2010-08-25

Guerrilhas e traficantes de drogas causam impacto ambiental

Traficantes em operação no Peru estão contaminando rios e desmatando a parte sudeste da selva para cultivar coca, denunciam autoridades. (Aizar Raldes/AFP/Getty Images)

Traficantes em operação no Peru estão contaminando rios e desmatando a parte sudeste da selva para cultivar coca, denunciam autoridades. (Aizar Raldes/AFP/Getty Images)

Por César Morales Colón para Infosurhoy.com—25/08/2010

WASHINGTON, D.C., EUA – Desmatamento de vastas áreas de selva.

Poluição de rios, lagos e lagoas.

Matança de animais.

Tudo são impactos ambientais causados pela guerrilha e tráfico de drogas na América Latina.

“Mais de 300 mil hectares de floresta tropical são destruídos por ano na Colômbia para o cultivo de coca, predominantemente controlado por grupos ilegais, incluindo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)”, disse o ex-vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, numa convenção de policiais em Belfast, no Reino Unido, segundo o jornal londrino The Guardian.

“Cheirar um grama de cocaína equivale a destruir 4 metros quadrados de floresta tropical”, disse Santos. “E a floresta não pertence apenas à Colômbia, mas a todos os que vivem neste planeta. Portanto, todos nós devemos nos preocupar. Mas isso não é tudo. O dinheiro que você gasta comprando cocaína vai parar nas mãos das FARC, de grupos ilegais que plantam minas, que sequestram, que matam, que usam o terrorismo para proteger seus negócios.”

Nos últimos 25 anos, mais de dois milhões de hectares (20 mil quilômetros quadrados) de floresta foram dizimados para a produção de cocaína na Colômbia, segundo o embaixador do país na Argentina, Álvaro Eduardo García.

“É uma área do tamanho de Israel", disse o ex-vice-presidente no programa de notícias DefTV, da TV argentina. “Para cada hectare devastado e queimado, 380 toneladas de biomassa são reduzidas a cinzas e sedimentos. A cada ano, cerca de 40 mil hectares de floresta são destruídos como consequência direta da produção de drogas.”

Indústria da coca prejudica meio ambiente do Peru

Tráfico de drogas e outras operações ilegais também impactam meio ambiente do Peru.

Traficantes em operação no país andino estão contaminando rios e desmatando a parte sudeste da selva para cultivar coca, denunciam autoridades.

Os narcotraficantes destroem entre 7.400 e 8 mil hectares anualmente no vale dos rios Ene e Apurímac, conhecida como a região do VRAE.

As folhas de coca são usadas para produzir cocaína, mas muitos produtos químicos são envolvidos no processo e, depois, descartados nos rios. O Peru produz 304 toneladas de cocaína por ano, atrás apenas da Colômbia, a maior produtora.

Fernán Valer, secretário de um projeto do governo para incentivar cultivos alternativos na região para substituir o de coca, disse que 76% da cocaína do país sai de plantações no VRAE.

“Espécies da fauna e flora de grande valor econômico estão sendo extintas", afirmou Valer, segundo o site brasileiro G1.com.

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