2009-09-22

Morales tranquiliza investidores espanhois

Rainha Sofia (esq.) e Rei Juan Carlos (dir.) conversam com Evo Morales, presidente da Bolívia, antes do jantar oferecido no Palácio Real de Madri no dia 14 de setembro de 2009.

Rainha Sofia (esq.) e Rei Juan Carlos (dir.) conversam com Evo Morales, presidente da Bolívia, antes do jantar oferecido no Palácio Real de Madri no dia 14 de setembro de 2009.

Pastor Landívar

Quarta-feira, 23 de setembro de 2009

LA PAZ, Bolívia ― Durante recente visita oficial de três dias à Espanha, o presidente boliviano Evo Morales firmou um acordo com o governo espanhol para receber o perdão tácito pela dívida de US$ 77 milhões que a Bolívia tem com o país europeu. Ao voltar ao país, Morales garantiu que sua viagem serviu para inspirar um clima de confiança junto às empresas espanholas que fizeram investimentos na Bolívia.

Já o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu que Morales estabeleça uma estrutura jurídica clara na Bolívia para que as empresas do seu país possam dar continuidade aos seus investimentos. O Rei Juan Carlos I da Espanha também reforçou o mesmo pedido e, de acordo com o jornal El Deber, lembrou que o seu país é a maior fonte de assistência financeira prestada à Bolívia.

Após o jantar com a realeza espanhola, Morales tranquilizou seus anfitriões e garantiu que a história do passado ficará no passado. Com essa frase, o presidente de origem indígena colocou um ponto final no discurso contra a colonização da América por parte da Espanha, à qual se referiu em várias ocasiões como uma invasão ou um genocídio.

A Bolívia está se preparando para as eleições de 6 de dezembro para presidente e a Câmara dos Deputados. Pela primeira vez na história do país, os bolivianos que moram no exterior poderão votar.

Dessa maneira, o jornal El Deber relata que Morales aproveitou sua estadia na Espanha para se dirigir a um eleitorado de cerca de 30 mil pessoas. Diante de centenas de imigrantes do seu país em Madri, o presidente boliviano prometeu que negociará com Zapatero a legalização dos imigrantes que se encontram em situação irregular na Espanha.

Segundo a agência EFE, durante o Fórum Nova Economia, Morales reiterou que seu país quer ter sócios comerciais, não patrões e ofereceu às empresas espanholas uma oportunidade de investir na exploração e industrialização dos recursos naturais do seu país, principalmente nas jazidas de lítio que se encontram no deserto salgado de Uyuni.

Apesar de alguns desencontros e da gafe que cometeu ao se referir à Espanha como uma república, as palavras de Morales convenceram os espanhois. A AFP afirma que a petrolífera hispano-argentina Repsol se comprometeu a acelerar seus investimentos no país andino e a destinar US$ 1,6 bilhão até 2015 para desenvolver novos campos de hidrocarbonetos. Somente com essa quantia, a Bolívia poderá produzir cerca de 50% a mais de gás do que a quantidade atual e será capaz de fornecer 47 milhões de pés cúbicos por dia aos países vizinhos.

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1 Comentário

  • | 2009-09-26

    ACHO QUE O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NOS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA DEVE SER MANTIDO NO MESMO NÍVEL PARA NÃO PERDERMOS A SOBERANIA E PARA NÃO DEIXARMOS OS GRINGOS NOS ROUBAREM