do cidadão comum e o percentual será deduzido do banco e do comerciante. É uma forma de promover, através do consumo responsável, o envio de novos recursos ao campo da segurança.”

Zamora também diz que é imperativo que a Costa Rica continue a fortalecer suas parcerias internacionais se quiser prosseguir no êxito contra o narcotráfico.

“Entendemos que é uma luta multinacional, onde o aporte de Estados Unidos, Colômbia e México é muito importante”, assevera.

Enquanto isso, Mauricio Boraschi, o comissário nacional antidrogas da Costa Rica, destaca a importância do Tratado de Patrulha Conjunta assinado com os Estados Unidos.

“Isso mostra claramente que o narcotráfico é uma opção perigosa, que, certamente, só leva a dois caminhos: a cadeia ou a morte”, sentencia.

Os Estados Unidos doaram à Costa Rica US$ 7 milhões (R$ 12,7 milhões) e dois barcos avaliados em US$ 200.000 (R$ 364.000) cada, no ano passado, para reaparelhar suas forças de segurança, revela Zamora.

“O apoio físico que recebemos dos Estados Unidos tem sido vital. Mas eles também colaboram muito com informações e treinamento”, expressa Arias. “Nossa Guarda Costeira recebe treinamento especializado na Colômbia, México e Estados Unidos.”

Arias acrescenta que o Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM) prometeu financiar a construção de um prédio de US$ 1 milhão (R$ 1,82 milhão) na cidade de Flamingo que servirá como central das operações antidrogas do país.

“Quando a criminalidade atravessa a fronteira e leva a insegurança a outros estados, dá a entender que deve-se repensar o conceito de soberania e jurisdição nacional”, assevera Zamora. “A nova forma de compreender a soberania é o apoio conjunto entre os países. Quanto maior, mais poderemos conter o fenômeno do narcotráfico.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.