2010-12-14

Uruguai: Taxa de pobreza caiu 3,3% em um ano

Andrés Scagliola, diretor nacional de Políticas Sociais do Ministério do Desenvolvimento Social, disse que é de suma importância investir no atendimento a crianças de até 3 anos de idade para que possam ter um desempenho satisfatório ao longo da sua educação escolar.  (Ana Pais for Infosurhoy.com)

Andrés Scagliola, diretor nacional de Políticas Sociais do Ministério do Desenvolvimento Social, disse que é de suma importância investir no atendimento a crianças de até 3 anos de idade para que possam ter um desempenho satisfatório ao longo da sua educação escolar. (Ana Pais for Infosurhoy.com)

Por Ana Pais para Infosurhoy.com—14/12/2010

MONTEVIDÉU, Uruguai – O país reduziu a sua taxa de pobreza de 14% para 10,7%, enquanto a taxa de população indigente caiu de 3,5% para 2% de 2008 para 2009, o que o torna a nação com a menor taxa de pobreza da América Latina, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

A queda de 3,3% na taxa de pobreza do Uruguai é atribuída mais ao crescimento da renda média individual (2,1%) do que à distribuição de renda (1,2%), de acordo com o relatório Panorama Social da América Latina da CEPAL, que analisou as taxas de pobreza e de indigência de 18 países da América Latina.

Andrés Scagliola, diretor nacional de Políticas Sociais do Ministério do Desenvolvimento Social (MIDES), afirmou que três fatores principais contribuem para a queda da taxa de pobreza.

O primeiro é o aumento do salário mínimo mensal, que, desde que o partido Frente Amplio chegou ao poder em 2005, subiu de US$ 105 para US$ 240 (R$ 177 para R$ 406).

O segundo fator, explicou Scagliola, é a restauração das negociações coletivas na sociedade civil nos últimos cinco anos, cujos resultados devolveram à classe trabalhadora seu poder de compra, perdido durante a crise econômica de 2002.

Finalmente, ele disse que o novo sistema tributário implementado pela Frente Amplio causou um impacto positivo na distribuição de renda.

Novos empregos

Verónica Amarante, uma pesquisadora do Instituto de Economia da Escola de Ciências Econômicas da Universidad de la República, disse que outro fator a se considerar é o cenário positivo do mercado de trabalho.

A taxa média de desemprego no Uruguai foi de 7,3% em 2009, enquanto em 2008 foi de 7,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“O Uruguai tinha uma tendência crescente à desigualdade. Mas, em 2008 e 2009, ela começou a cair moderadamente pela primeira vez desde 1995", explicou Verónica.

Políticas sociais são fundamentais

Scagliola disse que as políticas econômicas durante o mandato do ex-presidente Tabaré Vázquez enfatizaram as questões sociais.

O "Plano Justo", implantado pela administração Vázquez, reformulou o modelo de assistência social, acrescentou Scagliola. O plano destina fundos para programas de alfabetização de adultos, e para o "cartão alimentação", que paga mensalmente entre US$ 24 e US$ 65 (R$ 41 e R$ 110) aos uruguaios mais necessitados, baseado no número de filhos menores de 18 anos vivendo na residência.

Os gastos públicos no Uruguai em 2008 correspondiam a 21,7% do produto interno bruto (PIB), um pouco menos do que foi gasto em 2007, 22%, mas bem acima dos gastos em 2004, 19,5%, segundo um relatório divulgado esse ano pelo Observatório Social de Programas e Índices do MIDES.

Os três principais setores que mais se beneficiaram com os gastos foram segurança e assistência social (50,8%), saúde (20,6%) e educação (17,3%), ainda segundo o Observatório do MIDES.

Crianças e idosos

José Enrique Fernández, secretário executivo do Centro Uruguaio para Dados e Estudos (CIESU), uma usina de ideias que analisa questões econômicas e sociais, disse que há um desequilíbrio “entre risco e bem-estar entre as gerações".

“O maior investimento que o governo faz em relação à previdência social é para os idosos, que possuem os menores indicadores de pobreza", concluiu ele.

Fernández acrescentou que o governo precisa focar nas crianças e nos adolescentes, pois eles serão os responsáveis em contribuir para o desenvolvimento do país.

Mas Fernández destacou a importância dos programas do MIDES, como a construção de salas de aula para alunos da pré-escola (“Salas de aula para crescer”). Adolescentes ingressando ou voltando a frequentar o ensino médio também utilizam as salas de aula (“Salas de aula comunitárias”).

Scagliola afirmou que os gastos públicos com infância e adolescência são cerca de 30%.

“Sabemos hoje que uma criança que não é cuidada ou não recebe estímulo cognitivo precoce, nutrição e saúde do nascimento aos 3 anos de idade provavelmente … repetirá de ano no ensino fundamental e acabará excluída do sistema educacional no ensino médio”, finalizou ele.

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