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2011-06-08

Membros da AMERIPOL vão compartilhar inteligência

Comissário de polícia Nelson Campos Escalante, chefe nacional da AMERIPOL em El Salvador: "Países com mais recursos, como México e Colômbia, disseram que ajudariam no treinamento e compartilhariam alguns recursos. Mas cada país, mesmo os mais pobres, deve investir em segurança. Temos que confiar na polícia local e coordenar." (Ezequiel Vinacour para Infosurhoy.com)

Comissário de polícia Nelson Campos Escalante, chefe nacional da AMERIPOL em El Salvador: "Países com mais recursos, como México e Colômbia, disseram que ajudariam no treinamento e compartilhariam alguns recursos. Mas cada país, mesmo os mais pobres, deve investir em segurança. Temos que confiar na polícia local e coordenar." (Ezequiel Vinacour para Infosurhoy.com)

Por Raúl Barreno Castillo para Infosurhoy.com—08/06/2011

SALINITAS, El Salvador – Com compromissos de maior cooperação e compartilhamento de recursos, a Comunidade de Polícias das Américas (AMERIPOL) encerrou sua 4ª assembleia geral na cidade balneária 105 km a oeste de São Salvador em 7 de junho.

A organização é composta pelas forças policiais da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

A AMERIPOL busca promover e fortalecer a cooperação entre organizações policiais nas Américas, aprimorando o treinamento de policiais, desenvolvendo trocas eficazes de inteligência e coordenando investigações criminais.

O encontro, paralelo à 41ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), teve como foco a capacitação de policiais e a promoção da troca de informações entre os países-membros no combate ao crime organizado no hemisfério.

“Precisamos enfatizar esforços conjuntos para combater o crime organizado”, declarou o presidente salvadorenho Mauricio Funes. “Ao mesmo tempo, é necessário descontaminar as instituições de segurança pública e justiça, evitando a penetração do crime organizado.”

O presidente da AMERIPOL, Leandro Daiello Coimbra, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, assinaram um acordo de cooperação em 4 de junho “para desenvolver iniciativas que fortaleçam as instituições regionais responsáveis por garantir a segurança pública”, declarou a OEA em nota oficial.

O pacto, assinado em 4 de junho como parte das atividades da 41ª Assembleia Geral da OEA, busca destacar a importância da cooperação para promover a segurança pública nas Américas, afirmou Insulza.

“A cooperação com a polícia é fundamental nos programas que queremos desenvolver na região para combater o crime transnacional", completou.

Coimbra acrescentou: “Esse é um dos acordos mais importantes que já assinamos. A possibilidade de, em conjunto com a OEA e governos nacionais, podermos combater o crime transnacional e promover a cooperação entre nossas forças de segurança está se tornando mais real.”

O comissário de polícia Nelson Campos Escalante, chefe nacional da AMERIPOL em El Salvador, afirmou que a organização nunca se desviou do seu principal objetivo.

“Desde a criação da AMERIPOL, há 4 anos, nosso objetivo principal é a capacidade de responder ao problema da criminalidade na região", explicou Escalante. "Entendemos que precisamos combater o crime através de um esforço conjunto. A situação da criminalidade [na região] não é mais um problema de um bairro, uma cidade ou um país. É um problema regional. Há traficantes de drogas, por exemplo, que têm filiais de seus negócios em todo o continente. Outro exemplo são os roubos de carros: Tivemos um caso em que encontramos veículos roubados na Alemanha circulando aqui [em El Salvador]."

Campos acredita que a capacitação de agentes e o compartilhamento de informações entre forças policiais na região são cruciais para o sucesso da AMERIPOL.

“Cada país tem as próprias realidades históricas e específicas", lembrou Campos. “Em El Salvador, por exemplo, temos uma força policial muito capaz, relativamente bem aproveitada, mas que ainda precisa melhorar muito para combater o crime à altura. A Nicarágua tem uma boa base em policiamento comunitário. A maioria das forças policiais conta com bons recursos, nem todos eles financeiros.”

Campos acrescentou: "Países com mais recursos, como México e Colômbia, disseram que ajudariam no treinamento e compartilhariam alguns recursos. Mas cada país, mesmo os mais pobres, deve investir em segurança. Temos que confiar na polícia local e coordenar."

A AMERIPOL vê melhoras na forma como os países estão treinando sua força policial, afirmou Campos.

“Uma das coisas que estamos fazendo é melhorar e agilizar os treinamentos”, explicou. “Nesses 4 anos, trabalhamos com outras forças policiais na região, como os Carabineros do Chile, que gozam de grande reconhecimento internacional, para capacitar policiais de outros países em sua academia de polícia.

Campos ressaltou que é fundamental que os países trabalhem juntos no combate ao crime organizado.

“Temos que acabar com as fontes de receita das organizações criminosas. Elas possuem grandes recursos decorrentes de suas atividades ilícitas", afirmou. “Precisamos atacar essas fontes de renda e estancá-las, precisamos combater crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro. E, para fazer tudo isso, precisamos de recursos técnicos e financeiros, que devemos desenvolver.”

E, acima de tudo, os países devem compartilhar informações sobre o crime organizado na região.

“Precisamos de planos conjuntos para lutar contra o crime organizado", ratificou Campos. “Por exemplo, na América Central, estamos combatendo roubos de carro consolidando bancos de dados com o apoio da Interpol. Em El Salvador, a empresa encarregada do registro de veículos possui um banco de dados com informações de carros que foram roubados. Cruzamos esses dados com outros bancos de dados na América Central e encontramos carros roubados aqui que foram levados ao exterior. Compartilhar informações tem ajudado a frustrar a legalização fraudulenta de carros roubados.”

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