2011-07-18

Peru: Polícia quer acabar com venda ilegal de armamentos

Coronel Arturo Espejo Salinas, chefe de Investigações de Roubo da Direção de Investigação Criminal da polícia peruana: “A maioria dos armamentos confiscados havia sido usada em crimes e são ‘lixados’. Em outras palavras, os criminosos alteram o código de segurança para esconder a identidade do dono da arma.” (Pedro Hurtado para Infosurhoy.com)

Coronel Arturo Espejo Salinas, chefe de Investigações de Roubo da Direção de Investigação Criminal da polícia peruana: “A maioria dos armamentos confiscados havia sido usada em crimes e são ‘lixados’. Em outras palavras, os criminosos alteram o código de segurança para esconder a identidade do dono da arma.” (Pedro Hurtado para Infosurhoy.com)

Por Pedro Hurtado Cánepa para Infosurhoy.com—18/07/2011

LIMA, Peru – Autoridades peruanas reforçaram a luta contra o tráfico de armamentos.

“Nós sabemos que há tráfico de armamentos ligado ao crime organizado”, afirmou Alfredo Miranda Benavides, chefe da Direção Geral de Serviços de Segurança, Controle de Armas, Munição e Explosivos de Uso Civil (DICSCAMEC).

A polícia vem investigando o mercado negro, onde muitas vezes armas são vendidas ilegalmente, por anos, mas autoridades reconheceram que ainda é fácil para os criminosos comprarem armamentos.

“Há um ‘mercado negro’ que fornece armamentos para assaltantes, jovens membros de gangues e grupos organizados”, revelou Federico Tong Hurtado, psicólogo social e especialista em questões de segurança. “Tudo isso está contribuindo para a profissionalização daqueles que encontraram na violência um meio de sobreviver.”

Policiais destruíram um total de 21.318 armas de fogo – principalmente carabinas (539), escopetas (1.828), pistolas (2.321), revólveres (8.090), pistolas semiautomáticas (5) e fuzis (94) – desde 2007, segundo a DICSCAMEC.

O governo peruano tem um programa que derrete armas ilegais e as transforma em aço para fabricação de ferramentas.

O coronel Arturo Espejo Salinas, chefe de Investigações de Roubo da Direção de Investigação Criminal da polícia peruana, afirma que “a maioria dos armamentos confiscados havia sido usada em crimes e são ‘lixados’, ou seja, os criminosos alteram o código de segurança para esconder a identidade do dono da arma.”

Espejo explicou que, dependendo do tipo, modelo e estado da arma de fogo, organizações criminosas podem vendê-las por US$ 50 a US$ 500 (R$ 78,68 a R$ 786,75).

Segundo a Pesquisa Nacional de Vítimas de 2011 feita pela Ciudad Nuestra, uma ONG, 10,9% dos peruanos declararam que foram ameaçados por alguém com uma arma.

Gino Costa, presidente do Ciudad Nuestra e ex-ministro do Interior, destacou que a capital, Lima, é palco de uma das mais altas taxas de vítimas por domicílio na América Latina (41,3%), bem acima das taxas em outras cidades como Santiago, Chile (30%) e Buenos Aires, Argentina (39%).

As percentagens representam o número de pessoas por família que foram vítimas de crime nos últimos 12 meses.

Só esse ano, 324 homens e 26 mulheres pertencentes a um total de 141 organizações criminosas dedicadas a sequestro, roubo, assalto e tráfico de armamentos foram presos em Lima, segundo autoridades.

“Nos anos 80, a tendência de organizações criminosas ou delinquentes comuns era assaltar transeuntes imobilizando-os ou aplicando uma chave-de-braço”, lembrou Federico Tong, que atuou como consultor das Nações Unidas em questões ligadas ao combate às drogas e ao crime. “Agora, [essas organizações usam] armas nos assaltos.”

A maioria dos armamentos entra no Peru através da Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Venezuela, Equador e Brasil, segundo a ONG costa-riquenha Fundação Arias para a Paz e o Progresso Humano.

Os traficantes usam pequenas embarcações pesqueiras ao longo da costa peruana. Eles desmontam as armas para facilitar o transporte e as remontam ao chegar ao destino final.

No Peru, compradores devem ter pelo menos 18 anos de idade e apresentar um certificado provando que não possuem antecedentes criminais e são considerados mentalmente capazes pelo ministério da Saúde, além de pagar uma taxa de licenciamento de US$ 24 (R$ 37,76), antes de poderem comprar armas de fogo legalmente por 5 anos.

Aqueles considerados culpados de fabricar e manter armas de forma ilícita, ou de vender armas ilegais, podem ser condenados a penas que variam entre 6 a 15 anos de prisão.

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.