2010-12-23

América Latina exibe crescimento econômico em 2010

“O grande desafio para a região é recuperar sua capacidade de tomar ações anticíclicas e criar condições para o desenvolvimento produtivo que não seja baseado exclusivamente na exportação de produtos básicos”, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL. (Jairo Castilla/Reuters)

“O grande desafio para a região é recuperar sua capacidade de tomar ações anticíclicas e criar condições para o desenvolvimento produtivo que não seja baseado exclusivamente na exportação de produtos básicos”, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL. (Jairo Castilla/Reuters)

Por Adrián Martínez para Infosurhoy.com – 23/12/2010

SANTIAGO, Chile – As economias da América Latina estão com a saúde boa e, com raras exceções, devem fechar o ano com forte crescimento, pouco mais de um ano depois do auge da crise financeira global, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

“As medidas anticíclicas adotadas por vários países depois da crise financeira global tiveram um impacto positivo no crescimento de suas economias”, escreveu a CEPAL no relatório “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2010”, apresentado na capital do Chile em 13 de dezembro.

A organização multilateral estima um crescimento de 6% para a América Latina em 2010, uma melhora significativa sobre o 1,9% de 2009, de acordo com o relatório.

O relatório aponta o Paraguai como o país latino-americano com a maior taxa de crescimento para 2010, com 9,7%, seguido por Uruguai (9%), Peru (8,6%) e Argentina (8,4%). A estimativa de crescimento para o Brasil é de 7,7%, enquanto México e Chile devem crescer 5,3%.

As economias do México e da América Central, juntas, devem crescer 4,9% esse ano, com um crescimento previsto para os países caribenhos de língua inglesa e holandesa de 0,5%, segundo a CEPAL.

O Haiti, que teve sua economia e infraestrutura destruídas por um terremoto devastador e uma epidemia de cólera que já matou mais de 2.500 pessoas, deve contrair 7%. A Venezuela, que passou por uma desvalorização da sua moeda, além do racionamento de eletricidade e água, deve encolher 1,6%.

Riscos à vista

O crescimento econômico previsto para a América Latina esse ano pode desacelerar em 2011, segundo os analistas.

“O grande desafio para a região é recuperar sua capacidade de tomar ações anticíclicas e criar condições para o desenvolvimento produtivo que não seja baseado exclusivamente na exportação de produtos básicos”, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL.

O aumento do fluxo de capital no curto prazo, uma valorização excessiva das moedas da América Latina, e um aumento no preço de produtos básicos podem tornar as economias da região mais vulneráveis, de acordo com a CEPAL.

Economistas compartilham preocupações da CEPAL

Joseph Ramos Quiñones, professor da Escola de Economia da Universidade do Chile, disse que a valorização da moeda de um país latino-americano pode causar uma queda nas exportações desse país.

“Os problemas que vemos à frente com as taxas de câmbio é que podem afetar o crescimento das exportações no médio prazo”, explicou Ramos. “Mas no curto prazo, ou seja, em 2011, o que prevalecerá será o efeito expansivo criado pelos altos preços das exportações.”

Quiñones, no entanto, está otimista que várias das maiores economias latino-americanas continuarão crescendo no próximo ano.

“Acredito que Peru, Argentina, Uruguai e Brasil crescerão mais de 5% em 2011”, previu o economista. “O Chile enfrenta praticamente os mesmos riscos de outros países. Ainda assim, para 2011, eu acho que não há nada que impeça o [crescimento econômico] projetado de 6%, que será puxado pela forte demanda interna, apoiada pela reconstrução.”

Carlos García Toledo, professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade Alberto Hurtado em Santiago, disse que os países latino-americanos estão tomando medidas para evitar outra crise.

“Eu destacaria, sem dúvida, o caso do Brasil, que lutou muito para evitar a alta excessiva de sua moeda”, afirmou García Toledo. “A Colômbia também vem seguindo políticas sensatas que a deixam bem posicionada para enfrentar futuros choques externos.”

Luis Felipe Madariaga, economista da Universidade Nacional Andrés Bello, destacou que os países com maior crescimento econômico são também os mais estáveis politicamente, destacando o Brasil, México, Peru e Chile.

“No caso do Peru, a condução da economia nos últimos anos produziu bons resultados, mantendo altos os preços das commodities”, disse Madariaga. “O [Peru] vem fortalecendo a sua economia paulatinamente, e os riscos que o país enfrenta são basicamente econômicos e não políticos.”

Madariaga observou que os países que não estão tão estabilizados politicamente colocam sua economia em risco, apontando para Venezuela e Argentina, que possui uma dívida externa enorme.

A maior ameaça que o Chile enfrenta vem de “outros setores de exportação, como vinícolas e agropecuária, que precisam de cautela maior no manejo de projetos de investimento em 2011”, alertou Madariaga.

“Quanto ao Chile, o principal efeito será a valorização do peso e suas consequências sobre as exportações”, finalizou Madariaga.

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