2009-12-18

Lula frustrado com falta de acordo global em Copenhagen

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa após reunião sobre questões ambientais em Manaus em 26 de novembro de 2009. Lula retornou da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas desapontado com a falta de consenso global. (GERARD CERLES/AFP/Getty Images)

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa após reunião sobre questões ambientais em Manaus em 26 de novembro de 2009. Lula retornou da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas desapontado com a falta de consenso global. (GERARD CERLES/AFP/Getty Images)

Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com — 18/12/2009

RIO DE JANEIRO, Brasil – Além de apresentar ao mundo o compromisso brasileiro na redução dos gases causadores do efeito estufa, o Brasil esperava ter influenciado mais as metas ambientais de outras nações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu frustrado da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague. O encontro, que durou 12 dias, terminou sem que um acordo global fosse firmado.

“Não é aceitável que os países que são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas sejam as primeiras vítimas", disse Lula. “A convenção estabeleceu a obrigação das nações desenvolvidas oferecerem apoio tecnológico e financeiro para os países em desenvolvimento. Agora é a hora de agir. O veredito da história não salvará aqueles [líderes] que não cumprirem com suas responsabilidades agora”.

Lula fixou metas para a redução das emissões de dióxido de carbono entre 36,1% e 38,9% até 2020, insistindo que os países ricos forneçam financiamento às nações em desenvolvimento, ajudando-as a contribuir com a luta contra o aquecimento global.

Em seu último discurso em Copenhagen, Lula disse ainda que o Brasil poderia inclusive repassar recursos a um fundo internacional para ajudar as nações mais pobres a reduzirem suas emissões.

“O Brasil deixa a conferência como protagonista – não somente porque o país representa a Floresta Amazônica, um patrimônio da humanidade – mas também por ter apresentado metas claras, o que muitos países desenvolvidos não fizeram”, disse o presidente do Instituto do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), Luiz Firmino Martins Pereira.

Para cumprir sua promessa de diminuir as emissões entre 36,1% e 38, 9% até 2020, o Brasil planeja reduzir o desmatamento da Região Amazônica em até 80%, com base num crescimento de 5% do Produto Intero Bruto (PIB). Lula afirma que a iniciativa custará ao país US$ 160 bilhões.

Uma vez que o Brasil nunca antes havia apresentado metas para redução das emissões de CO2, as altas aspirações brasileiras já são um passo positivo, na avaliação do diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado.

Mas Furtado não espera que o governo vá atingir suas metas.

“O fato de as metas brasileiras não estarem restritas ao desmatamento, incorporando também outros setores, como energia e agricultura, é muito positivo”, disse Furtado. “Mas os números apresentados são muito ambiciosos e, de acordo com alguns setores, a análise foi superestimada.”

As metas para a redução das emissões brasileiras foram anunciadas pela Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e reiteradas por Lula no dia 14 de novembro – antes mesmo de o governo receber dados sobre suas emissões atuais.

A informação só foi entregue ao governo no dia 25 de novembro pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). As emissões de gases causadores do efeito estufa aumentaram em 62% — mais do dobro da média global de 28% — entre 1990 e 2005, de acordo com o relatório do MCT.

Os números deram ao Brasil dados concretos para apoiar as ambiciosas metas formalmente assumidas em Copenhague.

O aumento acelerado nas emissões de CO2 ultrapassaram muito o crescimento da economia do país. Durante os 15 anos cobertos pelo estudo, o PIB cresceu 47,4%, mas as emissões de gases de efeito estufa subiram para 62,2% durante o mesmo período.

Mais de 2,2 bilhões de toneladas de gases foram lançados na atmosfera somente em 2005, de acordo com o estudo do MCT.

“Esse resultado era esperado. Nenhum país em desenvolvimento tem como diminuir o ritmo”, disse Carolina Dubeux, do Instituto Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que coordenou um estudo sobre o impacto financeiro das emissões de dióxido de carbono. "O ideal para esses países é continuar crescendo, mas optando por práticas agrícolas mais racionais, energia limpa e outras medidas unindo crescimento e meio ambiente.”

O Brasil pode perder de R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões até 2050 se nada for feito para reduzir suas emissões de CO2, conforme mostra o estudo realizado por Carolina e uma equipe de profissionais de universidades, institutos federais e centros de pesquisas. O estudo alega que a maior parte dos estragos seria nas regiões Nordeste e Amazônica.

Pesquisadores também preveem que toda a agricultura do país será atingida significantemente, além da redução entre 29,3% e 31,5% na capacidade de geração de energia hidelétrica.

“Achei [a iniciativa do Brasil] muito oportuna", disse Carolina. "[Fiquei] menos [impressionada] pelo número, mas principalmente por que quebra aquela velha prática dos países em desenvolvimento de só ficar acusando os desenvolvidos pela emissão dos gases, enquanto os desenvolvidos dizem que nada podem fazer se os menos desenvolvidos não colaboram."

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1 Comentário

  • Robinson | 2009-12-26

    Saudações a todos os seres humanos que formam esta sociedade! Quero dizer que, se todos lutássemos para fortalecer os interesses espirituais, e não os materiais, teríamos a solução para proteger o mundo em que vivemos. Somos os únicos seres que pensam em acumular e guardar riquezas materais, ter mais do que merecemos e, por isso, não compartilhamos o conceito de sacrificar nossas riquezas pelo bem dos outros. Esse é o motivo que não permite que os líderes deem esse passo para reduzir o aquecimento global que está afetando o planeta e toda a humanidade.