2010-03-08

Michelle Bachelet quer pena de dois a cinco anos para saqueadores

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, quer saqueadores na prisão. (Claudio Santana/AFP/Getty Images)

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, quer saqueadores na prisão. (Claudio Santana/AFP/Getty Images)

Por Jon Gallo para Infosurhoy.com — 08/03/2010

CONCEPCIÓN, Chile – No dia em que a polícia chilena anunciou que iria realizar buscas nas residências se os saqueadores não devolvessem bens roubados após o terremoto, a presidente, Michelle Bachelet, declarou que iria aplicar prisão de dois a cinco anos para os saqueadores, segundo a The Associated Press. A ameaça produziu efeito, já que as pessoas lotaram caminhões com colchões, máquinas de lavar, secadoras, máquinas de lavar louça e TVs de plasma, que foram levados ao quartel onde cerca de US$ 2 milhões de mercadorias foram classificadas para serem devolvidas às lojas. “Estes itens não estão relacionados à sobrevivência – eles refletem o dano moral das pessoas, algumas das quais vieram somente para encontrar coisas que poderiam levar”, disse Bachelet à AP, acresentando que o governo irá levar a julgamento proprietários de lojas que aumentaram os preços nas cidades que foram destruídas pelo terremoto ou tsunamis. Horas após o Chile ter sido atingido por um terremoto de 8,8 de magnitude no dia 27 de fevereiro, milhares de pessoas, incluindo idosos e crianças, atacaram lojas e esvaziaram prateleiras. O saque foi atribuído à grande diferença social no Chile, um dos países mais ricos da América do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o salário médio é de US$ 3,2 mil por mês, mas cerca de 20% da população recebe apenas a média de US$ 340 mensais.

Teleton ‘Chile ajuda o Chile’ arrecada quase US$ 60 milhões

O teleton “Chile ajuda o Chile” da semana passada arrecadou $30,1 bilhão de pesos chilenos (US$ 59,1 milhão). A marca é o dobro da meta dos organizadores, segundo a Business Week. O evento, que foi apresentado por Mario Kreutzberger, mais conhecido como “Don Francisco”, durou 25 horas e contou com a presença da então presidente, Michelle Bachelet, cujo mandato termina em 11 de março, e do presidente-eleito, Sebastián Piñera. O teleton recebeu grandes doações de empresas privadas, atletas, forças armadas e das famílias. A família Luksic de Santiago foi a maior doadora, com $2,75 bilhões de pesos (US$ 5,3 milhões), de acordo com o jornal El Mercurio. A família Luksics é a maior investidora do Banco do Chile, da cervejaria CCU e da da Mineradora Antofagasta, tendo sido classificada como a família mais rica do país pela revista Forbes no ano passado. Lan Airlines, a maior linha aérea da América Latina, na qual Piñera detém 11% de participação, doou $ 600 milhões de pesos (US$ 1,8 milhões), e o presidente Horst Paulmann, da cadeia varejista Cencosud, doou $1 bilhão de pesos (US$ 1,97 milhões), de acordo com El Mercurio. A empresa mineradora Anglo American anunciou a doação de US$10 milhões.

Fortes chuvas e baixas temperaturas se somam à miséria do chileno

Os sobreviventes do terremoto e tsunami do Chile ainda sofreram com chuvas fortes e temperaturas baixas em 8 de março, o que tornou a vida ainda mais difícil para os desabrigados devido ao desastre natural. Trinta cidades foram severamente atingidas pelo terremoto ou tsunami – ou ambos – e, segundo a The Associated Press, estima-se que 500 mil casas foram destruídas. A maioria dos desabrigados do país reside em abrigos paliativos feitos de lonas e lençóis, até que as autoridades determinem quais edifícios são estruturalmente seguros. Existe uma grande preocupação de que o mau tempo provoque e espalhe doenças, o que pode levar a grandes transtornos, já que a maioria dos hospitais do país foram danificados pelo terremoto e tsunamis. “Esta é a última coisa que precisamos, de que chova”, lastimou à AP Magdalena Cuevas, de 48 anos, que mora com seus filhos em uma barraca armada no parque de Concepción. “Há crianças que ficaram doentes aqui.” Enquanto isso, o grupo voluntário Um Teto para o Chile utiliza doações para construir 30 mil casas pequenas pré-fabricadas durante os próximos seis meses. Cada casa terá paredes de madeira e telhado de alumínio, mas medem apenas 2,75 x 1,82 m e não tem banheiro. O plano é construir casas comunitárias com banheiros e cozinhas comunitárias, até que as casas permanentes sejam reconstruídas, informou Gabriel Prudencio, representante do grupo em Concepción. “Como sociedade temos que estar em um lugar emergencial, até que todos sejam capazes de ter suas casas novamente”, declarou Prudencio, que aguarda a chegada de materiais nos próximos dois dias.

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