2012-02-20

Colômbia: Exposição ao ar livre contra violência

O astro do hip-hop Jonathan Uribe (esquerda), um dos “Heróis Sem
					Fronteiras”, e o fotógrafo do projeto, Felipe Mesa, observam as fotos que a
					organização pendurou no bairro El Popular, em Medellín, Colômbia. (Hugo Machín
					para Infosurhoy.com)

O astro do hip-hop Jonathan Uribe (esquerda), um dos “Heróis Sem Fronteiras”, e o fotógrafo do projeto, Felipe Mesa, observam as fotos que a organização pendurou no bairro El Popular, em Medellín, Colômbia. (Hugo Machín para Infosurhoy.com)

Por Hugo Machín para Infosurhoy.com — 20/02/2012

MEDELLÍN, Colômbia – A vida no bairro El Popular, em Medellín, não é mais a mesma.

A razão? Uma galeria de arte ao ar livre na Comuna 1, exibindo 21 fotografias em preto e branco, cada uma medindo 10m x 7m.

Os retratos mostram alguns dos mais de 116.000 moradores de El Popular que melhor refletem os valores de liberdade, tolerância, paz, respeito e cumprimento às leis, todos escolhidos por estudantes locais do ensino fundamental.

As fotos são tão grandes que foram colocadas em fachadas de prédios, tetos e em muros na zona do Vale de Aburrá, onde fica Medellín, uma cidade de cerca de 2 milhões de habitantes. As imagens estão à vista de milhares de pessoas que usam diariamente os teleféricos que conectam os bairros mais pobres com o centro da cidade.

Os retratos fazem parte do “Heróis Sem Fronteiras”, um dos projetos lançados pelo Programa Paz e Reconciliação (PPyR) do governo, co-patrocinado pela Prefeitura de Medellín e pela Presidência da Colômbia, através do Alto Conselho para a Reintegração.

Cinquenta crianças da escola primária Nuevo Horizonte, de El Popular, foram convidadas a escolher seus “Heróis Sem Fronteiras”, pessoas que são conhecidas pelos seus fortes valores e que defendem sua cidade natal.

“Algo que foi uma constante é que todos esses heróis, em algum momento, foram forçados a deixar o bairro, receberam ameaças ou colocaram suas vidas em risco – mas todos voltaram”, conta Felipe Mesa, o fotógrafo que capturou as imagens. “Apesar de suas histórias de violência, essas pessoas amavam seu bairro e o defenderam de uma maneira silenciosa.”

O projeto incluiu uma série de oficinas para as crianças, que aprenderam valores para melhorar a sociedade, explica Juan Pablo Estrada, psicólogo do PPyR.

O psicólogo destaca que os menores nem sempre são “forçados” a optar pelas armas como um caminho. Mas é “sedutor” para eles admirar aqueles na vizinhança que ganham respeito usando armas e tolerando a violência.

A meta do PPyR com o “Heróis Sem Fronteiras” é promover relações não violentas e desencorajar o ingresso de crianças e adolescentes em grupos armados ilegais que operam no bairro.

O PPyR traçou uma estratégia de prevenção, promoção de relações não violentas, coexistência pacífica e uma cultura de legalidade.

“O desafio é romper as fronteiras imaginárias que a violência impõe nessas comunidades”, ressalta Estrada.

Medellín é a cidade onde grupos armados colombianos, incluindo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), mais recrutam menores. É também onde, de janeiro de 2010 a fevereiro de 2012, 380 menores de 17 anos foram assassinados, segundo o Sistema de Informação para Segurança e Coexistência (SISC) da Prefeitura de Medellín.

Jonathan Uribe, um astro do hip-hop de 21 anos que usa sua música para educar os adolescentes, ficou surpreso ao ser escolhido como um dos “Heróis Sem Fronteiras”.

“Queremos ensinar as pessoas e dar [aos jovens] uma percepção diferente”, afirma. “Não só ensino grafite, a dança break ou como ser um ‘mc’ (mestre de cerimônia). Eu os faço estudar história também. À medida que progredimos e avançamos do meu setor para o resto da comuna, as mesmas pessoas [crianças e adolescentes] daqui me dizem: ‘Eu quero seguir seus passos’.”

Outras fotografias incluem uma de Marilin Muñoz, uma estudante de 10 anos de excelente desempenho acadêmico que representa sua escola em Provas de Conhecimento.

Outra homenageada é María Oquendo, uma anciã cujo rosto enrugado reflete sua longa batalha para criar 14 filhos, que sustentou trabalhando como costureira no bairro.

Há também retratos do professor de tango Gilberto Idárraga; do empresário Jader García; do sacerdote Federico Carrasquilla, cuja fé inabalável ajudou a levantar casas no bairro; e dos professores de dança e música Alexander e Giovani Mosquera, entre outros.

“Isso confirma que devemos continuar lutando pela gente do bairro e seguir demonstrando bons exemplos”, conclui Alexander Mosquera.

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