2010-10-12

Resgate dos mineiros chilenos soterrados é iminente

Familiares e amigos de Darío Arturo Segovia aguardam ansiosos seu resgate com cartazes de boas-vindas e fotos de família. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Familiares e amigos de Darío Arturo Segovia aguardam ansiosos seu resgate com cartazes de boas-vindas e fotos de família. (Marta Escurra para Infosurhoy.com)

Por Marta Escurra para Infosurhoy.com—12/10/2010

COPIAPÓ, Chile – Espera-se que o resgate dos 33 mineiros soterrados a cerca de 700 metros de profundidade inicie às 20h de 12 de outubro, informou o ministro da Mineração, Laurence Golborne.

“É bem provável que seja na quarta-feira, se tudo correr bem. Caso contrário, pode ser na quinta-feira ou mesmo antes", disse ele.

Na mina de ouro e cobre San José e no Campo 'Esperanza', o acampamento formado ao redor da mina, as esperanças eram grandes no fim de semana passado, quando 90 metros do forro do túnel de resgate ficaram prontos.

“Descartamos um dos tubos porque tinha um pequeno defeito", disse Gerardo Jofré, presidente da empresa estatal Corporação Nacional de Cobre do Chile. "Por menor que seja [o defeito], nossa prioridade é a segurança".

O pesadelo que os 33 mineiros – 32 chilenos e um boliviano – estão vivendo começou em 5 de agosto, quando um desabamento os prendeu dentro da mina, localizada a cerca de 800 km ao norte de Santiago.

Alguns deles tinham acabado de entrar na mina para começar o turno, e outros, como Darío Arturo Segovia, 48 anos, estavam se preparando para ir embora.

“Estávamos esperando por ele para comemorar o aniversário de 5 anos da filha mais nova, Andrea", disse Lilia Alvarado, 58, que criou Segovia depois que ele perdeu os pais aos 5 anos de idade. “Mas ele não veio.”

Darío Arturo Segovia, e os outros colegas presos na mina, serão resgatados nas cápsulas Fénix I e II, dois dos três modelos fabricados pelo estaleiro ASMAR da Marinha chilena, que serão erguidas alternadamente, cada uma levando 12 minutos para içar cada mineiro até a superfície.

A cápsula será içada por um guindaste com capacidade para 400 toneladas e presa a um cabo de aço para evitar que gire.

“Eles vão se sentir como se estivessem em uma montanha russa", comentou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Segundo ele, os 33 mineiros foram divididos em três grupos: os habilidosos, os fracos e os fortes. Sem revelar nomes, ele informou que os quatro mineiros mais habilidosos, que serão resgatados primeiro, já foram escolhidos.

“Precisamos dos mais habilidosos para que eles nos descrevam a situação durante a subida", disse. "Assim, poderemos ajustar o que for preciso.”

O segundo grupo a subir será o dos mineiros enfraquecidos, que têm problemas de saúde como diabetes e pressão alta.

É provável que Luis Urzúa venha a ser o mineiro a estabelecer o recorde mundial de tempo dentro de uma mina. Urzúa, um topógrafo de 54 anos, tornou-se líder do grupo.

“Todos querem ser o último", disse Mañalich, acrescentando que, nas horas anteriores ao resgate, os mineiros entrarão em dieta de líquidos para evitar enjoos durante a subida.

O pior risco que os mineiros correm é a queda de pressão ou a falta de oxigênio. Na segunda-feira, foram realizados testes com as cápsulas vazias para avaliar sua eficácia e medir o nível de oxigênio e de umidade ao longo do túnel.

As cápsulas, que medem cerca de 2,5 m de altura, pesam 250 kg e têm diâmetro de 53 centímetros, são equipadas com um sistema de ventilação e quatro tanques de oxigênio que os mineiros usarão no nariz em caso de emergência.

Os mineiros vão passar as duas primeiras horas após o resgate em uma clínica improvisada, onde se submeterão aos exames iniciais. Depois, serão transportados de helicóptero até o Hospital Regional de Copiapó, uma viagem que levará de nove a 12 minutos, dependendo do clima, disse Aldo Carbone, chefe do grupo de pilotos de helicóptero.

No hospital, os mineiros passarão 48 horas em observação, pois não veem a luz do sol há dois meses, e passaram todo esse tempo em um ambiente com temperatura de 30 graus centígrados e 90% de umidade.

“Será uma mudança abrupta", disse Mañalich.

“Estão cuidando deles como bebês, e logo nascerão de novo”, declarou Cristian Campillay, um mineiro de 37 anos de idade.

Colaboração dos Estados Unidos

Em 9 de outubro, o Campo Esperanza ficou exultante ao saber que a perfuradora Schramm T-130 conseguiu escavar os 622 metros de profundidade e 66 centímetros de largura que permitirão içar os mineiros até a superfície.

São os americanos Jeff Hart, 40 anos, e Matt Stafeard, 29, que operam a T-130.

“[Conseguir furar até o fim] foi uma sensação indescritível, não existem palavras para explicar", disse Hart, que é da cidade de Denver.

Jofré destacou a colaboração internacional ao longo de todo o esforço de resgate, que vai custar US$10 milhões (R$ 16,6 milhões), segundo o governo do Chile.

“Os Estados Unidos estão presentes desde o primeiro instante em que os jornais noticiaram que os 33 mineiros estavam vivos", disse Jofré.

A Agência Espacial Americana (NASA) forneceu os capacetes equipados com os microfones e os fones de ouvido que os mineiros usarão durante a subida. A NASA também forneceu cintos biométricos para medir o pulso, a respiração e os níveis de oxigênio durante o resgate, além de alimentos.

O psicólogo Alberto Iturra, que, juntamente com cinco colegas, passou os dois últimos meses oferecendo apoio emocional aos 33 mineiros via videoconferência, informou que estão todos saudáveis e ansiosos por estarem com suas famílias.

Não obstante, os mineiros e seus entes queridos passarão por um processo de readaptação.

“Eles vão aprender a dizer não quando não quiserem algo, ou a expressar suas emoções", informou Iturra. "Não sofrerão nenhum trauma porque não estão doentes.”

O retorno dos mineiros à rotina cotidiana pode levar cerca de seis meses, mas o que as famílias querem agora é tê-los em casa.

“Não me importa como é que ele vai sair", disse María Segovia. “O importante é que ele saia.”

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