2009-07-28

Onda de frio polar assola o Cone Sul

Casal caminha em parque de Buenos Aires em meio a uma nevasca inesperada no dia 9 de julho de 2009, enquanto o Cone Sul por uma onda de frio intenso.

Casal caminha em parque de Buenos Aires em meio a uma nevasca inesperada no dia 9 de julho de 2009, enquanto o Cone Sul por uma onda de frio intenso.

Winston F. Burges

BUENOS AIRES, Argentina — Uma intensa e prolongada onda de frio polar, com temperaturas de até três graus abaixo de zero, atingiu Argentina, Uruguai e Paraguai por cinco dias, causando várias mortes e contribuindo para a expansão da pandemia da gripe A (H1N1).

Conforme o jornal La Nación, uma massa de ar frio originária da Antártida afetou o terço meridional da América do Sul, chegando até os Andes, onde a temperatura caiu drasticamente. Também foram registradas nevascas e o fenômeno do vento branco.

O serviço meteorológico argentino informou ao Clarín que também houve neve no litoral e no sul da província de Buenos Aires. Dependendo da região e do dia, a temperatura variou de -3ºC a 11ºC.

O departamento de epidemiologia da Secretaria da Saúde de Buenos Aires advertiu ao Clarín que o frio poderá causar um novo avanço no número de casos da gripe A (H1N1) no início de agosto. A onda de frio contribuirá para um possível pico da gripe A porque as pessoas que vão de lugares abertos a lugares fechados podem mudar bruscamente de temperatura e isso enfraquece as defesas do corpo, indicou o diretor da entidade, Mario Masana Wilson.

Na Argentina, 39 pessoas morreram de hipotermia, intoxicação com monóxido de carbono e incêndios gerados por sistemas de calefação defeituosos. A ONG argentina Rede Solidária informou ao La Nación que 16 dos mortos apresentaram quadros de hipotermia.

Conforme o jornal ABC Digital, o Paraguai viveu uma situação semelhante, com a morte de quatro pessoas por hipotermia e intoxicação com monóxido de carbono. No Uruguai, o jornal La República noticiou que duas mulheres e um bebê morreram por inalação de gás tóxico após um vazamento no seu aquecedor residencial.

A forte queda na temperatura também afetou a economia ao causar um aumento no consumo de eletricidade. A Argentina registrou um novo recorde nacional de demanda de energia, chegando a 19.532 megawatts e superando os 19.126 alcançados em junho de 2008. No caso do gás, a demanda ficou perto dos 130 milhões de metros cúbicos diários (MMCD), segundo o Clarín. Para evitar o corte do abastecimento de gás residencial, o governo argentino impôs restrições de 45% a 50% sobre o fornecimento ao setor industrial.

No Uruguai, conforme La República, o consumo de botijões de gás aumentou 25% em relação a 2008.

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