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2011-09-14

América Central: Mais cooperação contra narcotráfico

“A luta contra o comércio de drogas exige um esforço multilateral e a cooperação entre países da região é fundamental”, ressaltou a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, em entrevista coletiva na Cidade do México em agosto. “Os dois países estão comprometidos a fazer tudo o que for necessário para continuar combatendo a delinquência que ameaça nossas pátrias.” (Bernardo Montoya/Reuters)

“A luta contra o comércio de drogas exige um esforço multilateral e a cooperação entre países da região é fundamental”, ressaltou a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, em entrevista coletiva na Cidade do México em agosto. “Os dois países estão comprometidos a fazer tudo o que for necessário para continuar combatendo a delinquência que ameaça nossas pátrias.” (Bernardo Montoya/Reuters)

Por Carlos Strever para Infosurhoy.com—14/09/2011

WASHINGTON, D.C., EUA – O combate aos crescentes problemas da América Central associados ao narcotráfico tem que contar com uma maior cooperação entre os governos da região, segundo a ONG Conselho para Assuntos Hemisféricos (COHA).

O relatório, divulgado em 16 de agosto, destaca ainda o fortalecimento da autoridade civil, o desenvolvimento sustentado e a proteção ambiental como elementos fundamentais no combate ao narcotráfico.

Como resultado da interdição cada vez mais eficaz de rotas de abastecimento da América do Sul para o norte através do Caribe, “os narcotraficantes redirecionaram seu foco para a América Central”, afirma o relatório, compilado pela pesquisadora do COHA Lauren Mathae. “Por sua vez, essa mudança começou a desestabilizar os países do ‘Triângulo Norte’, Guatemala, Honduras e El Salvador.”

Cerca de 60% dos narcóticos produzidos na América do Sul passam pela Guatemala e por suas divisas menos vigiadas com o México. A taxa de homicídios na Guatemala é agora duas vezes mais alta do que no vizinho, ainda segundo o relatório.

O papel da América Central no narcotráfico está se expandindo. A região não é mais usada apenas como ponto de conexão, tendo se transformando em um local com unidades produtoras em expansão.

Em março, a polícia hondurenha descobriu o primeiro laboratório de processamento de cocaína do país, que tinha capacidade de produção mensal de uma tonelada da droga, em uma fazenda de café ao norte da capital do país, Tegucigalpa, informou Lauren.

“Enquanto os carregamentos de drogas aumentam, forças de segurança ineficientes e sem recursos só servem para agravar a proliferação dos cartéis mexicanos”, lamenta.

Cooperação regional

Os governos da região estão trabalhando em conjunto para fortalecer a luta contra o narcotráfico e melhorar a segurança.

“A luta contra o comércio de drogas exige um esforço multilateral e a cooperação entre países da região é fundamental”, ressaltou a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, em entrevista coletiva na Cidade do México em agosto.

Laura esteve no México para discutir com o presidente Felipe Calderón como os dois países poderiam se unir para lidar com as questões de segurança regional.

“Os dois países estão comprometidos a fazer tudo que for necessário para continuar combatendo a delinquência que ameaça nossas pátrias”, afirmou Laura.

Os países-membros do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA) trabalham em 22 projetos que foram discutidos em um encontro regional de segurança na Guatemala.

O SICA é composto por Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, tendo a República Dominicana como membro associado.

Os principais focos dos projetos são prevenção, reabilitação, reintegração, gerenciamento de prisões e fortalecimento institucional, explica William Leiva, assessor de comunicação da sede do SICA em San Salvador, El Salvador.

Todos os 22 projetos devem estar prontos em outubro, quando serão apresentados à Comissão de Segurança Centro-Americana, adianta Leiva.

“O melhor que pode ser feito para aprimorar a situação da América Central é trabalhar sob uma perspectiva regional e isso é o que a estratégia de segurança está fazendo”, ressalta. “Claro que dimensões regionais e nacionais devem ser coordenadas adequadamente e não há razão para pensar o contrário, pois todos os governos centro-americanos estão envolvidos e colaborando.”

Membros do SICA e da Comunidade do Caribe (CARICOM) aprovaram uma declaração conjunta em uma reunião em San Salvador em 19 de agosto que conclama iniciativas coordenadas para melhorar as economias regionais, o desenvolvimento social, a segurança pública, o meio ambiente e a gestão de risco de desastres.

Além de se engajar em negociações sobre um tratado de livre comércio, a declaração estipula que os governos centro-americanos e caribenhos desenvolvam estratégias de combate ao tráfico de drogas, armamentos e pessoas, além de atos de terrorismo.

“Com a implementação de projetos de abrangência nacional, esperamos causar um impacto regional que permita [à América Central] se transformar em um lugar mais seguro para seus cidadãos”, concluiu Luis Torres, da Unidade de Segurança Democrática do SICA.

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