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2009-03-03

Governo boliviano considera concessão de títulos se preço do petróleo continuar caindo

Luis Alberto Arce, ministro da Fazenda da Bolívia, anunciou que as exportações bolivianas cairão como um todo durante 2009.

Luis Alberto Arce, ministro da Fazenda da Bolívia, anunciou que as exportações bolivianas cairão como um todo durante 2009.

Carlos Orías B

LA PAZ, Bolívia ― Em 24 de fevereiro, o presidente boliviano Evo Morales disse ao Prensa Latina que a economia do país não depende das remessas de dinheiro dos bolivianos que vivem no exterior, mas depende muito dos preços do petróleo. Por isso, o governo precisaria da ajuda de organizações internacionais ou teria que conceder títulos para evitar a crise.

O governo está preparado para discutir essa questão (a crise) com as organizações internacionais, tais como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (ECLAC) e a Corporação Andina de Fomento (CAF), e para lidar com as opções com base nas suas experiências, o presidente Morales disse ao jornal La Opinión em referência aos preços do petróleo e o impacto na economia nacional.

Enquanto isso, se o preço do petróleo bruto continuar caindo, Morales acredita que o governo será forçado a conceder títulos ou fazer empréstimos para evitar vácuos na economia.

Internamente, os danos e efeitos secundários da queda nos preços do petróleo deverão ser compensados pelos títulos ou empréstimos, Morales concluiu.

Durante uma entrevista para a estação de rádio Kausachum Coca, Morales disse que as remessas de dinheiro cresceram em 2008. Falei com outros presidentes cujos países dependem consideravelmente das remessas. A Bolívia não teve esse problema, garantiu.

Segundo o Instituto de Comércio Exterior Boliviano (IBCE), as remessas anuais para a Bolívia estão entre US$ 1 bilhão e US$ 1,1 bilhão, um número que equivale às vendas do óleo vegetal, é mais alto do que as exportações de produtos industrializados para os EUA, representa o dobro da renda proveniente do turismo e questiona os níveis de Investimento Externo Direto.

A economia da Bolívia enfrenta grandes desafios em 2009 e o índice de crescimento dependerá tanto de fatores externos, resultantes da crise global, como das decisões políticas internas da administração de Morales.

Na primeira semana de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou suas previsões para os índices de crescimento em 2009. O da Bolívia ficou em 4%, pouco abaixo dos 5,05% previstos pelo governo.

Ambos os números ultrapassam os 3% estimados pela ECLAC em sua avaliação regional preliminar, de acordo com o jornal El Deber. Esse índice de crescimento fica atrás dos 5% esperados pelo Peru, mas acima dos 2,6% previstos para o Brasil.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda da Bolívia, Luis Alberto Arce, disse à agência EFE que o total das exportações do país cairiam, principalmente os hidrocarbonetos, minérios e derivados de soja. Segundo Arce, o Banco Central Boliviano (BCB) também previu que as remessas de dinheiro dos imigrantes bolivianos diminuiriam, pois as condições de emprego pioraram em países como Argentina, Espanha, EUA e Itália, onde se encontram muitos bolivianos.

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