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2010-03-22

Cabrera pode ser primeiro ex-presidente da Guatemala extraditado para EUA

O quinto tribunal da Guatemala aceitou pedido dos EUA para extraditar o ex-presidente Alfonso Portillo Cabrera para Nova Iorque, onde deve enfrentar acusações de lavagem de dinheiro. (Orlando Sierra/AFP/Getty Images)

O quinto tribunal da Guatemala aceitou pedido dos EUA para extraditar o ex-presidente Alfonso Portillo Cabrera para Nova Iorque, onde deve enfrentar acusações de lavagem de dinheiro. (Orlando Sierra/AFP/Getty Images)

Por Heidi Pineda para Infosurhoy.com – 22/03/2010

CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala – Foram 12 horas de deliberações, mas o quinto tribunal do país chegou a uma decisão histórica: extraditar o ex-presidente de Guatemala Alfonso Portillo Cabrera para os Estados Unidos para enfrentar acusações de lavagem de dinheiro.

Os juízes determinaram que o pedido dos EUA tinha “elementos de prova suficientes” para justificar a extradição do ex-presidente para Nova Iorque, onde um alto júri federal deve lhe acusar de lavagem de US$ 70 milhões durante sua administração, de 2000-2004.

Nos últimos 20 anos, sete guatemaltecos foram extraditados para os Estados Unidos, mas o caso de Portillo Cabrera deve marcar a primeira vez que um ex-presidente será mandado para o sistema judicial americano.

Mas antes de viajar para os EUA, Portillo Cabrera enfrentará um tribunal na Guatemala, onde ele será acusado de ter aprovado a transferência de cerca de US$ 15 milhões em fundos do país para o departamento de defesa, onde o dinheiro foi embolsado por funcionários.

“O processo pode se tornar uma guerra legal bem longa, dependendo de como a defesa irá geranciá-lo,” disse Carmen Aída Ibarra do Movimento Pró Justiça. “Por isso, antes de mandar Portillo Cabrera para os EUA, meses ou até anos podem se passar.”

Por enquanto, Portillo Cabrera ficará numa prisão de segurança máxima, ao lado de prisioneiros perigosos, resultado de sua apreensão em janeiro por ordem de autoridades dos EUA, que alegam fraudes durante o seu mandato. Portillo Cabrera chegou ao México em 2005 após seu pedido de imunidade ter sido negado e, em outubro de 2008, ele acabou sendo preso por autoridades mexicanas e extraditado para a Guatemala.

O advogado de Portillo Cabrera, Telésforo Guerra, afirma que seu cliente vai apelar da decisão do tribunal.

Entretanto, Efraín Ríos Montt, que lidera o partido Frente Republicano da Guatemala, antes encabeçado por Portillo Cabrera, disse: “Como amigo dele – e eu não sinto culpa por isso – eu fico nervoso, eu sinto aflição e às vezes sem influência para mudar a situação.”

Portillo Cabrera alega que ele é um alvo dos EUA porque ele não apoiou a guerra contra o Iraque enquanto era presidente.

“Se isso fosse uma luta de boxe, essa seria a primeira de nove rodadas”, comentou o analista político Gabriel Orellana numa entrevista de rádio.

Ronaldo Robles, o secretário de comunicações sociais de Guatemala, disse que o presidente, Álvaro Colom, “não interferirá na decisão do tribunal”, como já ratificou.

“Temos aqui um processo judicial para investigar, fazer análises e depois os advogados do estado apresentarão denúncias – e as denúncias que o Portillo Cabrera enfrentará não serão influenciadas por politicos”, afirmou Stephen G. McFarland, embaixador dos Estados Unidos na Guatemala. “A inocência ou culpa de pessoas que enfrentam acusações devem ser determinadas por procedimentos judiciais.”

Amílcar Velázquez Zárate, advogado geral de Guatemala, comentou que a decisão não viola nenhum acordo internacional, e as alegações contra Portillo Cabrera foram apoiadas com forte evidência. Guerra, advogado de Portillo Cabrera, afirma que a decisão viola a constituição do país e será baseada em pressão política em vez de evidência.

O caso já dividiu o país, principalmente os residentes da capital.

“Portillo Cabrera lutava pelos pobres. Não sei por que eles querem pegá-lo,” Guillermo Peralta disse. “Se ele tivesse governado pelos ricos como outros presidentes, já seria um homem livre.”

Lorena Quiñonez, uma dona de casa, acrescentou: “Isso [me causa dor em ver] que eles estão magoando ele assim porque gosto dele.”

“Se ele for culpado, deixe-o pagar pelos crimes, mas é importante que o processo justo seja seguido”, disse Mario Salvatierra, um engenheiro civil.

Sebastián Nájera acrescentou: “Concordo plenamente com a extradição. Basta de os corruptos conseguirem poder só para nos roubar”.

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1 Comentário

  • Elizabeth | 2014-03-19

    O importante aqui é cumprir o devido processo legal e não passar por cima da lei, nem agir com conveniência política: basta fazer o que a lei diz.