2009-07-30

Peru e Bolívia tentam superar crise diplomática

Celima Torrico, ministra boliviana da Justiça, responsabilizou o governo do Peru em maio pelos conflitos ocorridos em Bagua, na região amazônica peruana.

Celima Torrico, ministra boliviana da Justiça, responsabilizou o governo do Peru em maio pelos conflitos ocorridos em Bagua, na região amazônica peruana.

Pastor Landívar

LA PAZ, Bolívia — O retorno do embaixador peruano Fernando Rojas à capital boliviana no dia 31 de julho parece ter posto fim à crise diplomática que os dois países enfrentaram nos últimos meses. O diplomata havia sido chamado para consulta pelo presidente Alan García em junho devido a vários impasses que começaram a ser superados após a reunião entre os chanceleres da Bolívia, David Choquehuanca, e do Peru, José Antonio García Belaúnde, durante a Cúpula do Mercosul no Paraguai.

Conforme Los Tiempos, apesar de Rojas não comparecer no dia 28 de julho a uma recepção em homenagem ao feriado nacional peruano no consulado do país em La Paz, ele foi representado pela esposa, Odette Zamalloa, que participou do evento ao lado do ministro boliviano da Defesa, Walker San Miguel. Zamalloa garantiu que o marido voltará ao país para fortalecer os laços bilaterais de amizade.

Rojas tinha sido convocado pela chancelaria peruana em protesto contra supostas interferências da Bolívia em um conflito ocorrido no mês de maio e que resultou na morte de 34 indígenas e policiais na região amazônica peruana de Bagua. Na ocasião, a ministra boliviana da Justiça, Celima Torrico, responsabilizou o governo do Peru. Logo depois, o presidente Evo Morales assegurou que se tratava de um caso de genocídio.

O ministro das Relações Exteriores do Peru, José Antonio García Belaúnde, exigiu que o presidente boliviano deixasse de se envolver nos problemas peruanos e o acusou de apoiar a insurreição. Belaúnde se baseou em uma carta enviada por Morales a um congresso indígena realizado em Puno cinco dias antes dos acontecimentos em Bagua. O ministro também ressaltou que, desde Morales se tornou o o presidente da Bolívia, o Peru enviou 13 notas diplomáticas de reclamação à chancelaria do país vizinho.

Apesar da melhora das relações, Choquehuanca insistiu para que seja cancelado o asilo e refúgio político concedido pelo Peru a quatro ex-ministros do ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, todos eles acusados de genocídio na Bolívia. Tomara que possam revogar essa decisão de asilo e refúgio, pois isso vai ajudar a normalizar as relações, informou o chanceler boliviano à Radio Pátria Nueva.

Belaúnde respondeu à Radio Nacional que o restabelecimento das relações bilaterais não está sujeito a condições e que o Peru não revisará nenhum asilo já concedido.

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