2011-07-11

Honduras: Governo e ONGs mantêm crianças longe do crime

Suyapa Núñez, diretora do Instituto Hondurenho da Infância e Família (IHNFA): “Em troca de dinheiro, comida e abrigo, o crime organizado está usando crianças para cometer crimes, incluindo tráfico de drogas e armas.” (Gianni Rosas para Infosurhoy.com)

Suyapa Núñez, diretora do Instituto Hondurenho da Infância e Família (IHNFA): “Em troca de dinheiro, comida e abrigo, o crime organizado está usando crianças para cometer crimes, incluindo tráfico de drogas e armas.” (Gianni Rosas para Infosurhoy.com)

Por Gianni Rosas para Infosurhoy.com—11/07/2011

TEGUCIGALPA, Honduras – O governo hondurenho está trabalhando para evitar que crianças pobres sejam atraídas pelo crime organizado e por grupos de narcotraficantes.

O recrutamento de menores por organizações criminosas é uma dura realidade nesse país dominado pela violência, onde 58,8% de seus 7,4 milhões de habitantes vivem na pobreza, segundo o Banco Mundial.

“Em troca de dinheiro, comida ou abrigo, o crime organizado está usando crianças para cometer crimes, incluindo tráfico de drogas e armas”, disse Suyapa Núñez, diretora do Instituto Hondurenho da Infância e Família (IHNFA).

Em 2010, foram 77 homicídios para cada 100.000 habitantes, segundo a Comissão Nacional para Direitos Humanos de Honduras (CONADEH).

O país ainda é palco de 17 assassinatos por dia, informou a CONADEH.

De acordo com um relatório da ONG britânica Covenant House, que trabalha com jovens em situação de risco em Honduras, 264 pessoas de 23 anos de idade ou menos morreram em consequência da violência no primeiro trimestre de 2011, sendo que 62 tinham menos de 18 anos.

Há pelo menos 216.000 crianças em situação de vulnerabilidade pelo país, segundo o IHNFA.

O IHNFA considera uma criança vulnerável quando um dos pais, ou ambos, não está presente, ou quando a criança não possui parentes conhecidos ou tutores e trabalha em vez de frequentar a escola.

Mas o governo não possui recursos suficientes para ajudar todas as crianças.

O orçamento do INHFA para 2011 é de 18 milhões de lempiras (R$ 15,46 milhões), e 89% vai para o pagamento de salários, revelou Suyapa.

“Fazemos o que podemos para apoiar nossos programas, principalmente a distribuição de alimentos, clínicas de desintoxicação para menores e um veículo que usamos para resgatar crianças em áreas de alto risco”, explicou.

Os programas do INHFA alcançam cerca de 9.000 crianças pelo país, segundo suas estatísticas.

Autoridades governamentais estão buscando formas de apoiar o INFHA e outros programas de alcance social para crianças, em um esforço para conter a onda crescente de violência no país centro-americano.

“Se os programas sociais não alcançarem essas crianças, elas continuarão vítimas de uma situação que deixará ao país um legado de mais crime e mais violência", alertou o deputado Mario Alexander Barahona.

“Todos os legisladores deveriam estar cientes do que podem fazer para apoiar os esforços conjuntos não só do governo, mas das ONGs e das organizações religiosas", acrescentou Barahona.

A sinergia entre as instituições governamentais ajudou o IHNFA a alcançar mais crianças necessitadas, afirmou Javier López, consultor para o Programa Nacional de Prevenção Social, Reabilitação e Reinserção do país, uma iniciativa do governo hondurenho para promover a inclusão social.

“Trabalhando com o Instituto Nacional da Juventude, a Polícia Nacional e o IHNFA, ajudamos crianças e adolescentes a evitar uma vida de crimes", ressaltou. “Nós também temos limitações financeiras, mas com algumas doações ajudamos crianças de 12 anos ou mais a ter acesso à educação."

O governo hondurenho está também tentando aprovar punições mais duras para os condenados por exploração infantil.

“Estamos reformando o código penal para punir aqueles que cometem esses atos terríveis", garantiu o ministro da Segurança, Óscar Álvarez, em entrevista coletiva. “Crianças devem estar na escola e não nas ruas ou sendo exploradas por terceiros.”

Várias ONGs entraram em cena para ajudar a manter crianças em um ambiente seguro e longe de uma vida de crime e desamparo.

O “Nuestros Pequeños Hermanos” (Nossos Irmãozinhos), mantido por doadores estrangeiros e particulares, proporciona cuidados a cerca de 450 crianças em situação de risco pelo país, informou María José Cerrato, porta-voz da ONG.

A organização trabalha sob a premissa de que uma educação sólida e princípios morais são fundamentais para evitar que crianças entrem para a criminalidade, ressaltou María José.

“Ensinamos princípios morais desde o início", destacou. “As crianças são alimentadas, educadas e ajudadas para não contrair vícios. À medida que crescem, algumas delas participam de aulas de formação profissional que as ajudam a conseguir um trabalho mais tarde.”

A Compartir (Compartilhar), outra ONG, passou os últimos 20 anos educando crianças necessitadas para que se tornem membros produtivos da sociedade.

“Educamos crianças entre 5 e 18 anos de idade”, informou Rosa María Nieto, diretora da Compartir. “Trabalhamos com professores e instrutores para ajudar crianças em áreas como educação básica e nutrição.”

A Compartir ainda opera uma rede de bibliotecas ambulantes que leva livros às crianças que, de outra forma, não teriam acesso à leitura, explicou Rosa.

“Recentemente, recebemos uma remessa de livros da Espanha”, acrescentou, "e outra doação da Biblioteca Real da Suécia.”

Rosa ressaltou que a Compartir tem uma trajetória sólida de sucesso.

, concluiu.

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1 Comentário

  • Olman Del Arca | 2011-09-29

    isso é algo que há muito tempo deveria ter sido feito para que muitos jovens de gangues ou viciados não estivessem nessa situação e muitos são obrigados a ser ladrões por falta de dinheiro ou, melhor dizendo, de recursos econômicos