2009-08-31

Chile e Bolívia reafirmam relação bilateral

Michelle Bachelet, presidente do Chile, cumprimenta Evo Morales, presidente da Bolívia, durante reunião bilateral na cúpula extraordinária da Unasul, realizada em 28 de agosto de 2009 em Bariloche.

Michelle Bachelet, presidente do Chile, cumprimenta Evo Morales, presidente da Bolívia, durante reunião bilateral na cúpula extraordinária da Unasul, realizada em 28 de agosto de 2009 em Bariloche.

Eduardo Herrera

BARILOCHE, Argentina ― Os presidentes Evo Morales e Michelle Bachelet se reuniram durante a cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada na cidade argentina de Bariloche. Os governos de Bolívia e Chile reafirmaram o caráter bilateral das suas negociações, que inclui uma solução conjunta para a reivindicação boliviana de ter uma saída para o Oceano Pacífico.

A agência EFE lembra que, dias antes da reunião presidencial da Unasul, o presidente peruano Alan García havia chamado a atenção para um suposto acordo feito por baixo dos panos entre os vizinhos. Segundo García, tais negociações beneficiariam a Bolívia, que ganharia acesso ao Oceano Pacífico por meio do território chileno que no passado pertenceu ao Peru.

O presidente peruano também havia dito à AFP que pediria explicações a Morales e Bachelet a respeito das negociações atuais, que até o momento progrediram mais na área econômica do que territorial.

A reivindicação havia sido apoiada pelo presidente semestral da Unasul, o presidente equatoriano Rafael Correa, que conforme a EFE poderia convocar outra reunião do bloco regional para abordar o assunto entre Bolívia, Chile e Peru.

A Guerra do Pacífico, conflito ocorrido em 1879, deixou a Bolívia sem acesso ao mar depois que o Chile ganhou da aliança feita entre os governos de Lima e La Paz e ocupou uma extensa faixa litorânea em ambos os países, até que a atual fronteira entre Chile e Peru foi colocada ao norte de Arica.

Bolívia e Chile possuem diferenças profundas e não mantêm laços diplomáticos. No entanto, de acordo com o jornal El Deber, sob os governos de Morales e Bachelet foi possível realizar uma pauta de 13 itens, que leva em consideração a reivindicação boliviana para uma saída soberana para o mar. Discutindo primeiro as possibilidades de comércio entre ambos os países, as negociações representam o melhor momento das relações bilaterais em décadas.

Apesar de não terem sido divulgados os detalhes específicos da reunião entre Bachelet e Morales em Bariloche, o ministro peruano das Relações Exteriores, José Antonio García Belaúnde (que chamou o presidente boliviano de inimigo n.º 1 do país), confirmou ao jornal La República que o presidente García não insistiu na aproximação com seus vizinhos.

Nossa postura, que também é a da Bolívia, é de que esse assunto deve ser e continuará sendo trabalhado bilateralmente, a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá, limitou-se a dizer à EFE.

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