2011-10-13

Imigração para o Brasil em expansão

A engenheira de sistemas Andrea Coronel, uma boliviana de 31 anos, está entre os latino-americanos que encontraram oportunidades de trabalho no Brasil graças ao boom de investimentos no setor petrolífero. (Cortesia de Andrea Coronel)

A engenheira de sistemas Andrea Coronel, uma boliviana de 31 anos, está entre os latino-americanos que encontraram oportunidades de trabalho no Brasil graças ao boom de investimentos no setor petrolífero. (Cortesia de Andrea Coronel)

Por Danielle Melo para Infosurhoy.com—13/10/2011

RIO DE JANEIRO, Brasil – O crescimento da economia brasileira, associado à escassez de mão de obra especializada está atraindo cada vez mais trabalhadores estrangeiros para o país.

No primeiro semestre, o número de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros alcançou a marca de 26.545 – um salto de 19% em relação a igual período de 2010, segundo dados oficiais.

Quem lidera a lista são os norte-americanos, que “exportaram” 4.312 trabalhadores para o Brasil entre janeiro e junho passados. O número é quase o dobro do segundo colocado no ranking, os filipinos, que somaram 2.294 trabalhadores. Em seguida, vêm os britânicos, com 2.079.

A maior parte desses profissionais vem ao Brasil para trabalhar na indústria do petróleo, que é a principal responsável pela recente onda de diversidade de sotaques em solo brasileiro.

“O aumento progressivo do número de autorizações de trabalho concedidas está relacionado ao aumento dos investimentos no Brasil, com destaque para o segmento de óleo e gás e energia, caracterizado pela aquisição de equipamentos no exterior e implantação no país de novas empresas de capital estrangeiro”, diz Aldo Cândido Costa Filho, da Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego.

Até 1999, o setor de óleo e gás era monopólio da petrolífera estatal Petrobras. A partir daquele ano as concorrentes estrangeiras timidamente passaram a atuar no Brasil.

Atualmente, elas já são 36 e veem no país uma grande chance de crescimento, após a descoberta das gigantes reservas de petróleo abaixo da camada de sal, o chamado pré-sal.

O problema é que o ritmo de formação de engenheiros de petróleo e outras profissões afins não acompanhou a velocidade dos investimentos. E os poucos que se formavam no país no passado acabavam buscando melhores oportunidades no exterior.

Daí a necessidade atual de se importar mão de obra.

“Por muitos anos, perdemos capital humano. Agora, voltamos a crescer e temos que buscar esses recursos lá fora”, diz o especialista em mercado de trabalho Lauro Ramos, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). “No curto prazo, isso é uma solução, não um problema. Mas é preciso investir em qualificação local também, para que os brasileiros participem da futura distribuição de riqueza que esse crescimento econômico vai gerar.”

O boom econômico brasileiro – mesmo em meio à crise econômica global, projeta-se expansão de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2011 – também tem atraído os vizinhos latino-americanos.

Nenhum país da região está entre os dez maiores exportadores de mão de obra para o Brasil, mas Venezuela, Colômbia e Peru têm enviado cada vez mais trabalhadores para o gigante latino-americano.

Só no primeiro semestre de 2011, 537 venezuelanos obtiveram visto de trabalho. Ao longo de todo o ano de 2010, 562 profissionais da Venezuela obtiveram o aval do governo brasileiro para trabalhar no país.

A concessão de visto de trabalho para os peruanos cresceu 7% – totalizando 182 autorizações – nos primeiros seis meses do ano. Para os colombianos, aumentou 10% no período.

O setor de petróleo, além do turismo, é o chamariz.

Para os demais países da região, como Argentina, Chile e Bolívia, o número de vistos caiu.

Mas isso não significa que há menos argentinos ou chilenos trabalhando no país, explica Costa Filho.

Isso porque as estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego não contabilizam estrangeiros que obtiveram o direito de residência no país, o que os isenta de solicitar visto especial para trabalhar.

Apenas os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – Argentina, Paraguai e Uruguai – e os associados do bloco (Chile e Bolívia) têm esse privilégio, conforme o “Acordo sobre residência para nacionais dos Estados Partes do Mercosul”, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2009.

Com o acordo, qualquer pessoa de uma dessas nacionalidades pode estabelecer residência em quaisquer dos Estados signatários, independentemente de estarem em situação migratória regular ou irregular.

No Brasil, basta então fazer o requerimento junto à Polícia Federal e apresentar a documentação exigida: passaporte ou documento de identidade válido e certidão negativa de antecedentes criminais, além do pagamento de uma taxa de R$ 124, 23 pela emissão da Carteira de Identidade de Estrangeiro.

Inicialmente, o governo brasileiro concede uma residência temporária de dois anos, que pode ser renovada por tempo indeterminado.

No caso do visto de trabalho, as autorizações devem estar vinculadas à empresa onde o estrangeiro vai trabalhar. Em 90% dos casos, as concessões são temporárias, ou seja, de até dois anos.

“Analisamos todos os casos individualmente, sendo verificado se há algum indício de substituição de mão de obra brasileira”, afirma Costa Filho. “Nos casos em que se constata algum prejuízo à oferta de vagas a brasileiros, os processo são indeferidos.”

A engenheira de sistemas Andrea Coronel, 31, está entre os bolivianos que se beneficiaram do boom de investimentos no setor petrolífero brasileiro.

Atraída por uma oportunidade profissional desafiadora e um salário duas vezes maior, Andrea mudou-se para o Rio de Janeiro em setembro.

Ela agora trabalha para australiana Karoon Gas, que irá explorar petróleo na promissora Bacia de Campos – área onde as reservas do pré-sal foram encontradas.

A urgência na contratação de profissionais qualificados é tanta, que Andrea foi entrevistada e contratada por videoconferências no Skype.

“Foi tudo muito rápido”, diz Andrea, que trabalhava na Argentina para a espanhola Repsol YPF.

Andrea deve permanecer no Brasil por um ano e planeja visitas mensais à família, em Santa Cruz de la Sierra.

Fluente em português, ela diz que não enfrentou dificuldades para solicitar seu visto de trabalho, devido ao acordo assinado pelo Brasil com os vizinhos do Mercosul, Bolívia e Chile.

“Estou ansiosa para ver o petróleo jorrar do mar”, conta. “É um desafio muito grande, são grandes reservas.”

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2 de Comentários

  • Eudes | 2011-12-08

    O petróleo no momento, é o que esta alavancando nosso pais!

  • pompeu lopes silva | 2011-11-30

    é bom saber q o brasil está ficando cada vez mais acolhedor aos trabalhadores estrangeiros. e o progrécio muito maior q o esperado........