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2009-12-03

Mexicano José Emilio Pacheco ganha Prêmio Cervantes

O escritor mexicano José Emilio Pacheco ganhou o Prêmio Cervantes 2009, o mais prestigiado das letras hispânicas.

O escritor mexicano José Emilio Pacheco ganhou o Prêmio Cervantes 2009, o mais prestigiado das letras hispânicas.

3 de dezembro

CIDADE DO MÉXICO, México — Por ser “um poeta excepcional da vida cotidiana”, o mexicano José Emilio Pacheco foi declarado vencedor do Prêmio Cervantes 2009, que muitos consideram o Nobel da literatura em língua espanhola. Ao anunciar o escolhido, o júri mencionou sua "grande capacidade de criar um mundo próprio" e afirmou que "pode-se definir o idioma inteiro" em sua obra.

Esta é a quarta vez que o Prêmio Cervantes, cujo valor total é de US$ 185 mil, vai para um mexicano. Antes de Pacheco, Octavio Paz, Carlos Fuentes e Sergio Pitol também o receberam.

A importante premiação foi uma surpresa para Pacheco. "Imaginem a minha surpresa... Estou muito grato e muito emocionado", disse ele à AFP. Depois de se declarar "atônito" e "pasmo", Pacheco dedicou o prêmio a todos os escritores mexicanos.

Segundo a agência EFE, o júri destacou, entre as qualidades de Pacheco, seu "distanciamento irônico da realidade", seu conhecimento linguístico e sua condição de excelente poeta que, contudo, também é um "narrador da maior relevância".

Nascido na Cidade do México em 1939, a Reuters lembra que o poeta, romancista, ensaísta e tradutor publicou seus primeiros trabalhos na revista Medio Siglo. Na ampla lista de obras de Pacheco, destacam-se "O repouso do fogo" (1966), "Não me perguntes como passa o tempo" (1969) e "Desde então" (1980). Ao lado de Carlos Motiváis, o escritor também dirigiu a revista da Universidade Autônoma do México e lecionou em diversas universidades em seu país, nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra.

Pacheco traduziu para o castelhano obras de Tennessee Williams, Samuel Beckett, T.S. Eliot e Oscar Wilde. Também é especialista de literatura mexicana do século XIX e um apaixonado pelo idioma espanhol, além de grande defensor da língua, conforme afirmou a AFP.

Para demonstrar isso, o júri escolheu um de seus poemas, "En defensa de la ñ" ("Em defensa do enhe"), para anunciar o prêmio: "Este animal que grunhe com enhe de unha/ é totalmente intraduzível./ Perderia a ferocidade de sua voz/ e a eloquência de suas garras/ em qualquer língua estrangeira".

De acordo com a EFE, os principais adversários de Pacheco este ano foram os também mexicanos Fernando del Paso, Ana María Matute e Elena Poniatowska. "Ele é um escritor que unifica a língua, pois sua obra representa muito bem a poesia de qualquer país de língua espanhola", afirmou o poeta Luis García Montero ao falar sobre a característica que deu vantagem a Pacheco.

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