2012-01-18

Telefonia móvel avança mais rápido que o previsto na América Latina

Cena corriqueira nos tradicionais cafés de Buenos Aires: frequentadores, como Isabel Luini, 28, (direita) e Jéssica Gómez, 20, usam celulares para atualizar o perfil em sites de mídia social. (Eduardo Szklarz para Infosurhoy.com)

Cena corriqueira nos tradicionais cafés de Buenos Aires: frequentadores, como Isabel Luini, 28, (direita) e Jéssica Gómez, 20, usam celulares para atualizar o perfil em sites de mídia social. (Eduardo Szklarz para Infosurhoy.com)

Por Ligia Hougland para Infosurhoy.com – 18/01/2012

WASHINGTON D.C., EUA – Em 1998, a previsão era de que demoraria 176 anos para que o acesso à telefonia móvel na América Latina e no Caribe chegasse aos níveis dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dez anos depois, a estimativa caiu para nove anos, de acordo com a previsão de economistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com base em dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da Organização das Nações Unidas.

Entre as 29 nações membros da OCDE, estão países como Alemanha, Japão, Finlândia, Austrália e Estados Unidos.

Dados de 2010 recentemente divulgados pela UIT mostram que a região seguiu avançando.

O salto em telefonia móvel na Argentina e no Panamá foi tão grande, que a média de usuários do serviço por cada 100 habitantes – 141,8 e 184,7, respectivamente – ultrapassou a da Alemanha (127) em 2010.

A densidade da telefonia celular na Argentina e no Panamá em 2010 é mais alta inclusive que a densidade média atual dos países industrializados (117,8), segundo a UIT, que ainda não tem dados de 2011 para a América Latina e o Caribe.

Para uma população de 3,5 milhões de habitantes, o Panamá tem 6,4 milhões de aparelhos celulares em uso – quase dois per capita, segundo a Secretaria Nacional de Serviços Públicos do país (ASEP). O mercado é disputado pelas operadoras Cable & Wireless, Movi Star, Digicel e Claro.

“Alguns têm mais de três celulares com várias operadoras para buscar as melhores tarifas”, disse Edwin Rivera, coordenador de vendas de uma loja da Claro na Plaza 5 de Mayo na Cidade do Panamá, que vende cerca de 120 aparelhos por mês.

Brasil, Argentina, Colômbia, México, Venezuela e Chile concentram 75% dos celulares em serviço na América Latina, segundo Eduardo Tude, presidente do Teleco, site brasileiro especializado em telefonia.

No terceiro trimestre de 2011, a região tinha 619,9 milhões de telefones móveis em uso, uma densidade de 100,6 celulares por 100 habitantes, segundo o Teleco.

No fim de 2010, a densidade de telefonia móvel já era superior a 100 por 100 habitantes em 98% dos países da região, sendo que densidade média mundial era de 86,7%, segundo a UIT.

A evolução na adoção dos dispositivos móveis e de novas tecnologias de comunicação e informação segue o mesmo ritmo na maioria dos países latino-americanos, diz Tude.

“Isso acontece, entre outros fatores, pela presença na região de grupos mundiais de telefonia, como o mexicano América Móvil e o espanhol Telefónica”, completa. “A chegada da tecnologia de terceira geração (de telefonia móvel, o 3G), por exemplo, aconteceu praticamente ao mesmo tempo em todos.”

Outros destaques na região são Costa Rica e Guiana. Os dois países saltaram de uma densidade de 41,7 e 59,6, respectivamente, em 2008, para 65,1 e 73,6, em 2010, segundo a UIT.

Nos países com maior adesão ao sistema pré-pago, a densidade tende a ser mais alta – caso da América Latina, diz Tude.

O Brasil ilustra bem a expansão da densidade de telefonia móvel graças ao sistema pré-pago. Dos 236,08 milhões de acessos móveis em serviço no país, 81,65% são pré-pagos, conforme dados de novembro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

“A competição é muito forte no Brasil, com quatro players de peso atuando em cada região”, diz Tude, que aponta tendência de continuidade de crescimento mesmo em países com alta densidade.

Acesso à informática ainda é limitado na região

Mas a velocidade de expansão da infraestrutura de acesso à telefonia móvel na maioria dos países da região não foi acompanhada pela popularização do acesso à informática.

No fim da década de 90, a UIT previa que a América Latina e o Caribe precisariam de 130 anos para alcançar os países da OCDE em número de computadores por cada 100 habitantes.

Uma década depois, a previsão do BID passou para 140 anos.

A ampliação do acesso à Internet também foi mais lenta que o previsto pelos economistas do BID.

Em 1998, os países latino-americanos e caribenhos estavam, em média, 75 anos atrás das nações da OCDE. Em 2008, a diferença chegou a 80 anos.

“Há um aspecto heterogêneo em termos do acesso à tecnologia entre os países da América Latina e do Caribe”, diz Samuel Berlinski, economista argentino pesquisador sênior do BID.

Berlinski é um dos autores da publicação do BID “Development Connections: Unveiling the Impact of New Information Technologies”(“Conexões do Desenvolvimento: Revelando o Impacto das Novas Tecnologias da Informação”), que analisa o impacto das novas tecnologias de informação no desenvolvimento da região.

O estudo do BID mostra que cada país está avançando em ritmo próprio, com disparidades na implementação e no acesso às novas tecnologias.

Na Argentina, no Chile e no Uruguai, por exemplo, o acesso às chamadas Tecnologias de Comunicação e Informação (TCI) – computadores, Internet, telefonia fixa, banda larga e telefonia móvel – está mais perto dos níveis dos países desenvolvidos.

Por outro lado, Bolívia e Guatemala estão muito atrás das economias avançadas, principalmente em termos de acesso à Internet e número de residências com computador.

Apenas 3,9% das residências bolivianas têm acesso à Internet e 17% contam com computador, segundo dados de 2010 da UIT. Na Guatemala, 3% das residências têm acesso à Internet e 15,8% dos lares dispõem de computador.

Somente 12 de cada 100 bolivianos acessam a Internet, mas apenas 1 de cada 100 tem acesso à Internet em casa, segundo a Fundação Redes para o Desenvolvimento Sustentável (Redes), que atua na promoção do acesso às novas tecnologias no país.

O custo é um dos principais entraves à popularização dos serviços de Internet na Bolívia: US$ 300 por Mbps contra US$ 17,7 no Panamá, aponta o Observatório Regional de Banda Larga da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL).

No índice Net Index, que compara as velocidades de download de usuários residenciais em quase todo o mundo, a Bolívia ocupa o penúltimo lugar (0.58 Mbps), atrás apenas da Zâmbia (0.52 Mbps). Na Estônia, primeiro do ranking, a velocidade é de 42.6 Mbps.

Para discutir estratégias de promoção às novas tecnologias no país, será realizado o “I Encontro Nacional para Promover a Conectividade na Bolívia” em 25 de janeiro, em La Paz.

Destaques regionais

Em 2010, a média mundial de moradias com computador nos países desenvolvidos era de 71,1%, com 66,5% dos lares dispondo de acesso à Internet. Trinidad e Tobago (53,1%), Costa Rica (41,3%) e Brasil (34,9%) são os destaques regionais em número de moradias com computador.

Chile (35%), Uruguai (33,3%) e Brasil (27,1%) lideram o ranking de moradias com acesso à Internet na região, conforme a UIT .

Desde 2008, a UTI também divulga um ranking de 152 nações com base no Índice de Desenvolvimento de TCI, o IDT. Os países da região com melhor IDT em 2010 são Uruguai (54ª colocação), Chile (55ª) e Argentina (56ª).

Paraguai (99ª colocação), Bolívia (102ª) e Guatemala (108ª) são os países da América Latina com menor IDT.

*Diego Rosso contribuiu de Cochabamba, Bolívia; Patricia Knebel contribuiu de Porto Alegre, Brasil e Rogelio Cordóva contribuiu de Cidade do Panamá, Panamá.

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1 Comentário

  • Waldo Morales | 2012-01-24

    Pertenço a um grupo de 25 distribuidores que trabalharam com a Claro Chile e eles me enganaram. Agora há um outro número significativo de distribuidores que vão se retirar porque também foram enganados. Solicitamos um auditor do México para investigar, mas a gerência da Claro Chile não quer porque sabem que eles vão encontrar muitas irregularidades. A Claro Chile não quer devolver as propriedades que deixamos como garantia, nem o dinheiro que eles nos devem. Estamos entrando com uma ação coletiva contra a Claro Chile nos tribunais de justiça para recuperar nosso patrimônio. Durante todo esse tempo não podemos ganhar dinheiro mas pelo contrário, porque a política da Claro é que o distribuidor se endivide com eles para ficar com as garantias. Novos distribuidores, tenham cuidado porque no começo tudo parece muito bonito e eles lhe oferecem todo o ouro do mundo, mas como o tempo você não consegue sair porque já está endividado com eles.