2009-05-20

Morre o poeta e escritor uruguaio Mario Benedetti

Mario Benedetti, cujo poema \"A trégua\" serviu de inspiração para o filme argentino do mesmo nome que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1974. Muitos cantores, como o espanhol Joan Manuel Serrat, também interpretaram seus poemas.

Mario Benedetti, cujo poema \"A trégua\" serviu de inspiração para o filme argentino do mesmo nome que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1974. Muitos cantores, como o espanhol Joan Manuel Serrat, também interpretaram seus poemas.

Winston F. Burges

MONTEVIDÉU, Uruguai — O Uruguai e a América Latina choram a perda de uma das suas figuras culturais mais importantes do século XX, o escritor e poeta uruguaio Mario Benedetti. O escritor faleceu aos 88 anos, vítima de uma doença intestinal crônica, no dia 17 de maio em Montevidéu.

O governo decretou luto nacional e centenas de uruguaios aplaudiram e choraram ao acompanhar o carro funerário que transportou o corpo do poeta pelas ruas da capital até o Panteão Nacional, após o velório no Palácio Legislativo.

Homens como Mario nunca morrem, se semeiam, expressou o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, segundo o Clarín. Sempre existiu essa ingenuidade de pensar que o inevitável pode ser postergado, mas não se pode e, quando chega, como chegou para Mario Benedetti, é muito difícil de aceitar, o escritor português José Saramago, ganhador do prêmio Nobel, afirmou ao jornal La Nación.

O cantor e compositor espanhol Joan Manuel Serrat também deu declarações ao Clarín. Tive o prazer de trabalhar com ele em músicas fantásticas e juntos fizemos um punhado de canções como 'O Sul Também Existe', lembra. Como fruto desse trabalho, nasceu uma amizade que continuará me acompanhando, afirmou.

Benedetti nasceu em Paso de los Toros no seio de uma família italiana em 1920 e foi batizado como Mario Orlando Hardy Hamlet Brenno Benedetti Farrugia. A sua carreira literária ao longo de seis décadas foi extensa e sua obra conta com mais de 80 livros. Os mais famosos foram Graças pelo fogo (1965), Com e sem nostalgia (1977) e Viento del exilio (1981), além de obras teatrais como Pedro e o capitão (1979). 

O romance A trégua, publicado em 1960, deu fama internacional a Benedetti e foi levado ao cinema por Sergio Renán, além de ser traduzido para 19 idiomas e adaptado para o rádio. O filme foi candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

A vida de Benedetti também foi marcada pela política. Após o golpe militar que em 1973 derrubou o governo democrático uruguaio, o escritor abandonou o país e permaneceu exilado por dez anos em Cuba, Argentina, Peru e Espanha. A experiência do exílio me transformou em outra pessoa, mais alerta, mais bem informada sobre o mundo, confessou Benedetti ao jornal El País em uma das suas últimas entrevistas.

No livro Rincón de haikus, publicado em 1998, Benedetti fez um pedido aos leitores: Quando me enterrarem, por favor não se esqueçam da minha caneta, escreveu. Segundo a Radio Silva, antes de morrer ele ditou ao secretário pessoal Ariel Silva aquele que seria o seu último poema:

[...] A minha vida foi como uma farsa

A minha arte consistiu

Em não se deixar notar demais

Fui como um levitador na velhice

O brilho marrom dos azulejos

Jamais se separou da minha pele

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2 de Comentários

  • | 2009-08-19

    gostei muito desta matéria

  • | 2009-06-03

    Excelente o último poema dele.