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2010-12-22

Chile: Indústria do Cinema em franca expansão

“O cinema chileno evoluiu notavelmente”, disse o ator chileno Jorge Araneda. “Os filmes feitos aqui… há dez anos tinham boa qualidade, mas hoje em dia, tecnicamente e em termos de roteiro, superam o que foi feito antes.” (Juan Esteban Rojas para Infosurhoy.com)

“O cinema chileno evoluiu notavelmente”, disse o ator chileno Jorge Araneda. “Os filmes feitos aqui… há dez anos tinham boa qualidade, mas hoje em dia, tecnicamente e em termos de roteiro, superam o que foi feito antes.” (Juan Esteban Rojas para Infosurhoy.com)

Por Juan Esteban Rojas para Infosurhoy.com— 22/12/2010

SANTIAGO, Chile – O ator Jorge Araneda disse saber por que o cinema chileno vem recebendo aclamação mundial depois que filmes como “Machuca”, “Taxi para Tres” e “La Nana” foram indicados para o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 2009.

“O cinema chileno evoluiu notavelmente”, disse ele. “Os filmes feitos aqui… há dez anos tinham boa qualidade, mas hoje em dia, tecnicamente e em termos de roteiro, superam o que foi feito antes.”

Foram lançados 25 filmes nacionais esse ano no Chile.

Araneda, que esteve no elenco de diversos filmes nacionais, disse que a criatividade está brotando no cinema chileno, mas a escassez de verbas impede que atinja seu potencial.

“O Chile tem alto nível de qualidade [no cinema] na América do Sul – só os filmes argentinos e brasileiros superam os chilenos. Mas isso acontece, em grande parte, porque eles têm mais verbas e porque há mais atores e diretores nesses países.”

Os filmes chilenos têm recebido aclamação internacional e já ganharam vários prêmios nos últimos dez anos. “El Chacotero Sentimental”, a história de um polêmico locutor de rádio, ganhou o prêmio da plateia do Festival de Cinema de Chicago 2000, e “Tony Manero”, sobre um assassino obcecado pelo personagem de Travolta em “Os Embalos de Sábado à Noite”, ganhou os prêmios principais dos festivais de cinema de Istambul e Varsóvia em 2008.

Mas os filmes premiados não fizeram sucesso nas bilheterias locais.

O fraco resultado nacional é atribuído ao brilho dos filmes estrangeiros e à inexistência de leis que promovam os filmes chilenos no país.

“Esse foi um ano bem estranho para os filmes nacionais”, disse Antonella Estévez, jornalista e fundadora do site cinematográfico chileno cinechile.cl. “Apesar dos prêmios que alguns ganharam no exterior, a renda [no Chile] foi baixíssima em comparação aos anos anteriores.”

O percentual de cinéfilos que assistiram filmes chilenos encolheu de 8% para 3% entre 2009 e 2010, informou Estévez.

“Não se pode dizer que todos os filmes chilenos são ruins. Com todos os prêmios ganhos no exterior, é infundado o mito de que o cinema latino-americano é de baixa qualidade”, disse ele.

Segundo Estévez, 2010 foi um ano produtivo para o cinema chileno, principalmente em consequência de filmes aclamados pela crítica, como o do diretor Matías Bize, “La Vida de los Peces” (A Vida dos Peixes), a história de um exilado à procura de um amor perdido há tempos, e o do diretor Pablo Larraín, “Post Mortem”, uma história de amor ambientada na época do golpe militar.

“Adorei 'Mandrill', filme de ação/artes marciais bem divertido”, declarou Estévez. “O problema é que ninguém foi assistir. Mas acho que se sairá bem no exterior. Não se pode negar que os filmes chilenos recentes tratam de uma vasta gama de assuntos.”

A inexistência de leis que regulamentem o cinema do Chile o deixa em desvantagem em comparação com o cinema de outros países da América Latina, disse Alejandro Trejo, que tem mais de 20 anos de experiência no cinema chileno.

O Chile não tem leis que promovam e protejam os cineastas nacionais, com salvaguardas para evitar que os filmes saiam de cartaz poucos dias após a estreia nos cinemas do país.

“O maior obstáculo que enfrentamos aqui é legislativo”, disse Trejo. “Ao contrário do que acontece na Argentina, no Brasil e no México, não existem leis no Chile que protejam os filmes nacionais. Na Argentina, se um cinema parar de exibir um filme em menos de uma semana, o cinema pode ser processado e [os proprietários do cinema] não poderão fazer nada a respeito. Isso não acontece no Chile, portanto há filmes que não duram uma semana em cartaz, então pouca gente tem a oportunidade de assistir.”

Mas Trejo está muito esperançoso com relação ao cinema nacional, pois os temas e os aspectos técnicos dos filmes chilenos estão melhorando com a nova geração de cineastas.

“Adoro o trabalho de Larraín”, disse Trejo. “Acho que 'Tony Manero' e 'Post Mortem' são filmes excelentes, que retratam uma era que ainda precisamos superar no Chile. A ditadura é algo que ainda está presente na nossa vida. É fantástico um diretor de 30 anos de idade, que não viveu aquele período, se interessar em expressar aqueles dias na tela. Creio que, pouco a pouco, o cinema chileno vai se tornando uma indústria formidável. Acho que o cinema chileno, assim como todo o cinema latino, continuará a crescer e se tornar uma forma de expressão cada vez mais forte.”

Esta reportagem está fechada para comentários e avaliações.

1 Comentário

  • EVER LUIS CANCÉ | 2010-12-23

    Eles têm 25 filmes cuja qualidade ainda deve ser vista, se eles ganharem um Oscar, fazer um filme é fácil, agora, que seja bom é outra questão, saudações