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2009-04-09

Fujimori é condenado a 25 anos

Alberto Fujimori, presidente do Peru de 1990 a 2000, depõe no seu julgamento no dia 1º de abril de 2009. Ele foi acusado de autorizar dois massacres durante a sua administração.

Alberto Fujimori, presidente do Peru de 1990 a 2000, depõe no seu julgamento no dia 1º de abril de 2009. Ele foi acusado de autorizar dois massacres durante a sua administração.

Omar Bonilla A.

LIMA, Peru ― Um tribunal civil condenou o septuagenário Alberto Fujimori a 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos cometidas entre 1990 e 2000, período em que foi presidente do Peru.

Fujimori foi considerado culpado de autorizar dois massacres perpetrados por esquadrões da morte, além dos sequestros do empresário Samuel Dyer e do jornalista Gustavo Gorriti em 1991 e 1992. Os advogados dele disseram ao jornal El Comercio que recorreriam da sentença.

El Comercio noticiou também que a condenação, anunciada após um julgamento de 16 meses, levou a reações conflitantes entre partidários e opositores de Fujimori, que passaram o dia protestando em diferentes partes de Lima.

Conforme a AFP, a divisão criminal do Tribunal Supremo do Peru considerou Fujimori culpado de ser o autor indireto dos assassinatos. Por esse conceito legal, uma pessoa é considerada culpada dos crimes que ela leva os outros a cometerem. Em 1991, o grupo paramilitar conhecido como o esquadrão da morte Colina invadiu uma festa em Barrios Altos, bairro pobre do centro de Lima, e matou 15 pessoas suspeitas de terem vínculos com o grupo terrorista Sendero Luminoso.

Em 1992, o esquadrão Colina sequestrou e assassinou oito alunos e um professor da Universidade La Cantuta, nas redondezas de Lima. O tribunal concluiu que Fujimori autorizou ambos os assassinatos, além dos sequestros do empresário Samuel Dyer e do jornalista Gustavo Gorriti.

Aplicando-se a dedução dos dois anos em que ele esteve detido entre a sua prisão no Chile e a extradição ao Peru, a sentença de Fujimori terminará em 10 de fevereiro de 2032.

O ex-presidente se declarou inocente e negou ter ordenado as mortes em Barrios Altos e La Cantuta. Insistindo que não sabia nada sobre as operações secretas do Colina, ele disse que tinha orgulho e não vergonha da sua campanha para pacificar o país.

Conforme a Reuters, Fujimori e os filhos, Keiko, Sofia e Kenji, não mostraram nenhuma emoção enquanto a sentença era anunciada, mas dezenas de apoiadores do ex-presidente se reuniram em frente à sede da Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional do Peru na zona leste de Lima para protestar contra a decisão.

A decisão foi uma das mais significativas da história recente, porque tocou na responsabilidade de um chefe de estado por crimes cometidos por órgãos para cuja criação ele foi fundamental, o representante da Anistia Internacional, Javier Zuñiga, disse à EFE.

Segundo El Comercio, contudo, o recurso da defesa de Fujimori tem boas chances de prolongar o julgamento por mais um ano. Fujimori também enfrenta quatro acusações de corrupção. Nenhuma delas, porém, deverá ter efeito prático sobre a situação dele porque, pela lei peruana, as sentenças não são cumulativas. Em outras palavras, ele cumprirá somente a sentença mais longa.

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