2009-03-02

Legisladores abandonam a coalizão da presidente Kirchner

Felipe Solá (esq.), então governador da província de Buenos Aires, ao lado do ex-presidente Nestor Kirchner. Solá uniu-se aos legisladores que deixaram de ser aliados do governo para formar um novo partido.

Felipe Solá (esq.), então governador da província de Buenos Aires, ao lado do ex-presidente Nestor Kirchner. Solá uniu-se aos legisladores que deixaram de ser aliados do governo para formar um novo partido.

Winston F. Burges

BUENOS AIRES, Argentina ― Dez deputados abandonaram o bloco da presidente Cristina Fernandez de Kirchner na legislatura provincial de Buenos Aires, de acordo com o Clarín.

O ato foi repetido por outros sete representantes na legislatura da província de Santa Fe, que é política e economicamente a segunda região mais importante do país. As deserções estão prejudicando a maioria do partido peronista em ambas as câmaras.

A Frente Peronista pela Vitória, partido da situação, recentemente observou um aumento no número de legisladores que estão abandonando a aliança para unir-se à oposição. A tendência teve início em fevereiro com Felipe Solá, ex-governador da província de Buenos Aires e atual deputado federal, seguido por Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, e Felipe de Narvaez, deputado federal.

O governo ainda tem a maioria no Senado e na Câmara de Deputados, além das legislaturas provinciais mais importantes do país. Entretanto, a situação poderia mudar de uma hora para outra se a deserção dos peronistas tiver continuidade. Muitos especialistas acreditam que a presidente Kirchner poderia então correr o risco de perder o apoio de que precisa para adotar seu plano de governo. A situação é bastante preocupante para o governo, que tenta combater os efeitos da crise econômica global.

Segundo informa a agência de notícias EFE, as deserções estão ocorrendo oito meses antes das eleições legislativas e num momento em que os fazendeiros, que passaram grande parte do ano passado em uma disputa com o governo, começaram a colocar pressão para obter um acordo melhor para a agricultura, pois o setor passa por dificuldades por causa da seca e dos impostos altos.

O principal motivo para a dissidência é a tensão criada pelas políticas econômicas do governo nas relações com o setor agrícola.

Tem gente estressada por causa das eleições!, Nestor Kirchner, ex-presidente e marido da atual presidente, disse ao La Nación, visivelmente irritado. Eles só estão pensando na popularidade, enquanto estamos passando por uma crise... O modelo [do governo] tem que ser melhorado! Tem gente desesperada para conquistar mais um voto e isso não tem explicação. Não sei porque eles se tornaram traidores. Uma vez um traidor, sempre um traidor.

O ex-presidente, no entanto, mantém-se em silêncio sobre sua possível candidatura pelo partido peronista em Buenos Aires, a província com a maior população do país e extremamente importante para as eleições presidenciais.

As pesquisas continuam apontando Nestor Kirchner como o favorito se ele decidir se candidatar, enquanto seus simpatizantes já estão fazendo uma campanha intensa que praticamente tomou o centro de Buenos Aires com cartazes dizendo: Nestor é melhor do que todos os outros juntos.

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